Entidades repudiam em nota a atitude do Hemose

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As entidades que atuam na defesa dos Direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis do Estado se pronunciaram sobre um fato ocorrido no  Cento de Hemoterapia de Sergipe (Hemocentro) no início desta semana. Eles repudiaram a atitude do centro de negar a doação de sangue do cidadão André Tanan que foi impedido de fazer uma doação de sangue. Ele morava em Salvador e disse que lá nunca foi impedido de doar.

 

A recusa se deu depois que ele afirmou ser homossexual na entrevista feita pelo Hemocentro, foi então que informaram que ele fazia parte de um grupo de risco e portanto não poderia efetuar a doação. O presidente da Associação de Defesa dos Homossexuais de Sergipe (Adhonis), Marcelo Lima, afirma que os homossexuais não fazem parte de grupos de risco, eles apenas têm “comportamentos de risco”.

 

Marcelo afirma que a entidade que preside irá se pronunciar sobre o caso à nível local e nacional. No Hemocentro a informação é de que o procedimento é correto e está de acordo com a legislação que regulamente os órgãos em todo o país.

 

Nesta quarta-feira, 13, a Associação dos Travestis, Homossexuais e Simpatizantes (Astra) tornou pública uma ‘Nota de Repúdio’ em que afirma o caso de Tanan não é o primeiro a chegar a nossa instituiçao se sentindo descriminado pelo hemose”. A nota diz qnda que “no nosso pais a única forma dos homossexuais continuarem a doar sangue é mentir sobre sua orientação sexual reforçando ainda mais o estigma e o preconceito a algo que não é doença, crime ou pecado”.

 

Confira a Nota de repudio na íntegra:

 

Em junho de 2001, os mecanismos de Direitos Humanos da ONU através de seus relatores e relatoras deram um passo histórico quando decidiram introduzir em seus trabalhos os temas de Orientação Sexual e Identidade de Gênero. Foi solicitado aos grupos ativistas GLBT o encaminhamento de denúncias sobre a violação de direitos, e com a investigação dessas apurações, dentre as cinco violações constatadas mais absurdas no Brasil pelos ativistas de todo mundo foi a resolução n° 153/2004 da ANVISA .

 

A Constituição do Estado de Sergipe, em seu artigo 3º, recebeu uma emenda que prevê proteção contra discriminação por motivo de orientação sexual, com possibilidade de punição dos infratores.

A promoção da auto-estima e a construção da cidadania de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, assim como a luta contra a discriminação por orientação sexual, são passos na luta pelos direitos humanos e constituem-se num importante avanço para a construção de uma verdadeira democracia.

Com isto repudiamos a ação deste hemocentro pelo fato ocorrido com o cidadão André Tanan que nao é o primeiro a chegar a nossa instituiçao se sentindo descriminado pelo hemose.

Sabemos da ainda vigoraçao da resoluçao que exclui potenciais doadores de sangue, porem poderíamos contar com o bom censo e sensibilidade da direção e profissionais do hemose em um pais que se fecha os olhos para tantas leis federais ,considerar que da mesma forma que foi optativo doar sangue era revelar sua sexualidade por isso não queremos que no nosso pais a única forma dos homossexuais continuarem a doar sangue é mentir sobre sua orientação sexual reforçando ainda mais o estigma e o preconceito a algo que não é doença, crime ou pecado.

 O Brasil é um dos países que mais viola os direitos humanos de gays, lésbicas e travestis. Acreditamos, entretanto,  que esse quadro pode ser modificado e que há condições para tanto, apesar de tudo.

Com isto vimos através deste solicitar desculpas publicas ao cidadão André Tanan e a mudança de postura deste hemocentro tirando nosso estado da lista negra dos centros doações com visão retrograda e preconceituosa.

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