Ex-delegada começa a ser julgada no Fórum de Aracaju

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Familiares, amigos e estudantes lotam Fórum (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Prossegue no Fórum Gumersindo Bessa o julgamento da ex-delegada de polícia civil Ana Isabel Ferreira Teixeira, acusada pelo assassinato do agente de polícia civil Júlio César Teixeira, crime ocorrido no dia 24 de setembro de 2004 dentro da própria residência do casal. O policial foi assassinado na presença dos dois filhos do casal, que na época tinham um ano e três anos de idade.

O julgamento teve início às 8h da manhã e não há previsão para encerramento. Entre as testemunhas arroladas, uma não compareceu, mas foi localizada por uma equipe da polícia. Familiares e amigos do policial civil assassinato expuseram faixas na porta do Fórum com pedido de justiça. “Um dano irreparável”, reage o veterinário Émerson Sales, um dos cunhados da vítima. “Temos certeza que a promotoria terá competência para tirar dos autos e apresentar ao Conselho de Sentença todas as provas que lá estão para mostrar a culpabilidade”, considerou o veterinário.

A mãe da vítima, a senhora Renilde Aragão, 77, acompanha o julgamento sentada em uma cadeira de rodas, bem próximo ao corpo de jurados. Durante todo o período da manhã ela passou rezando o terço e evitou os jornalistas.

Depoimentos

Dona Renilde reza durante o júri popular

A pedagoga Damares Ferraz, vizinha do casal, que compareceu ao julgamento espontaneamente, foi a primeira testemunha a prestar depoimento. Ela confirmou que o casal chegou em casa no final da tarde daquele 24 de setembro e chegaram a entrar em desavença.

No dia do crime, a vizinha ouviu Júlio César conversando com um dos cunhados quando chamou a atenção, dizendo: ‘venha ver o que sua irmã está fazendo’. E, logo após, ouviu o único disparo, seguido pelo choro das crianças e o pedido de socorro da acusada.

A defesa, que está sendo feita pelos advogados José Cláudio dos Santos e Evaldo Campos, alega fatalidade. O intuito da acusada, de acordo com a defesa, seria atingir a gaiola com passarinhos, que seria o grande motivo das constantes desavenças do casal.  O tiro acabou acertando o marido e a acusada, sem querer, conforme a defesa, acabou arruinando a sua própria estrutura familiar.

Ré ouve depoimento de vizinha (de amarelo)

A tese da defesa é contestada pelo Ministério Público, que tem como atuantes os promotores de justiça Deijaniro Jonas e Rogério Ferreira. O promotor Deijaniro Jonas não considera que o crime foi premeditado, mas argumenta que teria sido por “motivo fútil”. Para Deijaniro Jonas, a acusada teve a intenção de matá-lo. “Ela teve o propósito de subtrair a vida da vítima. Este foi o deseja dela quando atirou”, resume o promotor.

A ex-delegada de polícia responde por homicídio e porte ilegal de arma.

Por Cássia Santana

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