Famílias completam três anos morando em galpões

Famílias moram em cubículos (Fotos: Portal Infonet)

Baratas, ratos e escorpiões costumam dividir o mesmo espaço com as cerca de 100 famílias que residem no galpão localizado à rua Amapá, bairro Siqueira Campos há três anos. Homens, mulheres e crianças chegaram ao local no dia 1º de Maio de 2008, após terem sido vitimados por enchentes e levados para uma área no Kartódromo e em seguida para o galpão. O tempo vai passando e as reclamações da falta de condições aumentando. Na Secretaria de Estado da Inclusão e Desenvolvimento Social (Seides), a informação é de que serão investidos R$ 9 milhões para a construção de 256 casas no município de Nossa Senhora do Socorro.

“Quando eu cheguei aqui minha filha era recém-nascida. Hoje

Claudineide e os filhos que nasceram no galpão

ela está com quase três anos. Tenho ela e mais três com esse bebê que vai fazer um mês. Só vivem doentes por conta do forte calor e da grande quantidade de ratos, baratas, bezouros e até mesmo escorpiões. Nós viemos do Hotel Brisa Mar, fomos para o Kartódromo e de lá botaram a gente aqui sem a menor estrutura. Só prometem que vão dar casas, mas até agora nada”, lamenta Claudineide dos Santos.

“As crianças são quem mais sofrem aqui no galpão. Elas têm falta de ar, alergia. Minha neta pegou uma bactéria há dois anos. Aqui a gente passa por muitas dificuldades e já estamos preocupados com a chegada do inverno, por conta das

 
 

condições do telhado”, reclama Edileide Gomes acrescentando que são apenas dois banheiros, fossas estouradas, quando chove as fezes invadem tudo.

Edileide lamenta situação

Desanimados

Moradores do galpão disseram ainda que a Defesa Civil interditou o local, que os extintores de incêndio estão vencidos e que já estão perdendo a esperança. “Nós chegamos aqui no dia 1º de maio. Jogaram a gente aqui dizendo que em pouco tempo iam resolver a situação, mas entra ano e sai ano e o problema continua. Ninguém sabe o futuro e a gente que tem filhos, fica mais preocupado ainda. Aqui a gente só não passa fome porque faz bicos, faz faxinas em casas de família”, destaca Claudineide.

No galpão da rua Espírito Santo, também no bairro Siqueira Campos, a situação não é diferente: crianças e adultos dividindo pequenos cubículos com ratos, baratas e escorpiões.  Ali são cerca de 20 famílias que se amontoam e assim como as pessoas que moram no galpão da rua Amapá, vivem de esperanças de um dia se mudarem para uma moradia digna.

Elisângela não perde a esperança de conseguir moradia para os filhos

“Nós também viemos do Brisa Mar, passamos pelo Kartódromo, passamos pela rua Amapá e fomos despejados aqui na rua Espírito Santo. Estamos acreditando na promessa de que vamos ganhar casas no conjunto Marcos Freire, em Socorro. Eu sei  que muita gente está desanimando, mas precisamos acreditar”, afirma Elisângela Santos, há dois anos no galpão, tendo passado um ano na rua Amapá.

“O portão está caindo. Pedimos ajuda à Secretaria de Inclusão Social, veio um rapaz aqui e disse que nós podemos consertar. Já tentamos de todo jeito e não conseguimos. Tinha dois banheiros, mas um entupiu e está sem condições de uso. As infiltrações estão por todo o lado”, complementa Elisângela que

Telhas de amianto deixam o local muito quente. Lâmpadas destruidas

espera uma casa para acomodar os cinco filhos.

Solução

Na Assessoria de Comunicação Social da Seides, a informação é de que a transferência das famílias está mais próxima. De acordo com a Secretaria de Estado da Inclusão e Desenvolvimento Social, a Administração Estadual de Meio Ambiente (Adema), já liberou a licença-ambiental para realizar as obras de infra-estrutura no Conjunto Residencial 1º de Maio.

Nessa primeira etapa, a Secretaria terá um custo de R$ 3 milhões. Com a construção das casas, serão gastos mais R$ 6 milhões. Serão construídas 256 residências para as famílias do galpão da rua Amapá e outras que não tem onde morar.

Crianças são as mais prejudicadas

A assessoria informou ainda que “a Seides fornece cestas básicas paras as famílias alojadas no galpão da rua Amapá e que as pessoas estão na situação relatada por opção, pois na gestão do secretário Oliveira Júnior e da secretária Maria Luci Silva, fizeram a proposta de alugar casas para as famílias dos galpões, mas não quiseram”.

Por Aldaci de Souza

* A matéria foi alterada às 10:22 para excluir a informação antes passada pela Seides de não ter nada com as famílias da rua Espírito Santo, quando na verdade a responsabilidade pelos dois galpões é da secretaria, que admitiu ter havido uma atrapalhação pois antes o espaço havia sido cedido para a Prefeitura de Aracaju.

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