Famílias do MOTU se amontoam em galpões

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Corredores ficam abarrotados com pertences da famílias (Fotos: Portal Infonet)
Depois de três dias vivendo na rua, as famílias desabrigadas – ligadas aos Movimento dos Trabalhadores Urbanos (Motu) – que estavam acampadas na Avenida Mário Jorge, no bairro Atalaia, tiveram que sair do local no último domingo, 18, após uma decisão judicial. A maioria delas, que não tinha casa de familiares para ir, acabou se instalando em dois galpões na Rua Amapá, onde já existem centenas de famílias de sem-teto.

Na manhã desta segunda-feira, 19, a reportagem do Portal Infonet foi até o local e logo na porta encontrou José Carlos, que aguardava a chegada de uma ambulância há mais de duas horas. Ele sofre de hérnia. “Ele está assim desde o início da manhã. Já ligamos para a emergência e não veio ninguém”, disse um dos populares que acompanhava o homem. Uma ambulância dos bombeiros chegou cerca de 30 minutos depois que a equipe da Infonet estava no local e socorreu José Carlos, que foi encaminhado para o Hospital Nestor Piva.

Socorro a José Carlos demorou. Ele disse que sofre de hérnia
Os galpões que antes eram ocupados por cerca de 150 famílias, passam a ter, com a chegada dos novos moradores, quase 300 famílias se espremendo no local. Eletrodomésticos, colchões, e pertences ficam amontoados nos corredores, que são formados por paredes de madeira e abrigam os antigos moradores há mais de dois anos.

Danilo Jones Ramos, que vive nos galpões com a esposa, diz não aguentar mais a situação de descaso do poder público. “Há 16 dias estávamos no hotel, ficamos quatro dias na rua. A Prefeitura prometeu a aluguel para quem tem filho, esposa e gestante. Como nós não nos enquadramos, arrumamos um canto aqui. Mas é difícil ficar porque tem muita gente”, lamenta.

Marcelo Brandão já trabalhou em diversos jornais de Aracaju e hoje vive sem ter onde morar
O jornalista Marcelo Brandão, que sofre de falta de oxigenação no cérebro, é mais um desabrigado que esteve alojado no Flat Atalaia, localizado na Orla. “Aqui foram sem-tetos que alojaram outros sem-teto, porque o governo municipal não deu nenhum apoio para nós. A proposta da Prefeitura foi indigna para todos os moradores”, reclama.

A ação proposta pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) garante a concessão de auxílio-moradia durante três meses para as famílias cadastradas que ocuparam o hotel abandonado na orla, desde que não possuam outro imóvel e tenham em sua companhia filhos, crianças ou adolescentes.

De acordo com um dos coordenadores do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), Silvanei de Jesus, mesmo com a medida tomada pela PMA ainda existem outras pessoas que estão sem ter para onde ir. “Temos idosos, casais sem filhos, pessoas sem famílias… como fica a situação deles?”, indaga.

Por Bruno Antunes

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