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| É cada vez mais difícil se manter desconectado da rede (Fotos: Portal Infonet) |
Já não é de hoje que muitos necessitam da opinião de outras pessoas para se sentirem bem ou aceitas no meio social. Por isso, não basta apenas se sentir feliz, mas se deve demonstrar através de postagens que "tudo é lindo".
A rede social facebook é uma porta de entrada para ver e ser visto. Nela, postar fotos sorridentes, em viagens deslumbrantes, fazer check-in no melhor restaurante da cidade ou postar foto com a (o) nova (o) namorada, são comuns no dia a dia. Em muitos desses casos, as pessoas sentem a necessidade de serem notadas, por isso praticam tal atitude.
Para a psicóloga Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, Ana Luiza Rocha Paixão, na maioria das vezes, nem sempre o que se posta na rede, condiz com a realidade. “A gente termina sendo aquilo que a gente compartilha. Você ver a pessoa dizer, eu sou super carinhosa, amiga de todo mundo, dou bom dia para todo mundo, mando mensagens lindas, mas quando sai de casa e vai pra rua não dá nem bom dia para o vizinho. Eu sou quem eu posto no face ou quem eu ando na rua? O problema que acontece é as pessoas começarem a ter comportamentos diferentes. Eu sou uma pessoa quando estou postando e sou outra quando estou em contato com outras pessoas”, analisa.
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| A psicóloga Ana Luiza Rocha diz que as vezes nem sempre as postagens codizem com a realidade |
Ainda segundo a psicóloga, nesses casos, é preciso saber dosar o lado real do virtual. “O uso excessivo é ruim porque a gente tem que tentar o equilíbrio do mundo real e do virtual e às vezes a pessoa termina vivendo muito mais um mundo virtual do que o real. Mesmo no mundo real a gente busca a vida perfeita, ser feliz, querer estar num bom emprego e isso reflete no mundo virtual, onde a gente também quer sempre passar o melhor”.
O professor, sócio e diretor Criativo da Mentes Digitais, Gabriel Leite, diz que tal comportamento do ser humano, pode significar uma baixa autoestima dos usuários na rede. “Eu acredito que o facebook é uma plataforma digital de socialização entre pessoas, onde algumas, por terem seus amigos "próximos", se sentem à vontade para expressar sua alegria de maneira exagerada e com o objetivo de se sobressair perante outros. 'Estar sempre por cima da carne seca', como diz o ditado. É tudo lindo, está tudo maravilhoso, não tenho problemas, só vitórias e sucesso. Sabemos que a vida de fato não é assim, temos altos e baixos, cada mal com seu dia, dias de luta, dias de glória, já dizia a canção. Esse comportamento pode ser em virtude de uma possível baixa autoestima de grande parte das pessoas, que usam essas ferramentas como apoio”, analisa.
Comportamento
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| Ivancleide Andrade e Tatiana Lima dizem que nem tudo que se posta na rede é verdadeiro |
Para a psicóloga, o comportamento dos usuários via rede social, independe do facebook. “Ela vai demonstrar ali o comportamento dela. Se ela posta e não é feliz, isso só tem como saber se conversar com a pessoa ou com um parente que veja que ela está postando aquilo, mas quando está comigo ela não conversa, mas no face está sempre interagindo”.
Sempre antenadas em tudo que diz respeito à rede social, as estudantes Tatiana Lima dos Santos, 16, e Ivancleide Andrade Santos, 15, acreditam que nem tudo o que se posta no facebook é verdade. “É bom para saber o que as pessoas pensam, mas nem tudo é verdade. Muitas vezes as pessoas estão tristes, mas vai lá e coloca que está bem, eu mesma já fiz isso, teve dias que eu não estava bem, mas fui e botei que estava super feliz”, conta Tatiana Lima.
Regras para o facebook
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| Gabriel Leite entende que tal comportamento pode significar uma possível baixa autoestima |
Até o momento, não há regras pré-definidas para o uso adequado do facebook, mas a psicóloga Ana Luiza, acredita que por conta do grande número de informações, há a dificuldade dos usuários em se manterem desconectados da rede. “É muita informação e a gente não consegue assimilar tudo em pouco tempo, o que gera ansiedade e a necessidade de sempre estar conectada. O facebook pode ser usado de n maneiras, mas desde que haja o respeito entre as pessoas. A forma de utilizar depende de cada um. A pessoa deve compartilhar o que te faz bem e não vai atrapalhar sua vida”, finaliza.
O professor Gabriel Leite, também defende a tese de que não existem regras para utilização do facebook, mas alerta: “Logo, você é o que você compartilha. Muito cuidado com o que você posta, as pessoas esquecem, o Google não. Controle a impulsividade e compulsividade, pense 10 vezes antes de postar. Que imagem você quer passar? Postagem com teor preconceituoso? Jamais! Se apegue aos bons valores e abuse do bom senso”, alerta.
Por Aisla Vasconcelos



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