Final: a 10ª edição do Pré-Caju agora é história

0

Já entrou para a saudade da enorme multidão que acompanhou os blocos e da outra multidão enorme que viu tudo das arquibancadas e dos camarotes. É bem verdade que este Pré-Caju nos pareceu menor do que as edições anteriores. Se havia presença de público bem maior nos blocos, a movimentação dos populares na pipoca, principalmente, era bem inferior ao ano passado, só para citar este exemplo. Exceto pelo dia de sábado – aí sim, tudo superou a expectativa. Na noite de sábado, madrugada de domingo, os camarotes botavam gente pelo ladrão e a pipoca se estendia por centenas de metros. Talvez porque era a noite de Ivete Sangalo e do Harmonia do Samba, com o seu grande nome, Xandy. Do nosso caderninho de anotações, eis algumas curiosidades em torno do 10º Pré-Caju:

 

INFONET – A InfoNet transmitiu on-line a grande festa sergipana pré-carnavalesca. Não é preciso dizer que foi um sucesso total. Sergipanos residentes no exterior puderam matar a saudade da terrinha acompanhando a transmissão. Recebemos e-mails de Miami e do Japão falando sobre o Pré-Caju.

 

CASA DOS ARTISTAS – Não deixou de ser uma surpresa a chegada no camarote oficial, na sexta-feira, de duas estrelas da Casa dos Artistas: Núbia Ólive e Nana Gouveia. Elas vieram a convite da TV Atalaia. Mas, quando uma viu a outra, o tempo quase fecha. Núbia Ólive comentou para o acompanhante: “Não era para ela estar aqui hoje. O que é que ela está fazendo aqui?”

 

NANA – No sábado pela manhã, bem cedo, Nana viajou com destino a São Luís do Maranhão, mas deixou um pedido: queria voltar no domingo para ver o final da festa. Um PTA foi até emitido, mas, por fim, ela terminou desistindo. Talvez para não dar de cara novamente com a Núbia Ólive. O interessante mesmo foi a descoberta do verdadeiro nome de Nana Gouveia. Ela se chama, mesmo, Sebastiana. E olha que nem nordestina ela é…

 

CABEÇA DE FRADE – Um erro de estratégia. No sábado, o grupo Cabeça de Frade, que no camarote da ASBT – Associação Sergipana de Blocos e Trios – tocava um autêntico e maravilhoso forró pé-de-serra, cedeu seu lugar ao grupo musical da Fazenda Boa Luz. Atacou de música brega do interior paulista. Felizmente, não foram vaiados porque pararam logo.

 

PROBLEMAS – A afluência do camarote oficial na noite do sábado foi tamanha, que o camarote começou a ceder. Acionada, a Defesa Civil começou a evacuar os camarotes do primeiro andar – logo o da Prefeitura, com o prefeito Marcelo Déda à frente – e também o camarote oficial. Na noite de domingo, foi a própria Defesa Civil quem passou a controlar a entrada neste camarote. O camarote oficial cedeu 15 cm. Houve real perigo de desabamento e, se isso acontecesse, estaríamos lamentando uma tragédia. Para a noite de domingo, o camarote sofreu reparos, mas a chegada de convidados foi lenta e temerosa.

 

POPULARES – Se fizéssemos uma eleição para se descobrir o artista mais popular da festa, este seria o cantor cearense Falcão. Em cima de um trio ou no próprio camarote oficial, Falcão era constantemente requisitado para fotos e autógrafos. Os Gêmeos, Flávio e Gustavo Mendonça, também conquistaram as fãs.

 

ESTRELA – Daniela Winits, a estrela do seriado global “O Quinto dos Infernos, é – pessoalmente – um amor de pessoa. Sem estrelismo, e realmente muito bonita, Daniela não fez sequer cara feia quando foi a casa do empresário Tadeu Machado buscar o seu cachê. Uma outra teria batido o pezinho e exigido o cachê pago no hotel. Quando ela chegou ao camarote oficial, às 2 horas da manhã do domingo, este já tinha sido esvaziado pela Defesa Civil. Restavam pouco mais de 30 pessoas no camarote. Mesmo assim, ela subiu e acompanhou o desfile final dos blocos. Detalhe: ela saiu do Rio de Janeiro às 7 horas da noite, chegou aqui as 23h30min e não se fez de rogada: trocou de roupa e foi para a avenida.

 

AUSENTES – Alexandre Frota não apareceu e nem deu desculpas. Na casa dele, os pais não sabiam informar porque ele não viajou. Na única vez que ele foi encontrado em casa, na tarde de sábado, ele estava dormindo e não quis atender ao telefone. Amaury Júnior, jornalista, também não veio. Mandou uma equipe jornalística para produzir matérias. Nelson Rubens, também muito aguardado, igualmente fez forfait. Otávio Mesquita foi outro que, anunciado, não veio, embora já tivesse avisado na quinta-feira passada que não poderia vir por problemas de saúde.

 

POLÍTICA – Política no Pré-Caju? Pois é, também se fez. Na noite de sábado, o vice-governador distribuiu centenas de camisas com o dístico “Bené 2002”. O vice-governador Benedito Figueiredo cancelou a viagem que faria a Europa para ficar em Aracaju durante a festa. Nos blocos, quem olhava para cima e reconhecia o ex-governador João Alves Filho, só tinha gestos de carinhos para com ele. Foi talvez o político a faturar melhor com a festa. Para lhe dar um longo abraço – mas bota longo nisso – quem estava no camarote era o advogado João Fontes, figura polêmica do PT. Em dado momento, o governador Albano Franco buscou o refúgio do banheiro. Havia fila à porta. Fez questão de esperar a sua vez, recusando-se passar a frente, como lhe foi oferecido.

 

FOLCLORE – O cortejo dos grupos folclóricos foi um dos momentos bonitos da festa. Grupos de Japaratuba, Lagarto e Estância tomaram conta da avenida e foram bem aplaudidos. Mas o momento emocionante foi a entrada do Zé Pereira, de Neopólis. O som dos clarins era o sinal para que a multidão vibrasse com o velho frevo de guerra. O Pré-Caju fica a dever, a partir de agora, e já para o próximo ano, um bloco, por menor que seja, explorando o Zé Pereira de Neópolis. Com direito àqueles bonecos e tudo mais. Uma beleza.

 

EQUÍVOCO – Uma emissora carioca, Rádio Mania, anunciou o envio de uma equipe para cobrir o Pré-Caju. Não era bem assim: vieram quatro ou cinco pessoas que ganharam um concurso por lá para participarem do Pré-Caju 2002. Mas foi bom assim mesmo.

 

SEBRAE – Um grupo de 15 empresários paulistas, trazidos por um programa do Sebrae, conseguiram entrar no camarote oficial na noite do sábado. Vibraram com tudo o que viram, mas só lamentaram ter que sair antes da hora.

 

PENETRAS – Visto e anotado: um jornalista, com crachá de imprensa e tudo mais, foi pedir a um dos membros da coordenação que deixasse entrar a mãe, a sogra e a filha dele. Pode parecer um absurdo, mas os penetras do camarote oficial chegavam conduzidos pelas mãos de jornalistas. Nunca se viu tanto fotógrafo junto: eles saiam do camarote e voltavam com um ou dois “ajudantes”. Equipes de câmaras de TV pareciam uma praga, também.

 

IDEALIZADOR – Fabiano Oliveira, secretário de Cultura e Turismo e principal executivo do Pré-Caju, desfilava lépido e fagueiro, sem a aliança na mão direita. Quem fazia qualquer comentário, ele simplesmente explicava: “Demos um tempo, só isso”.

 

ARCO-ÍRIS – Não se pode negar: o bloco Arco-Íris, reunindo gays, lésbicas, travestis, simpatizantes e todos os etcs e tais que vocês quiserem, foi um verdadeiro sucesso. Pena que tenha entrado no corredor da folia muito tarde, lá para as duas da manhã. Puxado por Edson Cordeiro, o bloco reuniu perto de 2 mil participantes. Plumas, paetês e muita purpurina. Antes deles desfilaram “Os Cajuranas” – aquele bloco em que marmanjos se vestem de mulheres. Este ano teve até “machuranas” – mulheres vestidas de homens. Quem participou do Arco-Íris foi a ex-secretaria de Educação de Aracaju e atual secretária de Educação de Estância, professora Marieta Falcão. Ela se confessa fã ardorosa de Edson Cordeiro e, junto com duas amigas, não perderia esta por nada. O maridão assistiu tudo de camarote.

 

SUPERMERCADOS – O Pré-Caju chegou aos supermercados. Os que abriram no domingo tiveram deficiência de funcionários. Na tarde daquele dia, o Bom Preço da Gonçalo Rollemberg tinha apenas dois caixas e pouquíssimos atendentes. Não foi diferente em outros supermercados que abriram no domingo.

 

Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais