Fortes chuvas deixam moradores ilhados

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Elenilde abrigou vizinhos

As fortes chuvas que caíram durante toda a noite da última quinta,8, e madrugada desta sexta-feira,9, na capital sergipana, deixaram centenas de famílias em estado de alerta. Casas foram alagadas, ruas ficaram intransitáveis e muitos moradores perderam alguns móveis.

No bairro Coqueiral a situação provocou a revolta dos moradores. No local diversas ruas foram tomadas pela lama.

“Não sabemos o que fazer, estamos com medo de dormir e chover novamente, porque as casas enchem de lama e as ruas se abrem formando buracos enorme”, desabafou Elenilde Oliveira dos Santos, de 33 anos, moradora do bairro Coqueiral.

De acordo com Elenilde a água invadiu as casas por volta das 20h dessa quinta e só por volta das 4h dessa sexta-feira, 9,  ela conseguiu retirar a lama e abrigar alguns moradores. “Algumas casas ficaram pior que a minha, então tive que receber os filhos dos vizinhos e algumas mães que

Eleildes teve a casa completamente alagada
não tinham como ficar dentro da casa por causa da lama”, relatou.

Por diversas ruas do bairro a destruição era visível, crianças ficaram sem ir a escola, adulto não conseguiram sair para o trabalho, moradores ficaram completamente ilhados.

“Não tenho como sair de casa”, lamenta comentou Eleildes Oliveira Santos, de 29 anos.

Segundo Eleildes a filha de 7 anos de idade foi obrigada a dormir na casa da vizinha, pois a casa estava completamente alagada. “Só chamando por Deus nesse período de chuva, temos que colocar os móveis no alto, fogão em cima da mesa e proteger nossos filhos para não adoecerem com a lama”, lamentou Eleildes.

S

Moradores ficaram ilhados
egundo os moradores do bairro, uma criança de quatro anos caiu dentro de um buraco que estava submerso. “A menina correu para casa do lado e não viu o buraco perto da rede de esgoto. Se não fossem os vizinhos ela tinha morrido”, comentou Elenildes.

Sem água e sem energia

Ainda no bairro Coqueiral, uma das ruas ficou completamente destruída com o rompimento de uma rede de água e com a queda de dois postes. De acordo com os moradores a força das águas foi tão intensa que a terra cedeu.

A casa de Luiz do Santos, de 58 anos, corre risco de desabamento. “Não tenho para onde ir e não posso ficar aqui dentro dessa casa porque se hoje [9] a chuva cair novamente minha casa pode desabar”, explicou.

Além de todo o transtorno com a lama e o risco de desabamento a população do Coqueiral está sem água e sem energia, o que dificulta a limpeza das casas. “Temos que esperar que a Deso venha consertar os estragos da chuva e que a Energisa retire esses postes do meio da rua”, comentou Luiz.

Rede de Esgoto

José Augusto mostra a rede de esgoto descoberta
Os moradores ainda reclamaram da rede de esgoto que esta completamente descoberta, trazendo riscos para a população. “Quando chove a água cobre toda a rua e não da para saber onde está coberto e onde está descoberto”, comentou o morador José Augusto, 44 anos.

Para José Augusto a população do bairro corre risco de vida dentro e fora de casa. “Temos medo de que as casa desabem nas nossas cabeças e nas ruas podemos cair dentro de uma vala”, lamentou José.

A população do local acusa a empresa que presta serviços a Deso pela falta de segurança e pelos desabamentos de terra. “ Eles cavam tudo e a terra fica fofa, quando a chuva cai as ruas enchem de água e as casa de lama”, desabafou uma moradora que não quis ser identificada.

Moradores reclamam com representante da empresa

A equipe do Portal Infonet flagrou o momento em que os responsáveis pela empresa estiveram no local e foram questionados pela população do bairro. Segundo o fiscal Pedro dos Santos, a população precisa colaborar. “Os próprios moradores do local jogam lixo dentro dos esgotos entupindo tudo. Agora quando a chuva vem querem culpar a empresa”, questiona Pedro.

Durante uma discussão com os moradores, o dono da empresa identificado como Maciel afirmou que a situação do bairro já foi pior. “Quando chovia a água batia quase no teto, essas obras melhoraram a situação aqui. O problema da rua foi que a adutora estourou”, relatou.

O fiscal da empresa prestadora de serviço afirmou que os esgotos não podem ser fechados e que o problema da enchente não é da empresa. “Se estivessem tampados como é que essa água escorreria? O problema disso tudo ai é de ‘São Pedro”, finalizou Pedro.

Por Alcione Martins e Kátia Susanna

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