Fundação Mamíferos Aquáticos registra peixe-boi marinho em SE

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O peixe-boi foi localizado no litoral sergipano (Foto: Saulo Brandão/ FMA)

O peixe-boi marinho “Astro” se deslocou do rio Real, que faz divisa entre as localidades de Mangue Seco (BA) e Praia do Saco (SE), para o estuário do rio Vaza Barris, nas proximidades de Aracaju (SE).  A equipe do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho – realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental – pede aos condutores de embarcações motorizadas que reforcem a atenção nas áreas onde “Astro” se encontra, reduzindo a velocidade da navegação e desligando o motor das embarcações quando o animal estiver com distância inferior a 10 metros. O Projeto pede também a colaboração de todos os banhistas e turistas da região para que não ofereçam comida, bebida ou toquem no animal, pois isso pode prejudicar a saúde e a readaptação do peixe-boi marinho ao ambiente natural.

Nos últimos anos, a maior parte do tempo, “Astro” permaneceu nas imediações da praia do Saco, em Sergipe, e em Mangue Seco e Coqueiro, na Bahia, onde grande parte dos condutores de embarcações e moradores já obtiveram informações sobre os locais de preferência do animal, minimizando assim os riscos de um novo atropelamento. No entanto, nas últimas semanas, o peixe-boi tem utilizado o estuário do rio Vaza Barris, que em virtude da menor frequência de uso nesta localidade, está despertando preocupações quanto aos riscos envolvendo as colisões com embarcações. Ao longo deste período em que esteve utilizando o litoral de Sergipe e Bahia, “Astro” já foi vítima de no mínimo 13 atropelamentos por embarcações motorizadas, que ocasionaram sérios ferimentos, com risco de vida. Felizmente, em todas as ocasiões, após o tratamento clínico realizado, a condição de saúde do animal foi restabelecida. Porém fica aqui o alerta.

Desde abril deste ano, “Astro” está sendo monitorado pelo Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho que tem acompanhado o animal em campo e com o uso de tecnologia satelital. Por meio deste monitoramento é possível obter informações adicionais sobre o seu comportamento, áreas de uso, o que tem facilitado também o acompanhamento clínico e a realização do tratamento de um atropelamento recente que foi diagnosticado.

“Astro” têm um histórico de extrema importância para a conservação do peixe-boi marinho no Brasil. Foi o primeiro animal da espécie a ser reintroduzido no país. Em 1991, ele foi encontrado ainda filhote encalhado na praia de Aracati, no estado do Ceará, sendo em seguida encaminhado para o Centro Mamíferos Aquáticos/ICMBio, em Itamaracá, onde recebeu atendimento adequado e permaneceu por três anos em processo de reabilitação. Em 1994, foi transferido para um cativeiro construído em ambiente natural, em Paripueira (AL), e, após readaptado às condições ambientais, foi solto nesta mesma região. Por volta do ano de 1998, “Astro” se deslocou para o litoral de Sergipe e, desde então, vem utilizando a área compreendida entre o rio Vaza-Barris (SE), o complexo estuarino rio Real até Mangue Seco, no litoral da Bahia.

“É importante destacar que a presença deste animal nesta região é de grande relevância, pois trata-se da reocupação de uma antiga área de ocorrência histórica e constitui a distribuição mais ao sul da espécie”, lembra o pesquisador e médico veterinário Prof. Dr. João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho. Ao se deparar com o peixe-boi marinho: não toque, não alimente, não forneça bebidas. Apenas admire de longe. Se ele estiver em perigo, machucado ou encalhado, entre em contato com o Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho/ Fundação Mamíferos Aquáticos pelos telefones: (83) 99961-1338/ (83) 99961- 1352 (whatsapp) / (79) 99130-0016.

Fonte: Fundação Mamíferos Aquáticos

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