Gabarito: Polícia sergipana espera documentos da Paraíba

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Lucas Sá e Rosana Freitas, ambos delegados de Defradações, só conversaram informalmente
(Foto: Arquivo Infonet) 

Já está em andamento a quarta fase da Operação Gabarito, que nas fases anteriores, apontou a existência de um grande esquema de fraudes em concursos públicos em dez estados do Brasil. O Departamento de Defraudações da Paraíba, responsável pelas investigações, já prendeu e indiciou 31 pessoas [professores, cabeças e articuladores] pelos crimes de fraudes e associação criminosa. Na atual fase, o delegado Lucas Sá, da Paraíba, já identificou mais de 50 pessoas e vai encaminhar documentos aos estados em que há indícios e possibilidades de certames fraudados – incluindo Sergipe.

Na delegacia de Defraudações de Sergipe, que tem como titular a delegada Rosana Freitas, as únicas informações são extraoficiais. Ainda não há, por exemplo, definição sobre a possível instauração de um inquérito para investigar se houve mais fraudes no concurso para a Polícia Civil de 2014. O único caso certificado pela Polícia da Paraíba é o do já preso Luiz Paulo, que seria um dos membros da associação e teria se beneficiado do próprio esquema quando aprovado no concurso da polícia sergipana – caso noticiado pelo Portal Infonet. A delegada Rosana diz que ainda não teve acesso aos documentos. “Houve somente conversas informais. Eu estou aguardando [a documentação] para que haja alguma análise”, pontuou.

Em contato com o delegado paraibano, nossa reportagem apurou que até a próxima semana os documentos devem chegar a polícia sergipana. Segundo Lucas Sá, há nomes identificados na investigação de possíveis candidatos e articuladores do esquema, mas que ainda não dá para precisar os certames em que teriam participado. Ele acredita que com o auxílio das polícias de cada estado, esse trabalho de identificação flua. “Nós temos listas apreendidas que chegam a ter 60 CPFs, mas não especificam os concursos. Pode ter sido em diversos estados […] encaminharei aos estados e esse trabalho deve ser facilitado”, conclui.

Células criminosas independentes

Apesar de já ter desarticulado peças importantes no maior esquema já descoberto de fraudes em concursos, o delegado Lucas Sá lembra que crimes do mesmo tipo podem ocorrer. “É possível a existência de células independentes dessa associação em estados como Alagoas, Pernambuco, Sergipe. É claro que agora está muito mais difícil. Apreendemos diversos pontos eletrônicos, professores e articuladores do esquema também já estão presos e com audiências marcadas, mas estamos monitorando concursos com editais publicados ou a publicar para que esse tipo de crime não volte a acontecer”, complementou.

Os acusados de envolvimento no esquema vão responder pelas fraudes nos concursos, acumulando penas por cada dolo, além de associação criminosa. Já os candidatos identificados, responderão por fraude, mas por ser uma pena branda, não devem sequer ficar presos, segundo o delegado Lucas Sá.

Por Ícaro Novaes

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