Garis reclamam da segurança no trabalho

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Todos os dias eles se arriscam pendurados nos carros de coleta
Depois do acidente de trânsito que resultou na morte do gari Everaldo dos Santos Nascimento, de 39 anos, alguns funcionários da empresa prestadora do serviço de coleta delixo reclamam da falta de segurança no trabalho. “Não temos nenhuma segurança para realizar o nosso trabalho diário”, enfatizou Pablo Sanches Ramos, motorista do carro de lixo da empresa.

O funcionário que está há quatro dias sem trabalhar por conta de uma dermatite (inflamação da pele que leva ao aparecimento de lesões e coceiras), informou em entrevista ao Portal Infonet que contraiu a doença por conta das botas rasgadas que usa para trabalhar. “Peguei essa dermatite, aí peguei atestado; depois voltei a trabalhar mas por conta das botas rasgadas, a inflamação se agravou. Agora o médico não quer me dar atestado. Estou tomando falta esses quatro dias, mas não tenho condições de trabalhar assim”, atestou.

Funcionário mostra os pés com inflamação
O funcionário também relatou que alguns carros da empresa não possuem equipamento de sinalização adequado. “Muitos não têm o pisca alerta para sinalizar as paradas. Aí fica o povo pendurado atrás correndo o risco de ser atingindo por outro carro”, informou.

Sanches também denunciou que os equipamentos como luvas e botas são pagos pelos funcionários, caso precisem trocar. “Se rasgar ou danificar nós temos que pagar por outras. Agora é impossível não danificar trabalhando pegando todo tipo de lixo, até vidro nós encontramos dentro dos sacos”, relatou Pablo Sanches.

Equipamentos

Segundo Sanches, a empresa deixa a desejar em relação a segurança do trabalho.“Não usamos máscara, somos obrigados a conviver diariamente com o mau cheiro dos lixos, arriscando pegar alguma doença respiratória. Na verdade só temos luvas e botas de péssima qualidade”, denunciou.

A cena do perigo é registrada em várias partes da cidade
Quem também afirmou só utilizar botas e luvas como equipamento de segurança foi o gari S.C.. “Não usamos nada de diferente, nenhuma máscara. A segurança nós mesmo que temos que fazer, o negócio é segurar bem no caminhão” relatou o homem.

Quando questionado a respeito das orientações de segurança passadas pela empresa, o gari foi enfático ao dizer que existem treinamentos com os funcionários e os técnicos de segurança, mas só quando acontece algum tipo de acidente.

“Existe orientação, mas só quando acontece um acidente grave, como quando esse rapaz morreu. A gente trabalha com risco de acidente o tempo todo, mas acho que o cheiro do carro é a pior coisa. Deveria ter umas máscaras”, ressaltou o funcionário.

A Empresa

Gilson diz que empresa tem uma política de treinamento

Segundo o engenheiro de Segurança do Trabalho Genilson Vieira, a empresa trabalha cumprindo todos os requisitos necessários para realizar a segurança dos funcionários. “A empresa tem uma política onde o funcionário passa por um treinamento, depois da avaliação médica, para que esteja apto ao trabalho”, esclareceu o engenheiro.

Genilson também explicou que para cada função existem tipos diferentes de equipamentos e, no caso do coletor de lixo, esses equipamentos seriam as luvas e as botinas. “Seria impossível o uso de máscaras, pois dificultaria a respiração do coletor nos momentos em que necessitasse correr, ou estivesse exposto ao sol”, pontuou.

 

Sanches reclama da segurança no trabalho
Quando questionado sobre as acusações feitas pelo funcionário, Gilson informou que desconhece o problema envolvendo o médico da equipe. “Nunca existiu um problema em que o médico se negasse a qualquer tipo de atendimento. Temos uma equipe com dois médicos, cinco técnicos de segurança, um engenheiro, uma técnica de enfermagem, psicóloga e assistente social. Essa acusação não é verdadeira”, pontuou o engenheiro.

Troca de equipamento

Em relação a cobrança realizada para a troca de equipamentos, o engenheiro explicou que todo equipamento tem um prazo de vida útil, e que o funcionário só é punido quando constatado alguma irregularidade. “Todo equipamento que sai é registrado. O que acontece é que muita gente chega aqui dizendo que perdeu as luvas, ou apresentam outra bota diferente da última que ele pegou, querendo trocar por outra nova. Então temos que ter um controle porque se não eles vão querer uma nova todo dia”, explicou.

Funcionários recebm luvas novas

Coleta X População

Gilson também ressaltou que a função da empresa é retirar o lixo da cidade, mas que a população também pode contribuir. No caso do acidente que causou a morte do gari Everaldo, o caminhão estava parado ao lado de um canal, onde a população depositava lixo. “Era um lugar impróprio para colocar de lixo, mas não podíamos deixar de recolher. Sabemos que o trânsito naquela local é intenso, mas apenas a perícia irá informar se ouve ou não imprudência por parte do motorista”, explicou.

Segundo o engenheiro, a população pode ajudar de diversas formas para diminuir alguns riscos de acidente. “O fato de não colocar vidros dentro das bolsas plásticas já seria uma ajuda e tanto. Muita gente chega aqui com a mão cortada por conta dessas coisas”, finalizou Gilson.

Por Alcione Martins e Carla Sousa

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