Hospitais e clínicas particulares decidem suspender atendimento ao Ipes Saúde

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Na manhã de hoje, os proprietários dos hospitais e clínicas particulares de Sergipe reuniram a imprensa, no auditório da Sociedade Médica de Sergipe – Somese -, para anunciar a decisão de suspender, temporariamente, o atendimento ao Ipes Saúde – plano de assistência médica que beneficia mais de 150 mil servidores públicos do Estado. A deliberação, na realidade, foi tomada na última terça-feira, dia 15, quando representantes das 17 unidades de saúde que integram a rede particular resolveram interromper o atendimento. Por conta disso, a partir da segunda-feira, dia 21, as unidades não vão atender os casos eletivos – procedimentos que não envolvem risco de vida. Quanto os casos de urgência e emergência, o grupo estipulou que se o Ipes não apresentar uma solução para o pagamento da dívida, dentro de 30 dias estes atendimentos também serão interrompidos. Os hospitais e clínicas têm satisfação em atender os conveniados do Ipes, mas estamos vivendo uma situação insustentável: há 120 dias não recebemos o pagamento dos atendimentos realizados. O último mês que recebemos foi janeiro”, informou o médico José Augusto Barreto, diretor do Hospital São Lucas. Segundo ele, o convênio acumula uma dívida de R$ 10 milhões com os hospitais e clínicas particulares. E se já estava complicada a situação do Ipes Saúde – que na semana passada já havia admitido ter uma dívida de R$ 16 milhões junto aos estabelecimentos de saúde da rede particular (incluindo laboratórios e fornecedores) -, agora o quadro fica mais negro. “O próprio convênio já vinha suspendendo a autorização de alguns procedimentos, na tentativa de sanar a situação, mas de nossa parte não temos mais como sustentar esta situação. Não temos mais capital de giro e estamos suspendendo o atendimento por completa falta de condição por ausência de numerário”, revelou Reginaldo Silva, diretor da Clínica Renascença. PARCELAMENTO DA DÍVIDA – Os médicos também revelaram que, legalmente, os hospitais teriam direito de suspender imediatamente o atendimento aos beneficiários do Ipes. “Não fizemos isto por prezar o vínculo que existe entre os hospitais e os pacientes, mas já agüentamos até onde era possível”, declarou José Augusto Barreto. Os hospitais também alegaram que no mês de maio, com o aumento do salário mínimo e reajuste de uma série de tarifas, os custos para manter as unidades também subiram. “O que pretendemos com isso é aliviar nosso sufoco”, justificou Josan Tenório, diretor da Clínica Santa Helena. Durante a coletiva, os médicos informaram que os procedimentos de urgência e emergência correspondem a apenas 30% dos atendimentos realizados para o Ipes. “No mais, queremos deixar claro que estamos desde janeiro conversando com as autoridades, que realmente estão preocupadas com a situação, e estamos abertos a um acordo. Queremos que o Ipes pague pelo menos dois meses da dívida e o restante pode ser pago em seguida”, propôs Reginaldo Silva. Quanto a correção dos valores da tabela do Ipes, que os médicos alegam que não é corrigida há oito anos, o grupo decidiu que não vai inserir esta discussão no momento. “Hoje, o Ipes paga R$ 24,00 por uma diária de enfermaria. Isto não cobre nem os custos com as seis refeições diárias que os pacientes recebem. Mas conversaremos sobre isto depois”, garantiu Josan Tenório. Os médicos também informaram que além dos hospitais da capital, unidade do interior do Estado vão suspender os atendimentos. O Hospital Cirurgia e o Hospital São José, que são fundações, também integram o grupo.

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