
O Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) intensificará a assistência voltada a pacientes com algum tipo de queimadura durante o mês de junho, época do ano com maior incidência deste tipo de acidente na unidade hospitalar. Os acidentes provocados pelo manuseio de fogos de artifício, fogueiras e explosivos podem representar um aumento no número de atendimentos e a busca por tratamento especializado.
Assim como nos anos anteriores, para reforçar a assistência, o Huse seguirá com monitoramento diário das admissões de pacientes vítimas de queimaduras. Com isso, a perspectiva é que sejam ampliados novos leitos voltados aos cuidados específicos dos pacientes tanto no Pronto-Socorro, com atendimentos exclusivos, quanto na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), com leitos de enfermaria e suporte da Unidade Pediátrica, conforme demanda assistencial. A UTQ fornece assistência interdisciplinar para o tratamento das áreas afetadas na pele.
O superintendente do Huse, Rilton Morais, destacou a importância do planejamento no período junino para minimizar os impactos na unidade hospitalar. “Sabemos que esta é uma demanda que aumenta consideravelmente durante o mês de junho e precisamos nos antecipar para que toda a unidade esteja preparada para o período, com toda a estrutura para que o paciente tenha o melhor atendimento e, assim, evitar sequelas importantes. Nas datas específicas em que a tradição ganha mais força, como o São João, também contaremos com a ampliação da equipe especializada”, explicou.
Somente no ano passado, durante o mês de junho, a unidade hospitalar registrou 62 atendimentos de pacientes vítimas de algum tipo de queimadura, sendo 31 atendimentos relacionados ao uso de fogos de artifício. Entre os atendimentos, 17 envolveram crianças.
Sobre a UTQ
Referência no atendimento a pacientes queimados em Sergipe há mais de duas décadas, a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Huse dispõe de 14 leitos de alta complexidade e uma sala exclusiva para realização de curativos.
O cirurgião plástico e responsável técnico da UTQ do Huse, Bruno Cintra, destaca que o período inicia com uma taxa de ocupação de leitos de 50%. “Precisamos conscientizar ainda mais sobre a prevenção deste tipo de acidente. As crianças são bastante acometidas neste período, então é importante que os pais monitorem seus filhos ao soltar fogos e tenham cuidados com as fogueiras. Responsabilidade acima de tudo. E, se os acidentes ocorrerem, estamos preparados para este atendimento. A orientação é buscar uma unidade de saúde mais próxima para uma avaliação inicial e, se for algo mais complexo, este paciente deverá ser encaminhado à UTQ”, salientou.
A assistência na unidade é realizada por uma equipe interdisciplinar formada por cirurgiões plásticos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, instrumentadores cirúrgicos, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, além de profissionais de outras especialidades da saúde.
A gerente da UTQ, Wandressa Nascimento, ressalta que o atendimento imediato faz toda a diferença para reduzir os danos causados pela lesão, sendo fundamental afastar rapidamente o agente causador da queimadura. “O primeiro cuidado é muito importante. Manter o resfriamento da área afetada em água corrente, em temperatura ambiente, por cerca de 15 a 20 minutos, ajuda a minimizar o impacto da lesão. Após o resfriamento, deve-se cobrir o local com um pano seco e procurar a assistência mais próxima para o atendimento”, enfatizou.
Somente este ano, já foram admitidos na unidade especializada mais de 50 pacientes com algum tipo de queimadura ocasionada por fogo, substâncias químicas ou líquidos ferventes. Em um levantamento divulgado referente aos números de 2025, a UTQ registrou mais de 170 admissões. Destes, mais de 80% dos casos estão voltados a queimaduras por chama direta e líquidos aquecidos, sendo 71 casos por chama direta e 70 por líquido aquecido, respectivamente. Quanto ao perfil dos pacientes, os homens representaram 65,9% das internações, em 2025, enquanto as mulheres corresponderam a 34,1%. Já em relação à faixa etária, os adultos somaram 107 internações e as crianças 66 casos.
Queimaduras classificadas como de média extensão representaram mais de 60% dos casos que foram admitidos no ano passado. Já os casos de grande extensão representaram 27,6% e os de pequena extensão, 7,1%.
Fonte: ASN

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