Em alusão ao Dia da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira, 20, diversos grupos e organizações de defesa dos negros realizaram o III Cortejo Afro, uma caminhada para lembrar a importância da data e avanços conseguidos por comunidades quilombolas do Estado. A passeata saiu da Praça da Bandeira em direção à Praça General Valadão, prosseguindo pelas principais ruas e avenidas do Centro da capital. Caminhada atraiu aproximadamente mil pessoas pelas avenidas do Centro
Mais de trinta instituições da Grande Aracaju e de municípios do interior estiveram presentes, reunindo aproximadamente mil pessoas. De acordo com o coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU) em Sergipe, Carlos Augusto, o ato visa alertar à sociedade sobre o quão racista ainda é o país. “Historicamente coloca-se que no Brasil não há racismo, mas nessa data nós saímos às ruas para mostrar a insatisfação com a intolerância racial”, considerou.
Uma das organizadoras do Cortejo, Sônia Oliveira, membro da Sociedade Omolàiyé, diz que o dia é de comemoração e protesto, e tem como propósito celebrar e buscar ainda mais a garantia de direitos aos negros. “As instituições trabalham diariamente em prol do combate à discriminação e à manutenção da cultura afro. Além disso, a sociedade não tem noção da quantidade de crimes racistas que acontecem e, muitas vezes, a próprias entidades não se manifestam”, diz. Sônia diz que o dia é de comemoração e de protesto
Comunidades quilombolas
Ao fim da caminhada, haverá a transmissão por vídeo-conferência do ato de assinatura, pelo presidente Lula, do decreto que dá posse de terra a 202 famílias quilombolas de Sergipe. A solenidade acontece em Salvador.
Serão reconhecidas as comunidades Pontal dos Crioulos, de Santa Luzia do Itanhi, e Mocambo, de Porto da Folha. “Esse decreto é resultado das conquistas do movimento negro e dos avanços conseguidos pelas comunidades quilombola”, reconhece Sônia. “Para nós é um presente, principalmente por isso acontecer justamente no dia de hoje”, reconhece Flávia Borges dos Santos, moradora da comunidade quilombola do povoado Mussuca, em Laranjeiras. Givalda e Flávia comemoram reconhecimento de quilombolas
Já a vizinha de comunidade dela, Givalda dos Santos, diz que ainda falta muito a ser feito pelo Governo, pois no Estado existem 35 desses grupos. “É claro que temos que reconhecer as políticas públicas do Governo Federal nesse sentindo, mas ainda há muitas comunidades remanescentes; ainda há muitos negros que estão isolados, com baixa qualidade de vida”, diz.
Apresentações
Ainda na programação do III Cortejo Negro está previsto o ‘Show Zumbi dos Palmares’, com apresentações de 16 grupos de dança, roda de capoeira, teatro e afoxé.
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