Irregularidades são flagradas no transporte alternativo

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Flagrante de irregularidades no transporte alternativo (Fotos: Portal Infonet)

É do Terminal Rodoviário Governador Luiz Garcia, mais conhecido como Rodoviária Velha, no Centro de Aracaju, que diariamente saem 250 micro-ônibus da Cooperativa de Transporte de Passageiros do Estado de Sergipe (Coopertalse) com destino aos 75 municípios sergipanos. Boa parte das viagens dos veículos que compõem o sistema de transporte intermunicipal de passageiros é marcada por diversas irregularidades que vão desde a superlotação dos coletivos; imprudência dos motoristas; e o não recebimento dos recibos aos passageiros.

Durante dois dias, a equipe de reportagem do Portal Infonet utilizou a linha Aracaju/Itabaiana e flagrou a superlotação dos coletivos. Os passageiros confirmaram todo o descaso vivenciado diariamente e também realizaram novas denúncias.

Ao longo da viagem da capital sergipana ao município de Itabaiana, no Agreste do Estado, tudo parecia bem, até o coletivo trafegar em Areia Branca, município distante 36 km de Aracaju. Em uma rápida parada para desembarque de passageiros, novos surgiram e conseguiram embarcar no micro-ônibus da empresa Coopertalse sem nenhuma restrição do motorista do itinerário. O transporte de passageiros em pé foi feito da sede do município até o Povoado Rio das Pedras. Um caminho que pode custar à vida dos passageiros, já que não estão utilizando o cinto de segurança.

Equipe de reportagem do Portal Infonet flagrou a superlotação de passageiros

As irregularidades no sistema alternativo não é nenhuma surpresa para a dona de casa Carmem Rejane, 37 anos. Ela utiliza o transporte intermunicipal diariamente e conta que por diversas vezes flagrou o descaso. “Já presenciei várias irregularidades. Isso acontece direto, é passageiro sem o cinto, veículos superlotados, até idosos vão a pé. As pessoas não dão prioridade aos idosos, isso é um absurdo”, conta.

Para a doméstica Maria Lúcia da Conceição, 43 anos, a problemática é evidenciada principalmente durante os finais de semana. “Pela manhã e nos finais de semana é mais fácil ver os micro-ônibus lotados. É uma briga para pegar lugar e não tem. Os motoristas acabam sempre deixando a gente viajar em pé, mas isso é só quando passa da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF)”, relata.

Constrangimento

Flagrante ocorreu na linha Aracaju/Itabaiana

O servidor da saúde, Márcio Ribeiro, conta que já passou por uma situação constrangedora no transporte. Ele diz que estava seguindo viagem em pé, quando no meio do percurso, para driblar uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi obrigado pelo motorista do coletivo a se abaixar. “Os coletivos sempre vão cheio para o interior. Já flagrei situações que eles vêm cheios, e no momento que estão passando pelos Postos da PRF, eles pedem que os passageiros se agachem. Isso é um absurdo, e não é só isso, são poucos ônibus para o interior, a situação piora nos finais de semana”, denuncia Fábio.

Alta velocidade

Como se não bastassem todos os problemas relatados, não é comum presenciar em BR’s e Rodovias sergipanas micro-ônibus trafegando em alta velocidade. O motorista Joseval dos Santos diz que já presenciou vários acidentes envolvendo micro-ônibus do sistema alternativo. “Tem muito motorista que anda em alta velocidade. E olhe que é até em período chuvoso. Uma vez, o ônibus que eu estava derrapou na pista e acabou caindo na ribanceira. Eles têm que ter mais cuidado com as nossas vidas”, denuncia.

Irregularidades vão desde a superlotação a imprudência dos motoristas

Coopertalse

De acordo com o presidente da Coopertalse, Valdenis Ferreira, tanto a empresa quanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fazem um trabalho contínuo de fiscalização para evitar que irregularidades sejam promovidas. Ele informou ainda que em caso de flagrantes de irregularidades, é aplicado uma punição aos motoristas.

“Fazemos um trabalho em parceira com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e contamos ainda com quatro veículos que promovem fiscalizações em todo o Estado. Essas fiscalizações não se aplicam apenas a superlotação, mas sim a uma série de fatores. Quando a PRF flagra alguma irregularidade é feito um relatório que é nos passado para que possamos tomar as medidas cabíveis. Neste caso aplicamos uma punição ao veículo atuado, que é a suspensão de cinco dias das atividades do veículo”.

A dona de casa Carmem Rejane

O servidor da saúde, Márcio Ribeiro

O motorista Joseval dos Santos

O presidente da Coopertalse, Valdenis Ferreira

Para justificar a superlotação no coletivo, Valdenis Ferreira  informou que “a superlotação acontece para preencher o horário que está vazio dos veículos, o horário de pouco movimento, onde é desta forma que o trabalhador paga os custos do convênio”, finaliza.

Por Leonardo Dias e Raquel Almeida

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