Jackson e o verbo

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O deputado federal Jackson Barreto (PMN) voltou a ser o político agitado de sempre. Com um novo mandato na mão, eleito para a Câmara Federal, ele está começando a alfinetar ao seu estilo e a provocar os adversários. Sempre foi assim. Ontem, por volta das 14 horas, numa conversa informal pelo telefone, Jackson Barreto disse que o pessoal vinculado à primeira dama e senadora Maria do Carmo Alves (PFL) está se mostrando incomodado com algumas declarações suas sobre as atividades de Maria no atual Governo. Lembrou que não existe nada de pessoa contra a primeira dama e não fará qual pronunciamento que agrida a sua dignidade e nem atinja a sua moral, mas lembrou que “D. Maria hoje é uma pessoa pública, uma senadora da República, uma cidadã que exercer um mandato político e, em razão disso, está sujeita a críticas como qualquer outra pessoa que exerça atividade conquistada pelo voto popular”. Diz que não entende essa reação do seu pessoal, porque tem tratado de todos os assuntos, mas dentro do respeito à pessoa de Maria do Carmo: “as questões a que me refiro são políticas e, conseqüentemente, públicas”. Depois dessa breve justificativa, voltou a alfinetar: “D. Maria do Carmo foi duas vezes primeira dama e mulher do ministro do Interior. Nunca aceitou ser nomeada secretária de Estado. Este ano, com um mandato de senadora até 2006, ela deixa o Congresso Nacional, onde teria muito maior importância, para ficar em Sergipe, à frente de uma Secretaria de Combate a Pobreza. Isso, no mínimo, é muito estranho”. A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) não quis polemizar com Jackson Barreto e nem deu ouvidos à provocação. Preferiu o silêncio. Mas um dos seus assessores revelou, o que considera “o grande problema de Jackson Barreto”, esse direcionamento de críticas ao trabalho de Maria do Carmo Alves na periferia de Aracaju: “é que isso que lhe provoca grande receio”. Na concepção de segmentos do Governo, o prefeito Marcelo Déda não pretende disputar a reeleição e deve assumir um Ministério importante no Governo Lula, que o credencie a candidatar-se ao Governo do Estado em 2006. Jackson Barreto estaria de olho nessa possibilidade de retornar à Prefeitura de Aracaju, dentro de mais dois anos, e gostaria de ser o nome indicado pelo atual prefeito para sucede-lo. Ninguém fique admirado se Jackson Barreto trocar o PMN pelo Partido dos Trabalhadores, embora saiba que as bases petistas, em uma expressiva maioria, têm objeção ao seu nome para integrar a legenda ou, pior do que isso, ser candidato dela a um mandato executivo. Como Jackson é habilidoso e vai mostrar serviço a favor do Governo Lula, não será muito difícil reverter esse quadro de rejeição a seu favor, mesmo que hoje o julgamento que esse pessoal faz dele é muito diferente do que fazia antes, principalmente depois do acordo com o ex-governador Albano Franco. Mas isso hoje não é pecado tão mortal entre segmentos do Partido dos Trabalhadores, que também está trabalhando uma composição com grupos de direita para fazer uma frente oposicionista em Sergipe, dentro do processo de abertura pelo qual passa o partido e elegeu Lula. Como primeira dama, Maria do Carmo não pode ser candidata à Prefeitura de Aracaju daqui a dois anos, mas o seu trabalho na periferia, à frente de uma Secretaria de Combate à Pobreza, pode fazer com que o PFL prepare um nome competitivo para disputar a sucessão municipal. Claro que Jackson não esquece duas coisas: primeiro que foi derrotado por Maria do Carmo na disputa ao Senado Federal, perdendo em Aracaju. A segunda é a eleição do seu primo, Almeida Lima (PDT), ao Senado Federal, mandato que ele sonha terminar a vida pública, o que ainda pode acontecer. O prefeito Marcelo Déda (PT) não dá sinais de que deixará de disputar o pleito em 2004. Pelo contrário, está arrumando a Casa para iniciar um trabalho diferente e manter a liderança das oposições na capital, podendo até expandi-la ao interior. Ele sabe que as eleições municipais de 2004 não serão iguais a de 2000, quando o Governo ficou ausente da disputa, sem apresentar candidato oficial. Até foi simpático à sua candidatura. As próximas eleições serão muito diferentes. O Governo tem candidato, vai tentar tomar a Prefeitura e, com certeza, o trabalho de Maria do Carmo será fundamental. É tudo isso que leva os assessores do Governo a crer que as declarações mais freqüentes do deputado federal Jackson Barreto contra Maria do Carmo Alves sejam uma forma de tentar brecar essa tendência de criar uma liderança que dispute bem a Prefeitura de Aracaju. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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