Lagoas, açudes e matadouros são alguns problemas do meio ambiente em SE

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Quando Sua Excelência, o dr. Deda, anunciou o nome do sr. Genival Nunes para a cargo mais importante da Adema, o órgão que cuida do meio ambiente no Estado, não deixou de haver surpresa. “Um ambientalista num cargo de gestor deste mesmo meio ambiente não pode dar certo”, era o que mais se ouvia na ocasião. Pois Genival está aí à frente da Adema, tentando resolver, ou pelo menos encaminhar, um sem-número de problemas. Há poucos dias ele fez uma palestra para empresários que a gente tenta resumir aqui.

            Lagoas – Aquelas lagoas na orla da praia de Atalaia são muito, mas muito poluídas mesmo. São lagoas naturais que resultam da água da chuva encontrando-se com o lençol freático. As lagoas ajudam a manter as águas subterrâneas, portanto têm um papel ecológico importante. O problema é que elas, hoje, são um depositário de poluição. Enquanto a norma internacional admite uma poluição em torno de 1000 coliformes/100mililitros de água, por lá, a poluição já bateu em 15 mil/100ml.  Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado com o Ministério Público, cabendo a Adema o monitoramento quinzenal das lagoas, o que tem sido feito religiosamente. À administração da orla caberia colocar placas alertando sobre a poluição e o não uso das lagoas. Mas o que se observa é adultos e crianças usando as lagoas. A Adema acredita que haja ligação clandestina, levando esgotos para as lagoas, mas até agora não foi encontrada.

         Açudes – Também combalido pela poluição encontram-se os açudes no interior do Estado. Os açudes têm, em muitos casos, uma convivência natural com os municípios, o problema é que eles são os maiores depositários da poluição. A Adema também faz o monitoramento destes açudes e nos de Nossa Sra. das Dores e Nossa Sra. da Glória constatou-se grau significativo de coliformes fecais. Muitas das cidades (praticamente todas, observação nossa) não tem tratamento de esgotos e despeja nas sarjetas o que deveria ser tratado. Estas águas sujas acabam sendo drenadas para os açudes. O diretor-presidente da Adema mostra-se animado com o PAC para resolver o problema do esgotamento sanitário em cidades do interior. “Será um ato histórico e que vai mudar o meio ambiente e a saúde da população pela base, de maneira efetiva”.

            Matadouros – Fazer um matadouro é fácil, observa Genival Nunes, “é só ter um pouco de dinheiro, mas operá-lo continuamente exige mais do que dinheiro, exige planejamento e determinação do município”. Ele explica que o efluente gerado por um matadouro é muito complicado. “Cada boi morto libera de 10 a 12 litros de sangue. O que fazer com ele?”. Nunes só vê saída com a adoção do sistema de consórcios pelos municípios. Um município de pequeno e médio porte, com abate pequeno (80 cabeças em média por final de semana) não tem como fazer o tratamento industrial do sangue, dos ossos, do esterco. A sociedade entre seis ou mais municípios, através de consórcios, possibilitaria a instalação de matadouros confiáveis. “O matadouro é um velho problema negligenciado por muito governantes ou simplesmente usado com fins eleitoreiros”.

 

         Carcinocultura É proibida por lei a instalação de criação de camarões em áreas de preservação permanente, daí porque a Adema só libera licenças em áreas altas, longe do mangue. 

         Postos de lavagem – A Adema está de olho nos postos de lavagem de veículos, pelo gasto excessivo de água. Ele chama a atenção para um fato interessante: “Vocês já notaram que os postos de abastecimento não fazem mais lavagem de veículos? É que foram desbancados pelos postos de lavagem, boa parte deles clandestinos, piratas, isto é, sem a parte burocrática legalizada”. O mesmo está acontecendo com a troca de óleo combustível. Sergipe importa 200 mil litros de óleo, mas só envia para reciclagem a metade deste volume. Para onde vai o óleo que não é mandado para o re-refino? “Já é hora de algum empresário bancar uma usina dessas, por que não?”

Por Ivan Valença

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