
Os primeiros dez laudos periciais relacionados à investigação sobre a morte de gatos comunitários no campus de São Cristóvão da Universidade Federal de Sergipe (UFS) foram concluídos. Os exames iniciais apontam que o padrão das lesões identificadas nos animais é compatível com ataques provocados por canídeos.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os primeiros exames periciais indicam que o padrão morfológico das lesões observadas é compatível com ação mecânica decorrente de mordeduras. “O que indica a perícia é que esses gatos foram atacados por outros animais, muito provavelmente cães que circulam pelo campus da universidade”, explicou o delegado Hugo Leonardo, responsável pela investigação.
A perita veterinária Mariana Lumack, responsável pelos exames, destacou que a conclusão decorre da análise conjunta das lesões externas e internas observadas durante o exame necroscópico. “Além de lesões perfurantes e hematomas, identificamos fraturas em costelas e vértebras, além de lesões concentradas principalmente nas regiões cervical e torácica, características compatíveis com mordeduras de canídeos”, detalhou.
Até o momento, dez laudos foram concluídos pela Polícia Científica, todos com conclusões compatíveis com ataque por canídeos. As demais análises periciais seguem em andamento. Conforme explicou a perita veterinária Vera Silva, embora os laudos necroscópicos apontem, em sua maioria, traumas provocados por mordeduras como causa das mortes, a conclusão definitiva da investigação depende da análise do conjunto completo de exames.
Durante as investigações, a Delegacia de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama) identificou alguns tutores de cães que costumam circular livremente pelo campus da universidade. Essas pessoas já foram intimadas para prestar esclarecimentos, e a eventual responsabilização dependerá da conclusão das investigações e da análise do conjunto probatório.
Segundo o delegado Hugo Leonardo, os animais identificados são classificados como semidomiciliados, permanecendo soltos durante o dia e retornando às residências de seus tutores no período noturno.
A Polícia Civil ressalta que as investigações continuam com a análise dos laudos periciais ainda pendentes, incluindo os exames toxicológicos, além da realização de outras diligências para esclarecer todas as circunstâncias das mortes e apurar eventual responsabilização dos tutores dos animais identificados.
Sobre o caso
No início de junho deste ano, pelo menos 14 gatos comunitários foram encontrados mortos no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão, no período de 48 horas. A situação gerou preocupação da comunidade acadêmica e dos protetores de animais do estado.
Segundo relato da protetora animal Miriam Guedes, que integra o grupo Amigos dos Animais de Sergipe, dez gatos foram encontrados mortos no sábado, 6, e mais quatro no domingo, 7. Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, a protetora reforçou a denúncia e pediu apoio para coibir as mortes dos animais.
*Com informações da SSP

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