Ligações falsas passadas ao Samu chegam a 2.500 por mês

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Mesmo sendo uma prática antiga, a taxa de trotes passadas ao SAMU não param de crescer.

Comparado ao ano passado, 2020 apresentou uma alta em relação ao números de ligações falsas, o famoso trote, recebidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Mesmo sendo uma prática antiga, a pandemia do coronavírus se tornou um motivo favorável para a continuidade desse ato que dificulta o trabalho dos profissionais da área.

Karina Mendonça, superintendente do SAMU. (Foto: arquivo pessoal de karina Mendonça)

De acordo com a superintendente do SAMU, Karina Mendonça, o serviço de urgência recebe uma média de 1.500 a 2.500 ligações falsas por mês. Um percentual de 4% a 7,1% do total das ligações recebidas. “Apesar de todas as campanhas que fizemos, as pessoas não deixam de nos passar trote”, desabafa. A superintendente ainda menciona que nem todas as ligações desse tipo são registradas e por isso, o número pode ser bem maior do que o apresentado no relatório.

Este ano, os meses que apresentaram maior taxa de trotes, segundo o relatório, foram maio, junho, julho e agosto. Para Karina a ausência de medidas punitivas para as pessoas que passam trote é um fator que contribui para a persistência dessa ação. “Nós não temos como fazer nada, só registramos o número como o de alguém que passou trote”, lamenta. “Às vezes até o mesmo número que passou trote nos liga novamente, mas nós não podemos ignorar o chamado”, ressalta.

O perfil da pessoa que passa trote para o SAMU não foi especificado pela superintendente, pois segundo ela, são adultos, crianças, homens e mulheres que, todos os dias, praticam essa atitude de má fé. “Durante a ligação a gente já percebe que é trote, porque a pessoa fica nervosa ou fica rindo. Tem casos nós deslocamos uma unidade móvel até o local e chegando lá não tem nada”, explica.

Projeto ‘Sou amigo do SAMU’

Para conter os trotes e educar a sociedade sobre isso, o SAMU realiza diversas vezes ao ano o projeto ‘Sou amigo do SAMU’, em que os profissionais da área fazem panfletagem e conversam com as pessoas nas ruas sobre atitudes que podem preservar a vida e ajudar o trabalho do serviço de urgência.

O projeto aborda questões de práticas educativas que preservam a vida. (Foto: arquivo pessoas de Karina Mendonça)

A campanha aconteceu apenas duas vezes neste ano devido às limitações impostas pela pandemia.

Para Karina, o ato de não passar trote também pode ajudar a salvar vidas. “Quando a gente recebe um trote, a gente pode estar deixando de atender o chamado de alguém que está correndo risco de verdade. Talvez a gente esteja deixando de salvar uma vida”, declara.

Serviço

O Serviço de Atendimento de Urgência Móvel (SAMU) funciona 24 horas por dia e atende aos chamados de socorro através de uma ligação telefônica gratuita para o número 192. O serviço atende todo o estado de Sergipe.

Por Isabella Vieira

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