Localização e segurança manobram preço de vagas nos estacionamentos rotativos

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Os estacionamentos rotativos em Aracaju cobram taxas com base nos serviços prestados (Fotos: Portal Infonet)
Diferente da garagem, os estacionamentos se caracterizam pelo espaço amplo, alguns abertos e outros fechados, com número grande de vagas para veículos e, claro, com prestação de serviços diferenciados. No centro comercial de Aracaju, por exemplo, existem em área pública vagas que são preenchidas por motoristas que optam pelo serviço e pagam uma taxa cobrada pela prefeitura, os já conhecidos parquímetros. Mas muitos proprietários de veículos, que trabalham na área comercial ou que precisam realizar compras, pagamentos ou serviços bancários, dizem preferir quase sempre os estacionamentos independentes ou rotativos.

Esses espaços servem tão-somente para guardar veículos por tempo determinado com cobrança fixada. Eles apresentam em geral serviços semelhantes e taxas equiparadas. Quanto mais próximo do centro comercial da cidade, mais altas são as taxas e mais serviços são oferecidos, entre eles estacionamentos com cobertura, vigilância, lavagem rápida e até circuito fechado de TV para aumentar a segurança e credibilidade do serviço por parte dos clientes.

Os estacionamentos no centro comercial apresentam em sua maioria valor de vaga em R$ 5
Na rua Santo Amaro funciona um estacionamento, de segunda a sexta-feira de 7h30 até às 19h e aos sábados, no turno da manhã. Além dele, mais três estacionamentos operam na rua com mesma cobrança no valor de R$ 5 e igual horário de funcionamento. Os serviços oferecidos parecem ser semelhantes. Antônio Marcos, de 35 anos, é manobrista no estacionamento Serrano há mais de 13 anos. Segundo ele, o espaço apresenta 75 vagas e, em média, de 150 a 200 veículos passam pelo estacionamento diariamente.

“Nosso estacionamento tem circuito interno de TV, vigilância integral, serviço de manobrista. Aqui, o cliente encontra um serviço diferenciado e a segurança de que precisa. Se ocorre algum tipo de dano com o veículo e o proprietário dele comprova que aconteceu no espaço, o estacionamento responde pelo prejuízo”, disse o manobrista de veículos, reforçando que o estacionamento é rotativo e não mensalista e que os clientes são fiéis.

Livre concorrência ou cartel?

Antônio Marcos é manobrista de um estacionamento no centro da cidade há mais de 13 anos
As taxas cobradas pelos estacionamentos nas regiões mais próximas do centro comercial têm o valor de R$ 5. Muitos clientes reclamam de uma possível manobra do mercado, caracterizado por cartel, em que os concorrentes fixam implicitamente preços iguais. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Luis Moura analisa as possibilidades e aconselha o consumidor a estar sempre atento aos preços.

“Acredito que as taxas dos estacionamentos rotativos em Aracaju estão reguladas de acordo com o preço dos parquímetros. Na minha concepção, os preços não estão caros se considerarmos os serviços oferecidos. Por isso descarto a possibilidade de combinação de preço e mesmo que exista é difícil de cumpri-la. Em outros setores da economia como supermercados e combustíveis é possível acontecer”, avalia o economista, esclarecendo a impossibilidade de provar e manter um cartel nos estacionamentos independentes.

Economista Luis Moura descarta posssibilidade de cartel nos estacionamentos da cidade
“Aqui não existe combinação de preços. Na rua Santo Amaro, por exemplo, os quatro estacionamentos mantêm hoje uma mesma cobrança. Mas até o final do ano, o nosso estacionamento oferecia taxa por R$ 4, enquanto os outros já cobravam R$ 5. O preço é criado em função da localização e dos serviços”, garantiu o manobrista do estacionamento.

A proprietária do estacionamento Souto Ltda. na rua Geru, Cintia Souto, de 40 anos, também descarta a existência de combinação de preços. “Meu estacionamento funciona há 14 anos e nunca fiz algum tipo de combinação sobre taxas com outros estacionamentos da região. Mesmo porque não mantemos esse tipo de atividade com outros proprietários. O preço fixado aqui pode ser semelhante ao de outro estacionamento na rua São Cristóvão, mas o valor se deve principalmente à localização”, comentou a dona de estacionamento.

Segurança ao veículo

O aposentado Givaldo Rodrigues diz estar cansado da insegurança nas ruas
O aposentado Givaldo Rodrigues, de 58 anos, guardou seu carro em um estacionamento na avenida Rio Branco, durante manhã de um dia movimentado para fazer pagamentos. “Sempre que venho ao centro comercial, estaciono meu carro aqui. É melhor pagar um estacionamento do que deixar o veículo na rua sem nenhuma segurança. No meu entendimento, percebo um acerto entre proprietários para fixar os preços. Fico sempre ligado nisso e quando vejo um mais em conta, opto pelo menor valor”, desabafou o aposentando, cansado da insegurança presente nas ruas.

Resolvendo questões comerciais, o casal de empresários Izidoro dos Santos, 62 anos, e Ana Lúcia Ferreira, 45, dizem não se importar pelo preço, mas sim pela qualidade do serviço. “Sempre deixamos nosso veículo em um estacionamento porque acreditamos que nesses espaços encontraremos o veículo da mesma forma que deixamos. Até a chave no painel do carro ou com o manobrista costumamos deixar. E não nos importamos muito com preço, já que o tempo para nós custa bem mais caro”, afirmaram os sócios.

O casal de empresários Izidoro e Ana Lúcia preferem a melhor localização, independente de preço
Mensalista em um estacionamento na rua de Laranjeiras, a estudante universitária Jaqueline Santana, de 33 anos, confirma a segurança desses locais. “Como moro numa rua movimentada do centro comercial e minha casa não tem garagem, a única solução encontrada por mim foi me tornar uma cliente, pagando R$ 80 mensais no estacionamento. Nele, encontro a segurança de que preciso, porque na rua o veículo pode ser danificado por transeuntes, ser atingido por outros carros e até mesmo ser furtado”.

Por Jeimy Remir e Diógenes de Souza

 

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