Luta pela moradia: famílias ocupam prédio na Orla

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As famílias ocupam o prédio inacabado de um antigo hotel na Orla Fotos: Portal Infonet

A luta pela casa própria fez com que cerca de 200 famílias ocupassem um prédio na Orla de Atalaia, desde a última quarta-feira, 3. O prédio antigo de um hotel inacabado, localizado na Orla de Atalaia, zona sul da capital, virou a nova moradia para cerca de 500 pessoas entre idosos, crianças, jovens e adultos que visualizam a esperança de poder adquirir uma residência.

O Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu) coordena a ocupação. De acordo com o representante Marcos Simões, o grupo está organizado e acolhendo a todos que chegam ao prédio. Marcos explica que todas as famílias que chegam à ocupação passam por uma entrevista para saber se realmente necessitam ser abrigadas. “O nosso objetivo é acolher a todos que não têm casa própria, mas é preciso fazer uma entrevista com todos que chegam para saber

Adriana conta que pretende conquistar uma casa própria
se o perfil de cada um”, destaca.

Marcos também acrescenta que o prédio está abandonado há 15 anos. “Tem muito dinheiro público usado nessa obra e nada foi usado, por isso, decidimos ocupar este prédio. Sabemos que as famílias que estão aqui não têm condições de entrar em um financiamento imobiliário por conta da burocracia”, ressalta o representante do Motu, salientando que o objetivo é continuar a ocupação.

Luta

A auxiliar de serviços gerais Adriana Dias conta que pegou a pequena Larissa, de apenas quatro meses, e decidiu ficar no prédio. “Estava pagando R$250 de aluguel em uma pequena vila na Coroa do Meio e quando fiquei

Grávida de quatro meses Vanessa sonha com um futuro melhor
sabendo não pensei duas vezes, vim logo para cá. Sou sozinha e não tenho ninguém para me ajudar”, diz.

Grávida de quatro meses, Vanessa Santos Silva saiu do aluguel de uma pequena vila e diz que tem esperança de conseguir uma casa para morar com a família. “Meu marido trabalha como ajudante de pedreiro e não tem salário fixo. Tenho um filho de três anos, então a minha esperança é uma casa”, fala.

Com dois filhos pequenos de três e um ano de idade, a doméstica Erivania Santos Silva acompanhou a irmã Vanessa no sonho por uma residência. “Liguei para a minha patroa e explique não iria trabalhar hoje pela manhã para tentar trazer as minhas coisas para cá, por enquanto ainda não trouxe os meus moveis”, diz.

Água limpa e parada e os riscos da dengue
Um aluguel de R$250 e o desemprego do marido motivaram a diarista Nivea Maria Santos de Lima a ocupar o prédio. “Sou mãe de três filhos e meu marido está desempregado. É muito difícil pagar um aluguel sem ter ninguém para ajudar. O importante é que todos se unam para conquistar a casa própria, aqui não tem ninguém melhor que ninguém”, conta.

Riscos

Com a estrutura inacabada o prédio não é um local seguro para as famílias. Entre os problemas estão a fiação exposta e uma piscina com água limpa e parada que pode ser foco do mosquito da dengue. Outra questão é a falta de isolamento para a área da piscina, o que pode ser um risco para a segurança das crianças que estão no local.

Assistência   

A equipe do Portal Infonet entrou em contato com a Secretaria Municipal da Assistência Social. A informação é que por enquanto, nenhuma providência será tomada. Já na Secretaria Estadual da Inclusão Social o assessor esclareceu que a responsabilidade de assistir os desabrigados com roupas ou alimentos é do município.

Resistência

No mês passado o Portal Infonet mostrou a situação das famílias que ocupam dois galpões no bairro Siqueira Campos. Uma resistência que já dura dois anos.

Por Kátia Susanna

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