Magal lembra aniversário da morte de Padre Melo

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Hoje, dia 19, completam dois anos da morte do Padre Melo, um dos sacerdotes mais atuantes em Sergipe. A data foi lembrada pelo vereador Magal da Pastoral (PT), que por vários anos trabalhou na Pastoral Carcerária ao lado do sacerdote. Padre Melo foi diretor espiritual da PCS em Sergipe.

De acordo com o vereador, Padre Melo sempre teve uma atuação em defesa da população mais carente do Estado, sem esquecer da importância da formação espiritual dos leigos. “Foi por causa dessa sua característica que ele foi o responsável pela implantação do Encontro de Casais com Cristo na paróquia São João Batista, em Socorro, incentivador e participante das Santas Missões Populares em diversas paróquias de Sergipe, além de ter sido um dos responsáveis pela implantação do Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas – Conal – da Arquidiocese de Aracaju”, citou Magal.

Como forma de homenagear o sacerdote, Magal da Pastoral apresentou um projeto que concedeu o nome de Padre Melo uma praça inaugurada pela Prefeitura de Aracaju, em junho desse ano, no bairro Santa Maria. “A localização dessa praça com o seu nome, que fica em uma das regiões mais carentes de Aracaju, não poderia ter sido mais propícia, pois ele era conhecido pelos mais pobres como `profeta da esperança´”, ressaltou o vereador.
 
QUEM FOI PADRE MELO

Antônio Melo da Costa, o Padre Melo, nasceu no dia cinco de setembro de 1933 em Aracaju. Ordenou-se sacerdote na cidade do Rio de Janeiro em 29 de junho de 1960, aos 27 anos de idade. Sua atuação política foi marcada pela defesa da criação de sindicatos rurais. Publicou, nos Estados Unidos, o livro “The Coming Revolution in Brazil”, ao qual teve uma grande repercussão internacional.

No Brasil lançou vários livros e livretos, dentre eles: “Mundo de Deus, mundo de todos”, abordando a aplicação prática da Doutrina Social da Igreja Católica, e “Partido Democrático Republicano – o 3º Partido”, no qual faz severas críticas à ditadura e ao sistema político e partidário brasileiro.

Padre Melo foi citado em um capítulo inteiro do livro “Sete Palmos de Terra e um Caixão”, de autoria do cientista e professor Josué de Castro, como sendo criador do melhor modelo de reforma agrária. Este livro foi traduzido em 19 idiomas.

Nos anos 60, Padre Melo foi incluído no Almanaque Mundial como um dos três homens de maior influência na imprensa internacional. Como ele trabalhava com Dom Hélder Câmara e fazia severas críticas ao imperialismo dos Estados Unidos, foi perseguido pelo Serviço Secreto americano que manipulou o governo brasileiro com a finalidade de abafar a sua atuação. Durante a ditadura, foi processado três vezes, preso, interrogado e teve seus direitos civis reduzidos e vigiados.

Em 1982, foi candidato a governador de Pernambuco pelo PTB. Ganhou todos os debates e foi apontado como o vencedor na intenção de votos, mas a ditadura inventou o “voto vinculado”, golpe eleitoral para evitar o avanço das oposições, o que ocasionou sua derrota. Residiu no Estado do Pará, fixando domicílio na cidade de Castanhal, onde se aposentou como professor da Escola Agrotécnica Federal. Mudou-se em 1991 para Aracaju. Padre Melo foi sepultado em Tobias Barreto, região Sul de Sergipe, conforme seu desejo. 

Por Cícero Mendes

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