Maior laboratório de educação ambiental do país está em Aracaju

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O projeto “Cheirinho de Mato”, o maior laboratório de educação ambiental no Brasil está funcionando a um ano dentro do colégio Arquidiocesano. A área com quase 4000 m² tem espaços de horta, minhocário, borboletário, farmácia viva, curral, galinheiro, e outros componentes para ensino. O projeto pedagógico da iniciativa tem como base as noções de multi e interdisciplinaridade, fazendo com que a consciência ecológica desperte uma nova compreensão de realidade nas crianças.

O professor e biólogo José Bezerra, idealizador do projeto, explica que nos dias de hoje o convívio prazeroso com o meio-ambiente pode mudar o comportamento das crianças. “As crianças estão começando a absorver a cultura de que tudo já vem pronto e é descartável. Não conhecem mais as etapas, não sabem que tudo tem seu tempo. Lá no projeto eles têm um convívio prazeroso com o meio ambiente. Eles estão se incorporando ao meio”, esclarece Bezerra.

Partindo da perspectiva interdisciplinar o projeto aborda os assuntos dados em sala de aula dentro da visão ambiental, seja ele de física ou matemática. “É uma sedimentação do conhecimento. Na prática a criança aprende com mais clareza que na teoria”, comenta Bezerra.

A partir dos seis meses de idade e com o acompanhamento das mães, as crianças começam a ter contato com a natureza, visitando as hortas e identificando visualmente as plantas. Já com quatro anos, elas começam a plantar e regar as mudas da horta. O vínculo que as crianças criam é um comportamento interessante, ressalta Bezerra. Ao plantar uma semente e vê-la se tornar planta na horta, as crianças se sentem responsáveis e se prontificam a regar e cuidar.

O professor José Bezerra entre as Crianças no projeto
No minhocário, as crianças aprendem o processo de surgimento dos fertilizantes. Utilizando minhocas vermelhas da Califórnia, o projeto ensina que esses animais transformam o esterco em húmus. Além desse tipo de fertilizante, o talo e outras partes de plantas, que eram jogadas fora, são usadas como adubo.

Durante a semana as turmas se revezam na ordenha da vaca ‘Pretinha’, que fica no curral do projeto. O galinheiro ‘Ovo Feliz’ também é visitado pela manhã, onde sempre são recolhidos novos ovos. Todos os alimentos de origem animal e vegetal são usados na alimentação da escola, que funciona em período integral.

Além das atividades internas o projeto inclui visitas ao ambiente rural, numa parceria com o projeto ‘Aprendendo na Fazenda’ do EcoParque Boa Luz. Também são feitas ações de intervenção ambiental com os alunos de ensino médio e fundamental, como o reflorestamento da avenida Gasoduto, e a limpeza das praias. “Todas as ações são feitas de acordo com a realidade global, e com preparação teórica dos alunos. Eles não vão sem saber o que estão fazendo”, fala Bezerra.

As mudanças de comportamento das crianças já podem ser sentidas em sala de aula e em casa. Bezerra comenta que algumas crianças já opinam nas compras mensais dos pais, sobre quais embalagens são melhores para o meio-ambiente. Os hábitos alimentares também melhoraram pelo contato direto com a produção de verduras.

Até agora, duas mil mudas já foram plantadas pelos alunos e os planos são de expansão do projeto. Outras escolas da cidade já se interessaram em implantar o mesmo plano nas educações básica e fundamental. “A gente tem uma resposta imediata do aluno, mas uma mudança de consciência na sociedade leva alguns anos. Nós estamos formando multiplicadores”, conclui José Bezerra.

Clique na imagem e veja o mapa ilustrativo do projeto:

 

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