Militares desabafam a cerca do julgamento

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Sargento Vieira/Foto: Arquivo Portal Infonet
“Será que é crime sonhar por uma vida digna e por melhores condições de vida para as nossas famílias?”. Com esse questionamento o Sargento Vieira comentou a cerca do julgamento, onde será decidido o futuro dos militares que lideraram o movimento “Tolerância Zero”.

O Sargento vieira pontuou que mesmo acreditando na justiça do país, sente-se apreensivo com a situação. “É impossível não ficar apreensivo, sabendo que daqui a cinqüenta dias poderemos perder, não só os nossos empregos, mas acima de tudo a nossa liberdade”, ressaltou Vieira.

Com a voz embargada, o sargento pontuou a necessidade de se rever o código penal militar. “A palavra julgamento já nos leva a pensarem absorvição ou condenação, imagine o que não se passa na nossa cabeça sabendo que temos um código totalmente equivocado, da época da guerra militar de 64?” Indagou Vieira ressaltando que “é preciso modificar, por que esse julgamento vai tratar da vida de pais de família e não marginais” salientou

Sargento Edgar/Foto: ArquivoPortal Infonet
O sargento ainda pontuou que com o tratamento que está sendo dado aos militares desestimula o profissional. “Como é que vamos trabalhar para em prol de uma sociedade se não somos tratados como cidadãos de bem, sem dignidade? Trabalhamos com o bem maior do ser humano, que é a vida”desabafou Vieira.

De acordo com o Sargento Edgar, que também será julgado no dia 30 de julho, o processo já era esperado. “Nós esperávamos que existisse um processo, mesmo tendo consciência que todo o movimento foi feito de maneira correta, onde nenhum policial deixou de trabalhar e nenhum participou das nossas assembléias e reuniões armados”, explicou.

Edgar também pontuou que o momento agora é de ansiedade e preocupação. “Esse julgamento não está apenas abalando a mim e a meus companheiros, mas as nossas famílias inteiras. Não somos marginais, somos pais de famílias trabalhadores”, desabafou o sargento.

Movimento Tolerância Zero
Sargento Edgar também pontuou que o código penal é arcaico e antagônico. “Estamos falando de um código onde existe a pena de morte por fuzilamento em alguns casos. Nenhum cidadão brasileiro pode ser condenado a morte, mas o nosso código militar ainda tem essa condenação” relatou.

Os militares também comentaram que durante os cinqüenta dias que antecedem o julgamento, irão apenas aguardar e confiar. “ Acreditamos em Deus e na justiça do nosso país, porque temos convicção de que não cometemos crimes, mas serão dias de angústias”, afirmou Edgar.

Para o Sargento Alexandre Prado, a punição, que pode ser de quatro a oito anos sendo que aumenta em um terço por serem líderes do movimento, é injusta. “Um policial que tem comportamento exemplar e está correndo risco eminente de ser considerado um criminoso, vai de encontro com o que a sociedade como todo acredita. Será lei vai fazer isso cidadãos de bem?”, questionou Alexandre.

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