Moradores convivem com ratos e cobras

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Moradores da Prainha dizem que ratos e cobras invadem os barracos (Fotos: Portal Infonet/Daniel Nascimento)

A poucos metros da invasão da Prainha, localizada no bairro Santa Maria, famílias que invadiram uma associação reclamam que o local não tem estrutura para abrigar mais de 100 pessoas. Muitos moradores estão doentes e dizem que o município não apresentou uma solução para a retirada das famílias que invadiram a associação porque os barracos desabaram.

Com apenas 16 anos e grávida do primeiro filho, Mayara da Silva Nascimento, diz que estava morando na invasão da Prainha há mais de um ano e que invadiu a associação após o desabamento do barraco. Com oito meses de gestação, Mayara lamenta não ter enxoval para o bebê. “Perdi tudo que estava no meu barraco, antes eu morava com a minha mãe no Santa Maria, mas depois casei e fui morar na invasão da Prainha. Com a chuva meu barraco caiu e perdi o pouco que tinha”, conta Mayara. No alojamento são três grávidas na mesma situação.

Alojadas, famílias também reclamam das condições do local 

Do outro lado da avenida, cerca de 200 famílias continuam morando na invasão da Prainha. O local coberto de lama, fezes, ratos e cobras tem muitas crianças e idosos que apresentam vários problemas de saúde.

A dona de casa Vanessa de Jesus, casada com o carroceiro André dos Santos Santana, mora em um pequeno barraco com os dois filhos menores de idade. De acordo com a mulher que alega morar na Prainha há quatro anos, os filhos estão doentes. “Meus filhos têm problemas na pele, cansaço e o meu menino mais novo teve pneumonia. A situação é triste e fica pior quando chove porque o barraco fica lotado de água e lama”, menciona. O pequeno barraco onde mora a família de Vanessa tem muita fiação elétrica exposta.

“Temos medo de pegar fogo em tudo aqui, para falar a verdade já teve um curto circuito, mas a gente conseguiu apagar o fofo rapidamente”, fala.

Grávida, Mayara lamenta ter perdido todo o enxoval do bebê

O desempregado José Carlos Santos conta que recentemente um morador estava doente suspeito de leptospirose. Segundo Carlos, ratos e cobras são encontrados diariamente na invasão. “Queremos uma oportunidade de moradia digna para todos. Estou morando aqui porque não tenho para onde ir”, frisa.

Roberta Souza Santos, diz que estava dormindo quando encontrou uma cobra dentro do barraco. “As pessoas que passam por aqui, pensam que a situação é fácil, mas não é. Nós estamos aqui porque não temos onde morar, queremos sair antes do período da chuva”, aguarda.

Prefeitura

Segundo informações divulgadas pela assessoria de comunicação do município, várias ações

Vanessa diz que o barraco pode desabar

foram feitas em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social e a participação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emub), Defesa Civil municipal, Guarda Municipal, Samu Aracaju e SMTT, para desocupar áreas das margens do canal Santa Maria.

A informação é que o município já desocupou três áreas de risco, incluindo a invasão do Quirino, onde chegaram a residir 91 famílias, retiradas em duas etapas e concluídas no dia 2 desse mês. Na Prainha foram retiradas 34 famílias da área inundada pelas águas da chuva. "A política da Prefeitura de Aracaju é preventiva e tem um alcance social inovador, porque nós retiramos as famílias dessas áreas de risco e lhes concedemos o auxílio-moradia", salientou o secretário de Assistência Social e Cidadania, Bosco Rolemberg.

Por Kátia Susanna

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