Moradores voltam a protestar na BR 101, em Maruim

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Manifestação causa grande congestionamento (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Moradores do povoado Pau Ferro, em Maruim, voltaram a interromper o tráfego de veículos na BR 101, na manhã desta segunda-feira, 17, em protesto ao número de atropelamentos que vem ocorrendo na região. Os manifestantes se declaram como “a voz da comunidade” e insistem em não se identificar. Eles justificam a manifestação alertando para a falta de providências por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) para reduzir a incidência dos acidentes.

Os moradores querem a instalação imediata de um radar para controlar a velocidade dos veículos, mas o superintendente do Dnit, Otávio Soares, informa que a media não pode ser adotada de forma imediata, sem um estudo que aponte para a viabilidade técnica da instalação do equipamento. “A solução definitiva para o problema é a construção de uma passarela e a duplicação da pista”, informa. As obras de duplicação naquele trecho foram interrompidas, mas deverão ser retomadas a partir do processo de licitação que tramita no Dnit. “E a passarela vem bem antes”, diz.

PRF tenta negociar com manifestantes

Policiais rodoviários federais estão no local, tentando entendimentos com a comunidade. Mas os manifestantes insistem em permanecer com a manifestação, queimando pneus e colocando galhos de árvore na pista, causando grande congestionamento que já atinge cerca de 10 quilômetros. “Está inegociável”, admite o policial rodoviário Luís Félix. O pelotão de Choque da Polícia Militar já foi acionado.

Confronto

Os moradores temem um novo confronto. “Vamos colocar crianças aqui, com dois, três e quatro anos pra ver se eles vão bater nas crianças”, bradou um morador, que, como os demais, insistiu em não ser identificado. “Da outra vez [no dia 8, durante a manifestação], a polícia atirou com bala de verdade e quase me atingiu”, conta um outro morador que se identificou como Genisson Lima, apesar de ser orientado pelos amigos e vizinhos a manter a identidade em sigilo.

Motorista entra em atrito com manifestantes

Uma mulher revelou que os policiais chegaram a invadir uma igreja quando estava sendo velado o corpo da adolescente Susany Santos Paz, de 16 anos, que morreu atropelada naquela via, acidente ocorrido na noite do dia 7.

O clima permanece tenso. “Estamos tentando evitar o uso da força propondo uma reunião para amanhã [terça-feira, 18] na prefeitura de Maruim”, diz o superintendente do Dnit. Os rodoviários continuam tentando convencer os manifestantes a liberar a pista.

Em contato com o Portal Infonet, um dos manifestantes informou que os moradores estariam dispostos a aceitar a reunião, desde que o comunicado chegasse aos manifestantes por meio de ofício assinado pelo superintendente do Dnit. “A gente está aqui com esta manifestação e o Dnit não mandou nenhum representante para negociar com a gente, você acha que eles vão fazer alguma coisa amanhã?”, interrogou.

BR: trânsito parado

Os manifestantes alertam que o Dnit cumpriu apenas em parte as reivindicações. Há, no trecho, uma faixa de pedestre mas, segundo os moradores, dificilmente os motoristas respeitam. “Para atravessar aqui, a gente espera duas horas”, comenta uma manifestante.

Atritos

Os motoristas tentaram também dialogar com os manifestantes, alertando que teriam horário a cumprir transportando as mais variadas cargas. O motorista José Osvaldo da Silva se sentiu ofendido com uma frase de um dos manifestantes e até revelou que teria coragem, de mais na frente, colocar o veículo por cima dele.

A reação do motorista causou revolta. Uma mulher, gravando em vídeo pelo celular todo o episódio, reagiu e chamou a atenção: “você sabe que quem mata morre, né?”. O clima ficou tenso, mas logo se tornou pacífico com a nova declaração do motorista dizendo que reconhecia a manifestação como legítima e responsabilizando o governo por não ter instalado uma passarela. “Aqui, nem radar resolve, só uma passarela”, comentou.

Adilson e Raimundo: lamentações

Osvaldo vem de Recife, capital pernambucana, com destino a Jequié, no sul da Bahia, transportando um carregamento de tintas. “Saí meia noite de Recife e tenho que estar em Jequié às 14h. Agora, não sei como vai ser”, disse.

Os motoristas Adilson da Silva Fernandes e Raimundo Carlos Farias têm o mesmo destino, os mesmos objetivos e estão seguindo em comboio para Recife para pegar carga de cervejas que serão transportadas para Santo Antonio de Jesus, na Bahia. “Tinha que chegar em Recife 22h, agora nem sei o que vai acontecer, já telefonamos para a empresa para informar que está tudo atrasado”, comentou.

Os dois foram praticamente os primeiros caminhoneiros a chegar no trecho interditado, por volta das 5h30 da manhã desta segunda-feira. “Quando chegamos aqui, eles estavam começando”, conta.

O Portal Infonet tentou falar com a Polícia Militar, mas não obteve êxito. O Portal permanece à disposição da PM, as informações devem ser encaminhadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 8000.

Por Cássia Santana

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