
O Ministério Público de Sergipe (MPSE) afirmou, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, 26, que não acredita na hipótese de tentativa de suicídio por parte do policial penal Tiago Sóstenes Miranda de Matos, principal suspeito de matar a namorada, Flávia Barros, de 38 anos. O crime ocorreu em março deste ano, em um hotel localizado no bairro Coroa do Meio, Zona Sul de Aracaju.
De acordo com a promotora de Justiça Luciana Duarte, o órgão está convicto de que o investigado não tentou tirar a própria vida após o crime. “O Ministério Público está absolutamente convicto de que não houve essa tentativa dele de tirar a própria vida, pela lesão sofrida e pela análise das provas até então produzidas. Depois do levantamento do sigilo pela juíza desse processo, resolvemos exibir a imagem da execução de Flávia para que a sociedade tenha consciência, tenha conhecimento do que de fato aconteceu e a razão da denúncia”, declarou.
A promotora Cláudia Daniela Freitas também afirmou que o entendimento do MP é de que o suspeito se feriu durante a dinâmica do crime, e não em uma tentativa de suicídio. “Ele estava de posse de uma arma de uso restrito, uma Glock .40, cujo poder de estrago é muito grande para que uma pessoa pudesse ter disparado contra a própria cabeça e ter ferimentos superficiais, como mostram algumas imagens feitas no hospital da cidade. Havia estilhaços, o que não foi abordado, inclusive, durante a cirurgia que ele fez”, afirmou.
Durante a coletiva, o Ministério Público também formalizou a denúncia criminal contra o policial penal e confirmou o pedido para que o caso seja levado a júri popular. A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Aracaju.
A audiência do processo está marcada para o dia 7 de agosto, quando deverão ser ouvidas testemunhas e, possivelmente, peritos responsáveis por novas provas do caso. Segundo o documento apresentado pelo MPSE, a denúncia pede que o réu responda por feminicídio com duas causas de aumento de pena: o emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima — por meio de ação surpresa durante o repouso noturno — e o uso de arma de fogo de uso restrito no contexto de violência doméstica.
A promotora Luciana Duarte afirmou ainda que a divulgação das imagens do caso busca esclarecer à sociedade os fatos ocorridos na madrugada de 22 de março. “O Ministério Público vai lutar de forma firme e rigorosa para que ele seja levado a júri e condenado e, para isso, conta com a colaboração da sociedade. Os jurados vão representar a sociedade na análise desse caso e acreditamos que o fim dará com uma condenação diante desse crime bárbaro”, disse.
Por Aline Souto e Verlane Estácio

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