Muros são construídos em área próxima à ocupação do Motu

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Muro foi construído pelos moradores (Fotos: Juliana Rodrigues)

Assustados com a crescente onda de assaltos, os moradores do residencial Horto do Carvalho II, na Aruana, deram início a construção de três muros nos limites das ruas “1”, “J” e “L”. A comunidade alega que os assaltos, que já assolavam a região, se intensificaram com a instalação de uma ocupação do Movimento Organizado de Trabalhadores Urbanos (Motu) em um terreno pertencente à União.

A publicitária Juliana Rodrigues, que é moradora do local, conta que a ideia de construir o muro já existia, pois os moradores há algum tempo sofrem com a falta de segurança no local. De acordo com ela, com a chegada do Motu à região, os assaltos aumentaram, fazendo com que a ideia do muro fosse logo colocada em prática. “No mesmo dia em que o Motu chegou, aconteceram vários assaltos. Nós nos assustamos e por isso, fizemos uma assembleia e decidimos construir logo o muro. Se eles têm o direito de brigar por moradia, nós temos o direito de brigar por segurança”, explica.

Comunidade quer conter os assaltos

A moradora destaca que na visão dos moradores, assaltantes têm se aproveitado da situação para se infiltrar entre as famílias do Motu. “Conversamos com o líder da ocupação e questionamos o fato. Mas ele alegou que não tem como controlar quem são as pessoas que participam do movimento. Ele lavou as mãos”, diz.

O sentimento de insegurança também é partilhado pela empresária Joseane Oliveira. “Todos os dias temos relatos de assaltos. Eles sempre existiram, mas agora acontecem com muita frequência. A construção desses muros não significa dizer que estamos discriminando essas famílias, mas é preciso entender que isso é para nossa proteção”, destaca.

Os moradores garantem que mesmo com a construção do muro, o acesso das famílias do Motu à essas ruas continuará sendo permitido, através de entradas existentes no local. A comunidade irá acionar o Ministério Público Estadual e a Prefeitura Municipal de Aracaju para que mantenham o muro até a resolução do problema na região.

Muros foram constrúidos nas ruas “1”, “J” e “L”

Motu

Em conversa com o Portal Infonet, Dalva Oliveira, que é uma das representantes do Motu, explicou que os assaltos sempre existiram de forma constante na região. “Já existe o medo e com a ocupação, as pessoas se assustaram ainda mais, pois ficaram apavorados com a quantidade de famílias que chegaram”, conta.

Dalva descarta a presença de criminosos dentro do movimento. “Dentro da ocupação nós não convivemos com pessoas desse tipo. Temos até um regimento interno que não permite esse tipo de coisa”, justifica.

Para ela, a construção do muro está baseada em um preconceito dos moradores com relação às famílias do movimento. “A construção deste muro está carregada de preconceito. O trânsito de pessoas do Motu nessas ruas não quer dizer que vão aumentar os assaltos. O povo pobre que luta por moradia também precisa de segurança”, afirma.

Ocupação foi iniciada no dia 20 de setembro

Relembro o caso

A ocupação do Motu na reigão da Aruana foi iniciada no dia 20 de setembro. Desde então, já foram contabilizadas duas mil famílias, segundo informações da coordenação do movimento. A Superintendência do Patrimônio da União (SPU), que é proprietária da área, já notificou as famílias para que deixem o local.

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