“Musicalidade”, por Rubens Lisboa

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Alex Sant”anna é baiano de nascimento, mas sergipano de coração. Um dos melhores compositores da sua geração, o rapaz é eclético, passeando a sua inspiração pelos mais diversos gêneros musicais. Participou de diversos festivais de música e, ano passado, lançou o seu primeiro disco solo intitulado “Aplausos Mudos, Vaias Amplificadas” (que pode ser adquirido na CD Club e na Casa do Artista). Além da carreira solo, Alex vem desenvolvendo, de maneira paralela, um trabalho bem interessante com a criativa banda naurÊa. A seguir, conheça suas impressões sobre diversos assuntos:

 

MUSICALIDADE – Quem é Alex Sant”anna?

AS – Cantor e compositor sergipano nascido na Bahia. Artista. Chato e criterioso, principalmente com letras de música.

MUSICALIDADE – Como você consegue dissociar o seu trabalho solo da sua participação na banda naurÊa?

AS – Formei a naurÊa, junto com Patricktor4 e Márcio André, num período em que estava sem banda. Já tinha tido uma idéia de ter uma banda de forró, que sempre foi um tipo de música que me atraía. Quanto à dissociação entre a naurÊa e o meu trabalho solo, isso tem sido feito de uma maneira bem natural. São processos de criação diferentes, mas certamente um acaba influenciando o outro.

MUSICALIDADE – Com relação à sua carreira musical, você se arrepende de alguma coisa que fez? Ou de algo que deixou de fazer? E quais os seus planos para o futuro?

AS – Não tenho arrependimentos e acho que as coisas vieram no momento certo. Tenho planos de passar uma temporada fora de Aracaju. Preciso disso, não sei se para ir embora de vez ou se só por um tempo. Pretendo divulgar meu disco em outros lugares e, enquanto eu não saio, fico daqui mandando-o para todos os lugares que julgo interessantes. Já tenho muitas músicas novas gravadas e começo a pensar num novo CD, mas lógico que isso já seria uma outra etapa.

MUSICALIDADE – Fale-nos sobre a sua inclusão no CD “Music From Northeast Brazil” e também sobre o novo projeto “Music from Sergipe Brazil”, disco que terá a participação de 15 artistas sergipanos. O que o mesmo representa e quais as suas expectativas sobre ele?

AS – Mandei meu material para a Astronave Iniciativas Culturais, produtora de Recife (PE), com a intenção de tocar no Festival Abril Pro Rock. Essa mesma produtora estava fazendo a coletânea “Music From Northeast Brazil” e gostou da canção que abre o meu disco (“Poesia de Barro”). O projeto tem a função de divulgar a música do Nordeste em convenções de música realizadas fora do Brasil como, por exemplo, a LAMC (Latin Alternative Music Convention), que se realizará de 5 a 7 de agosto em Nova York (EUA), a WOMEX (World Music Expo), que ocorrerá de 26 a 30 de outubro, em Newcastle (Inglaterra), e o MIDEM-2006, que acontecerá em Cannes (França). Foi a partir da idéia do “Music From Northeast Brazil” e em parceria com Astronave que o recém-nascido selo “Disco de Barro” montou o projeto “Music from Sergipe Brazil”. A intenção é que o CD sergipano venha a rodar pelas mesmas convenções por onde passará o outro CD e, com isso, possa vir a abrir portas em todo o mundo para que o músico sergipano consiga expor o seu talento. Espero que as pessoas acreditem no projeto e mandem material para a seleção (até o dia 1º de julho, no CAM, fone: 3246-2518). Gostaria apenas de destacar que a curadoria será feita pela Astronave lá em Recife. Alguém pode até questionar o porquê de esta curadoria ser em outro Estado, mas é que para nós torna-se de fundamental importância a parceria com a Astronave e esta foi uma das exigências deles. Por outro lado, é bom porque tira uma bomba das nossas mãos. Com certeza, alguns amigos que são músicos terão de ficar de fora da coletânea… Só espero que essas pessoas não levem isso para o lado pessoal.

MUSICALIDADE – Qual a sua opinião sobre o momento musical atual pelo qual passa o nosso País? E o nosso Estado?

AS – Nos anos 80, o Brasil estava passando por uma crise criativa. Na década seguinte, as coisas foram melhorando e hoje eu vejo com bons olhos o momento musical brasileiro. Muitas coisas boas estão sendo produzidas por artistas como Tom Zé (sempre), Otto, Lenine, DJ Dolores, Wado e Los Hermanos. Mas sinceramente eu ando procurando coisas mais antigas, pesquisando samba e forró, tipo: Cartola, Ismael Silva, Clara Nunes, Elza Soares, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Luiz Gonzaga e Ary Lobo. Graças a Deus e a Charles Gavin (dos Titãs) alguns discos destes grandes talentos estão sendo relançados, o que dá a oportunidade para que artistas mais novos possam ter acesso às suas obras. Em Sergipe, há dois anos atrás, começou a surgir uma cena forte com as bandas Maria Scombona, Reação, naurÊa, Lacertae, Plástico Lunar e outras que me deixaram cheio de esperança. Em 2003, realizaram-se em Aracaju o Circuito Cultural Banco do Brasil, o Programa “Bem Brasil” e o “CURTA-SE”. Havia ali uma efervescência, mas as coisas foram esfriando, algumas bandas foram se acabando e hoje eu constato, entristecido, que tudo está voltando ao marasmo. O circuito alternativo continua com muitas coisas boas, mas vejo as pessoas com o mesmo sentimento meu, que é o de cair fora, o que é uma pena.

MUSICALIDADE – O que acha que falta ao artista sergipano para que ele possa ser reconhecido nacionalmente?

AS – Falta ao nosso artista se profissionalizar, virar empreendedor. Falta uma boa política cultural. O Estado é pobre. O Brasil não conhece Sergipe. Posso citar outras “n” coisas, mas acho que o que falta mesmo é um pouco mais de responsabilidade do artista com a sua obra. Temos que ouvir o que está acontecendo no mundo, temos que ter parâmetros. Ouço discos gravados aqui e a maioria tem a mesma sonoridade. Muda o estilo, muda o ritmo, mas os discos continuam parecendo discos sergipanos. Eu não quero isso para mim. Quero que o meu disco seja comparado ao que de melhor está sendo feito no mundo. Se não consegui isso com o primeiro, buscarei conseguir no próximo. Acho que temos que ser mais estetas. Temos bons músicos, bons compositores, bons cantores e alguns produtores com técnica apurada, mas que continuam presos a tendências ultrapassadas. E temos que parar de elogiar coisa ruim. As pessoas ficam somente elogiando como se o elogio em si ajudasse em alguma coisa. Temos mais é que acordar. Eu já tenho o meu despertador.

 

N O V I D A D E S

 

·                     Numa louvável iniciativa da sempre dinâmica Aglaé Fontes, este ano voltará a ser encenada a peça musical “ÓPERA DO MILHO” que conta a história de uma moça que fica grávida e, rejeitada pelo namorado e pelo pai, recorre a toda sorte de simpatias para pedir uma forcinha a Santo Antônio, São João e São Pedro. A parte cênica, com mais de 50 atores, tem à frente o diretor teatral espanhol Montcho Rodriguez. Já a parte musical, que conta com 6 cantores, cabe ao carismático Neu Fontes. A estréia será na próxima sexta-feira, dia 24, às 21 horas, no Centro de Criatividade. A entrada é franca e o espetáculo é realmente imperdível! Talento sergipano na mais alta potência!

·                    No site do Programa “Fama” (que voltará ao ar, em sua quarta edição, a partir do próximo dia 16 de julho, pela Rede Globo), já podem ser conferidos os nomes dos 96 pré-selecionados, com suas respectivas fotos. Destes, dois estão concorrendo por Sergipe. São eles: Bruno Reis, de 24 anos, e Roberto Santos, de 28 anos, ambos músicos. Os candidatos foram separados por regiões: Norte/Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul, e deles apenas 12 vão conseguir participar do programa. Para chegar à quantidade final, uma novidade: os 24 pré-selecionados de cada região serão divididos em dois grupos que participarão de dois shows eliminatórios, os quais vão funcionar como semifinais e acontecerão nos dias 25/06 e 02/07 em Brasília, Recife, São Paulo e Porto Alegre. Daí, os selecionados passarão à final, que vai rolar no dia 09/07. No dia seguinte, a dúzia de sortudos já estará ingressando na casa que servirá de cenário para o Programa. Esta Coluna deseja muito boa sorte para todos e, em especial, a Bruno e Roberto, torcendo desde já para que um dos dois possa vir a ser o vencedor!

·                     Saiu também a lista dos vinte e quatro artistas selecionados para o prêmio Visa que, este ano, prioriza a categoria “intérprete”. São os seguintes os concorrentes: Ana Cascardo – PR, Nanda Cavalcante – RJ, Ana Luiza – SP, Nina Ximenes – SP, BR6 – RJ, Nós Quatro – RJ, Consuelo de Paula – SP, Paulo Lara – SP, Cris Aflalo – SP, Regina Machado – SP, Daisy Cordeiro – SP, Rubi – SP, Dudu Salinas – SP, Sérgio Santos – MG, Isabel Padovani – Áustria, Shirley Espíndola – SP, Kátia Freitas – SP, Simone Almeida – PA, Luciana Alves – SP, Tininha Herlander – SP, Luciana Coló – RJ, Vocalise – RJ, Marcia Lopes – SP e Yara de Mello – GO.

·                     Encontra-se já nas lojas o novo CD de Ed Motta que leva o estranho título de “Aystelum”. O disco, lançado pela gravadora Trama, conta com diversas músicas inéditas do cantor e compositor e também com as duas primeiras parcerias dele com o sambista Nei Lopes (“Pharmácias” e “Samba Azul”, esta contando com a participação especial de Alcione). Ed segue com seu vozeirão e suas experiências sonoras…

 

Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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