“Musicalidade”, por Rubens Lisboa

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A partir de hoje, estarei dando início a uma série de entrevistas com os nomes mais importantes da música sergipana. Elas serão publicadas esporadicamente, sempre que o destino conspirar a favor. E para abrir com chave-de-ouro este novo espaço, aqui está a cantora Amoroza, cujo talento e garra dispensam comentários. 

 

Entrevista

 

1) Quem é Amoroza?

R: É a que canta, mas também a que chora. É a que não se cansa de lutar, de acreditar na vida e que precisa de recolhimento para se renovar. A que faz sua história agora mais amadurecida, sabendo que não se precisa ter pressa porque a vida segue um fluxo natural de plantio e colheita. Cantora de forró, samba, pop? Ah! Sou cantora de todos os ritmos porque sei que posso fazer isso enquanto muitos estão limitados. O ecletismo foi minha salvação em várias etapas da minha carreira. Afinal, vim ao mundo foi para experimentar a vida com todas as suas boas possibilidades. E, graças a Deus, sei que o Pai, generosamente, me deu talento para isso.

 

2) Como você resume a sua carreira dentro da música sergipana?

R: Escrevi várias páginas nela. Por ela lutei e bradei aos quatro cantos, nunca omitindo minhas opiniões a respeito de tudo o que fosse ligado a seu interesse. Mesmo que um dia eu resolva mudar de lugar e de profissão, tenho plena certeza de que contribuí com o lançamento de vários compositores e fui a primeira artista sergipana a citar o nome dos autores das canções que interpreto. Sempre tive também o bom senso de perceber que, antes do novo, há alguém que ficou lá atrás ou foi ignorado e que escreveu as primeiras páginas da nossa MPS.

 

3) Com relação à sua carreira, você se arrepende de alguma coisa que fez? E de algo que deixou de fazer?

R: Sinto apenas quando constato a frustração que alguns fãs meus têm de não me verem ser reconhecida pela grande mídia como uma estrela nacional. Arrependo-me dos palavrões que dizia no começo da carreira e do medo que sempre tive de viver longe da minha terra por amá-la inexplicavelmente demais, a ponto de me prejudicar profissionalmente.

 

4) O que mudou na sua cabeça, enquanto artista, depois da recente viagem que fez em turnê pela Áustria e Alemanha?

R: A viagem e o conseqüente retorno fez com que eu passasse a fazer profundas reflexões sobre assuntos que envolvem o meu trabalho, como a minha confiança nas pessoas e a expectativa em torno delas. Veio-me a convicção ainda maior do talento que Deus me deu. Hoje, sei que posso subir em qualquer palco do mundo, pois, com as bênçãos dele, estarei cumprindo minha função com profissionalismo, amor e respeito.

 

5) Com a vivência que possui, o que acha que falta ao artista sergipano para que ele possa ser reconhecido nacionalmente?

R: Sergipe é uma terra de artistas talentosos. Claro que isso não se aplica à maioria. Mas certamente existe pelo menos uma dezena de artistas preparados para acontecer a nível nacional. O problema não está na gente, mas na falta de sensibilidade e visão daqueles que possuem condições de ajudar. Enchem-nos de elogios, mas nada fizeram até hoje de concreto para valorizar os nossos talentos. Se houvesse um projeto que pudesse, por exemplo, reunir dez grandes empresas de Sergipe, isso somado ao necessário suporte dos poderes públicos legalmente constituídos, poderíamos, inclusive, vir a nos tornar um poderoso instrumento para estimular a freqüência turística em nosso Estado.

 

6) Quais os seus planos futuros no que diz respeito à música?

R: Alguns fatores de ordem pessoal fizeram com que eu paralisasse, por opção própria, o meu ritmo que sempre foi acelerado. Mas quando eu resolver colocar o “bloco na rua”, sei que voltarei com a certeza de não mais trilhar os mesmos caminhos. Já dei a Sergipe o amor, a atenção e o respeito que sempre tive (e continuo tendo) pela terra onde nasci, chegando a renunciar a muitas coisas. A tal “sergipanidade” exaltada por tantos de alguns anos para cá é algo que sendo feito por mim naturalmente há mais de vinte anos. Peço a Deus que jamais permita que eu deixe de amar a minha terra. Quero apenas aprender a fazer isso com moderação para que eu possa me entregar também a outros ouvidos, de preferência amorosos, que estejam abertos a ouvir tudo o que eu desejar cantar por amor à música, por amor à arte. E para tudo isso sempre tive e sempre terei o Deus Único e Poderoso a me guiar.

 

Novidades

 

Gilberto Gil, em fase de pouca (ou nenhuma) produção inédita, para não ficar muito tempo fora do mercado musical (já que a política tem-lhe consumido os miolos), resolveu registrar em CD e DVD o show recentemente realizado no Canecão (RJ). Batizado de “Eletroacústico”, o baiano buscou, no disco, a interação de timbres acústicos e eletrônicos num repertório majoritariamente autoral (“Refavela”, “Andar com fé”, “Aquele Abraço”, “Drão”), mas que também apresenta inusitados registros de “A Rita” (de Chico Buarque) e “Imagine” (de John Lennon). Vai estar nas lojas até o Natal.

 

Tentando engrenar carreira solo, Dado Villa-Lobos, remanescente da Banda Legião Urbana, terminou de gravar por estes dias o seu primeiro CD solo do qual Chico Buarque participa na faixa “Em Natureza”.

 

Lançamento da independente Tratore, já está à venda o CD de estréia do compositor e cantor Hugo Casarini. O cara tem boa pinta, mas o trabalho soa indeciso e a voz grave mal trabalhada compromete o trabalho que conta com as participações especiais do guitarrista Edgard Scandurra e da cantora Joanna, totalmente deslocada na faixa “A banca do distinto” (de Billy Blanco). Entre inéditas insossas, há regravações pouco inspiradas de “Comeu” (de Caetano Veloso) e de “O que” (de Arnaldo Antunes). O melhor momento do CD fica com a romântica e autoral “Tarde”.

 

De volta à EMI, gravadora pela qual registrou, nos anos 70, a fase mais criativa de seu trabalho, Ivan Lins lança, em breve, CD do qual consta os melhores momentos do show realizado, no mês passado, no Teatro de Arena (RJ). Trazendo, em sua maioria, regravações de diversos hits, o disco apresenta ainda duas canções inéditas: o samba “Porta Entreaberta” e a canção “O tempo guardou você”, além das participações especiais de Simone, Jorge Vercilo e Zizi Possi.


* Rubens Lisboa é cantor e compositor

Críticas e sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail rubens@infonet.com.br.

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