“Musicalidade”, por Rubens Lisboa

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L A N Ç A M E N T O

 

Cantor: George Israel

CD: “Quatro Letras”

Gravadora: Universal

 

Um dos três integrantes da Banda Kid Abelha, o violonista e saxofonista George Israel lança CD solo, assim como a colega Paula Toller já havia feito em 1998. A diferença é que o CD de Paula fez diferença (com o perdão do trocadilho), o que não acontece agora com o disco de George. Não que seja um trabalho ruim, mas resulta mediano e a culpa não é da produção (caprichadíssima!) nem da voz do cantor (que canta direitinho!).

 

O problema é do repertório, uma seqüência de canções de autoria de George, a maioria delas pouco inspiradas. Até que algumas letras se salvam, mas as melodias soam sem força para se tornarem sucessos de execução. Os melhores momentos são “Tentação”, “Nós” e “Você me olha”. Há três parcerias inéditas com Cazuza, retiradas de seu baú infindável, mas nenhuma delas denota o talento registrado na fase áurea do poeta.

 

Com canções nitidamente influenciadas pela banda Barão Vermelho (“Cura na Ferida”), por Erasmo Carlos (“Hoje”) e pela própria Kid Abelha (que poderia perfeitamente registrar “Se Eu Não Vejo a Lua” em seu repertório pop adocicado), George Israel deixa a certeza de que poderia ter mostrado mais…

 

N O V I D A D E S

 

·                     Para quem curte o velho e bom blues, um CD que não pode passar em branco é o “Destilado ‘n’ Blues”, de Sérgio Duarte & Entidade Joe, recém-lançado pela independente Tratore. São doze faixas de uma bela viagem, embalada pelo som de uma gaita mágica. É verdade que as letras são bobinhas, quase infantis, mas o som é muito bem feito. A faixa-título é a melhor de todas, mas “Amnésia” e “Só Amor” também se destacam.

 

·                     Nervoso, baterista do  grupo “Acabou la Tequila”, acaba de lançar seu primeiro álbum, após a estréia, ano passado, com um EP contendo sete músicas. Intitulado de “Saudade das Minhas Lembranças”, o CD vem com uma sonoridade predominantemente roqueira, com forte influência da Jovem Guarda. As canções (todas autorais) se não são fantásticas, também não chegam a comprometer. Na faixa “Mais Justo”, há a participação vocal de Rodrigo Amarante, integrante do “Los Hermanos”, banda, aliás, que também marca fortemente o trabalho de Nervoso. Os destaques são: “O Mala”, “A Visita”, “O Percurso” e “Já Desmanchei minha Relação”.

 

 

·                     Já nas lojas, o segundo CD de Karine Alexandrino que sai com o estranhíssimo título de “Querem Acabar Comigo, Roberto!”. É um daqueles discos inclassificáveis: se você gosta de melodias assimiláveis e letras entendíveis, fuja, porque não vai encontrar nada disso! Se, porém, curte um som alternativo e indefinido, vá em frente! A maioria das canções é de autoria da própria Karine que tem voz pequena mas bem colocada e agradável, o que fica claro na regravação de “Dio Come Ti Amo”. A melhor faixa é “Loca Pos Ti”, mas o surpreendente registro da bonitinha mas ordinária “O Elefante”, hit do repertório de Robertinho do Recife, também se faz destaque num trabalho que o pecado maior reside na homogeneidade criativa.

 

·                     Sai até o final deste mês o segundo CD da cantora Patrícia Ahmaral, intitulado “Vitrola Alquimista”. A mineira, que foi revelada em 1999 através de um ótimo disco de estréia produzido por Zeca Baleiro, desta vez ganhou inéditas de Fernanda Takai (“Palavras Sorteadas”) e de Suely Mesquita (“Líquida”), mas também traz regravações: “S.O.S.” (de Raul Seixas), por exemplo, é uma delas.

 

 

·                     Descontente com a gravadora EMI que o tinha contratado com a promessa de investir pesado em sua carreira, Pedro Mariano conseguiu a liberação das fitas já gravadas e batalha agora o lançamento do novo trabalho através de outra gravadora. Além da faixa “A Medida da Paixão” (que faz parte da trilha da novela global “Senhora do Destino”), que certamente integrará o CD, o filho de Elis Regina ganhou uma canção inédita de Frejat intitulada “Três Moedas”.

 

·                     Prestes a entrar em estúdio para dar início às gravações de seu novo CD que será produzido pelo pernambucano Lenine, a paraibana arretada Elba Ramalho tem ainda planos de registrar em CD e DVD o show que atualmente vem percorrendo o Brasil ao lado do grande sanfoneiro Dominguinhos.

 

 

·                     E por falar em Lenine, o trabalho que o pernambucano gravou ao vivo em Paris deverá chegar às lojas ainda este ano e será distribuído pela BMG. Entre algumas regravações (“Rosebud”, “Virou Areia” e “Relampiano”), a idéia foi concentrar as músicas inéditas no CD, deixando para o DVD (que sairá logo em seguida) os sucessos já conhecidos. Há parcerias com Arnaldo Antunes (“Sentimental”), Ivan Santos (“Do It”), Carlos Rennó (“Vivo”), Dudu Falcão (“Anna e Eu”) e Bráulio Tavares (“Caribenha Nação”).

 

Á L B U M  A T E M P O R A L

 

Lançado originalmente em 1981, “Fantasia” é, sem dúvida, o melhor disco da irregular discografia de Gal Costa. No auge de sua carreira, a baiana mesclou inéditas à época (“Açaí”, de Djavan, e “Estrela, Estrela”, de Vítor Ramil) com regravações (“Canta, Brasil”, de David Nasser e Alcir Pires Vermelho, e “Massa Real”, de Caetano Veloso) e, embalada pelo estouro do frevo “Festa do Interior” (de Moraes Moreira), conseguiu alçar-se definitivamente ao posto de uma das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos.

 

* Rubens Lisboa é compositor e cantor

 

Quaisquer críticas e/ou sugestões serão bem-vindas e poderão ser enviadas para o e-mail: rubens@infonet.com.br

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