Na rede: especialistas alertam para regras de etiqueta

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Foto: Ilustração/SXC.HU

“Publicar fotos de biquíni, marcar os amigos em fotos inapropriadas e feias, reclamações exageradas, principalmente sobre política e religião, repassar notícias falsas ou grosseiras, são atitudes comuns nas redes sociais. Esse tipo de publicação pode comprometer a credibilidade do usuário e até mesmo por seu emprego em risco”.

O alerta é da Relações Públicas e Consultora de Etiqueta, Denise Rambo. De acordo com Denise, a rede social expõe o usuário, já que nela encontram-se pessoas de diversos níveis de amizade. “A rede é eclética, tem o chefe, os colegas de trabalho, os amigos mais chegados e os menos chegados e até pessoas que tem pouca afeição. Por isso, algumas coisas devem ser evitadas”, diz.

Ainda segundo a consultora, uma das premissas básicas de comportamento na sociedade virtual são o respeito e a consideração ao próximo. “O usuário deve tomar cuidado para não ser desagradável, pedante, preconceituoso, mal educado e não compartilhar algo indevido, indo na onda de grosseiros e vândalos. Digo ainda mais, denunciar o que acha deplorável para quê, o que te agride ou agride a outrem, seja retirado da internet”, entende.

Denise Rambo

Foi o que aconteceu com o motorista Hiran Silva, quando convidou um colega de trabalho para um fim de semana em sua casa. O momento foi filmado pelo convidado, que compartilhou o vídeo em sua página no Facebook. A atitude não agradou o motorista que, irritado, pediu que o vídeo fosse retirado. “Eu fiquei sabendo do vídeo porque uma amiga em comum me falou. Não tenho rede social porque não gosto da exposição. Eu pedi e ele retirou o vídeo”, conta.

Já a jornalista Ana Paula Viana é usuária do Facebook, mas salienta que não costuma expor sua intimidade, sua profissão, tampouco o seu ambiente de trabalho. “Não costumo colocar o passo a passo da minha vida. Nas minhas publicações no faceboopk, costumo publicar coisas mais leves, que acho legais e momentos que traduzam a minha alegria, o meu bem estar. Mas nada que fale da minha rotina, como vivo, o que ando fazendo, o que tenho, o que compro ou que deixo de comprar”, relata a jornalista, ao destacar que possui alguns poucos amigos que fazem da página o seu diário.

A jornalista Ana Paula Viana 

Sem se preocupar com a opinião alheia, Ednilson Carvalho diz que entende que sua rede social é para publicar momentos de sua vida que considera felizes. Para ele, as publicações não expõem sua vida. “Eu sei que temos que ter alguns cuidados, mas não me preocupo com a opinião dos outros e publico o que tenho vontade”, entende.

Publico, logo existo

Para o Especialista em Comunicação Interativa e professor, Laert Yamazaki, a exposição desenfreada dos usuários nas redes sociais pode prejudicar sua imagem pessoal, na maioria dos casos.

Ele explica: “Há os que publicam e, de forma consciente, sabem dos riscos que correm ao expor determinados aspectos de suas vidas e os que não possuem essa consciência. Estes últimos são, sem sombra de dúvidas, a maioria”, compara.

O professor articula ainda, sobre o misto de sentimentos vividos pelos indivíduos. “Vivemos em uma sociedade atormentada pela insatisfação e ansiedade. Essas sensações são potencializadas quando comparamos nossas vidas com a vida de outras pessoas nas redes, que projetam em suas publicações um cotidiano extremamente feliz, uma intelectualidade privilegiada e uma beleza constante mesmo com a ação implacável do tempo. Um tipo de adolescência virtual permanente”, diz.

Especialista em Comunicação Interativa e professor, Laert Yamazaki

Ser visto e lembrado

Para Yamazaki a exposição demasiada nas redes sociais, “representa uma demanda por atenção, por consequência do vazio interior que requer uma identidade conferida de fora: as outras pessoas me enxergam e por isso tenho a certeza da minha existência. Assim, para atender a essa sensação de pertencimento à um grupo, ser aceito por seus pares e fugir da trágica consciência de sua finitude, as pessoas expõem suas vidas (reais ou fictícias) na busca pela própria afirmação sem se preocupar com os problemas que isso pode gerar. Parece uma visão pessimista das redes. Mas essa desorientação é fruto da nossa vida corrida moderna”, conclui.

A professora Leila Luiza Gonçalves não possui rede social. Para ela a ferramenta é inútil e expõe a individualidade de forma desnecessária. “Os motivos pelos quais não possuo rede social é pela falta de tempo para alimentar e de estar sempre em contato com as pessoas. Além disso, há também a questão da invasão de privacidade, que acontece muito, a exemplo da falta de bom senso em relação ao uso. Por isso, prefiro não possuir rede social para não ter problemas”, explica.

"Publico o que quero", diz Edenilson

Conheça os tipos de posts que podem atrapalhar sua vida profissional e pessoal

Com a ajuda de especialistas, de Denise Rambo, o Portal Infonet criou uma lista com algumas atitudes que o usuário deve evitar em suas redes sociais, para preservar sua vida pessoal e o seu relacionamento com os colegas de trabalho. Confira:

Publicar fotos sensuais

Existem alguns tipos de post´s que atrapalham a vida profissional, entre elas está o de postar fotos sensuais.

No trabalho

Evitar falar mal dos colegas ou da empresa, assuntos sigilosos e nada no horário do expediente. Exemplo: “chega meia noite, mas não dá 18h”.

Repassar notícias falsas ou grosserias

Os cuidados devem ser redobrados com os compartilhamentos de cunho racista e grosseiros. As correntes devem ser passadas somente quando você sabe que o seu amigo compartilha de suas convicções.

Não relatar momentos da vida como um diário

Evitar postar exageradamente suas alimentações, viagens e ostentações.

Segurança

Evite ativar a sua localização, pois o mal intencionado irá saber os lugares que você frequenta ou rotina da sua família.

Nota de falecimento

Não curta um comentário de falecimento ou desgraça. Se desejar faça um comentário, curtir é gostar e não apoiar.

Seja útil

Se você oferecer informações úteis, terá mais chance de conquistar seus amigos. Evite a autopromoção. No repasse de informações recebidas, lembre-se de anunciar a fonte e o crédito.

Não seja chato

Ser um chato on-line é aquele que insiste, solicitando comentários ou de links para o seu conteúdo, pedindo para jogar ou repassar correntes. Seja responsável, gentil e humilde.

Por Eliene Andrade

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