Número de fiscais do Ministério da Agricultura em Sergipe é insuficiente

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Para executar uma inspeção satisfatória, a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura em Sergipe necessitaria de mais 30 fiscais. Essa é análise que faz o superintendente substituto do órgão no Estado, o engenheiro agrônomo Naum de Araújo, que ocupa desde o mês passado. Em entrevista ao Portal Infonet, ele aponta ainda o avanço da clandestinidade na produção de mudas de citros e ilegalidade na comercialização de rações animais.

Naum de Araújo
Portal Infonet – Como está a fiscalização em Sergipe, a quantidade de fiscais é suficiente?
Naum de Araújo – Em número de fiscais de nível superior, médicos veterinários, engenheiros agrônomos e químicos nós temos 20, de nível médio uns oito, esse número não é suficiente para a gente executar nossas atividades aqui no Estado. Isso porque nossa atividade aqui é muito ampla. Nós fiscalizamos a inspeção animal e vegetal e seus derivados e toda ração para animais, além dos produtos veterinários e de todo o adubo vendido no Estado de Sergipe. Fiscalizamos nossas indústrias que produzem leite com SIF (Serviço de Inspeção Federal), fiscalizamos indústrias de carne, no caso são duas. Nosso leque de trabalho é muito amplo, desde a semente que o agricultor coloca na terra ao que você encontra no supermercado geralmente tem a fiscalização do Ministério da Agricultura.

Infonet – Então são apenas 28 fiscais, qual seria o número suficiente?
NA – Nós temos estudos que indica que precisaríamos de mais uns dez de nível médio e uns vinte de nível superior. Este seria um número suficiente para que todo o Estado tivesse uma inspeção que funcionasse a contento. 

Infonet – Com esse número reduzido de fiscais, corre o risco de falhas na inspeção e produtos chegarem ao consumidor com adulteração?
NA – O risco corre. Se eu tivesse 100, 200 corria risco do mesmo jeito. Fiscalização nunca é perfeita, nunca é 100%, mas apesar de ter o número de fiscais muito pequeno nós temos feito um trabalho que temos encontrado algumas inconformidades, temos multado, a coisa vem melhorando muito. Estamos com um grande problema hoje no Estado que é o caso de mudas clandestinas de citros. Porque Sergipe é um padrão na produção desse tipo de muda. Há cinco anos trabalhando juntamente com o Governo do Estado conseguimos fazer a mesma coisa que São Paulo, produzir mudas isentas de pragas e doenças, então são mudas feitas em viveiros telados (viveiros cobertor). Temos visto que tem crescido os clandestinos, porque é aquele que não é registrado no Ministério, aquele que a semente e a borbulha que enxerta para dar qualidade a laranja pêra não tem procedência. A fiscalização nesse sentido tem dado trabalho.

“Fiscalização nunca é perfeita”
Infonet – Qual o maior problema hoje encontrado pelos fiscais do Ministério da Agricultura em Sergipe?
NA – Alguns municípios estão com problemas de ração animal. Estão fraudando muito ração para animal, principalmente para aves. Toda ração tem um padrão de qualidade tem que ter a proteína necessária, aminoácidos e a gente tem encontrado muitos clandestinos e isso vem dando um trabalho ao Ministério da Agricultura.

Infonet – O consumidor final corre risco no caso da clandestinidade da ração animal?
NA – Corre sim. Na hora que você compra uma ração de engorda para galinha, uma ração para engorda do bovino para produzir mais leite de uma vaca, que não está dentro do padrão de qualidade, o risco existe.

Infonet – O sergipano pode beber um leite produzido aqui em Sergipe de forma tranqüila?
NA – Olha até o momento, a população pode tomar o leite produzido em Sergipe com tranqüilidade. Nos produzimos um leite Tipo C. Este leite é levado para quatro industrias que fica em Canindé, em Propriá, em Glória e uma em Arauá tem o SIF. Temos também um posto de resfriamento em Carira e um em Poço Verde. Então nesses seis estabelecimentos esse leite tem conformidade, porque tem inspeção do Ministério da Agricultura.

Por Paulo Rolemberg

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