O8 Anos de Inauguração da Ponte Aracaju- Barra

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Ponte Aracaju-Barra 

De um lado a população barracoqueirense emocionada pela realização de um grande  sonho:  A PONTE CHEGOU!  Ao mesmo tempo impactada com tamanha obra nunca vista ao vivo e em cores,  digam-se de passagem, mais restos de construções do que cores! Mas, isso não importava afinal A PONTE CHEGOU! E viva Santa Luzia!  

Não importavam os pés queimando  com o asfalto ainda quente que estava sendo aplicado naquele momento; 

Não importava  o chinelo  repleto de piche  (Substância negra, resinosa, pegajosa, obtida da destilação do alcatrão ou da terebintina. Serve para impermeabilizar superfícies) que  grudava enquanto caminhavam. Eram gritos de viva!  De dor!!! dos pés queimando e de alegria por estar ali.  O descerramento da placa foi feito, quando o povo já havia invadido o local. Mas isso também não importava! A população estava frenética.  Delirava, sonhava, estava entusiasmada. Eu também estava lá. Não perderia aquilo por nada! 

Do outro lado a população aracajuana que não conseguiam invadir a ponte por conta do policiamento que se encontrava barrando a passagem do povo e dos carros de propaganda  que já se observava nas proximidades do local o movimento de mini-trios e carros tocando o ‘jingle’ das campanhas eleitoreiras que estacionaram por ali para colocar um “som ambiente”. Além disso, milhares de populares usavam roupas alusivas à campanha. Mais isso não importava, Afinal A PONTE CHEGOU! E viva Santa Luzia! 

Mesmo sem  a  devida  ‘autorização’, populares  ‘invadiram’ a  ponte na noite daquele domingo de 24/09/2006 e realizaram uma caminhada frenética, alheios aos perigos, por exemplo, da falta de mureta em alguns trechos.  Crianças, idosos, homens e mulheres se concentraram durante os 15 minutos de queima de fogos de artifício nas proximidades da obra. Uma comissão de engenheiros, analisou e concluiu que a obra estava pronta e poderia ser inaugurada. 

Nada importava naquele momento, nem que a Justiça Federal alegava que a inauguração estaria sendo utilizada para fins eleitorais, até por que não havia urgência na inauguração da obra e que, segundo as informações obtidas, a ponte só estaria operacional no próximo ano (2007).

Bom, como eu disse nada importava naquele momento! Até por que há muitos anos já se falavam que a ponte seria construída. Mas quem autorizaria a construção? E por que autorizaria? A quem beneficiaria?  Quais os impactos
ambientais, estruturais e sociais? O assunto sempre era debatido nas mesas de bares, nos momentos das grandes chuvas e ventanias que ameaçavam a virada das tó tó tós (nunca virou!), quando as passagens das lanchas sofriam aumento (sem aviso prévio), quando uma mulher entrava em trabalho de parto em pleno meio do rio  (na madrugada) ou ainda durante as  tradicionais procissões do Bom Jesus dos Navegantes (com a ponte isso acaba?) e por fim após a procissão da padroeira da cidade Santa Luzia em que milhares de pessoas precisavam retornar à Aracaju e as lanchas  não davam conta da demanda em tempo satisfatório.  

De acordo com o  Relatório de Impacto Ambiental  –  Ponte sobre o Rio Sergipe(2004) – elaborado pelo DER//SE –– SEINFRA:

1) A Ponte sobre o Rio Sergipe trará benefícios à Aracaju e a cidade de Barra dos Coqueiros do ponto de vista urbano e ainda a Pirambu e demais cidades litorâneas no Norte do Estado; 
2) A Ponte do Rio Sergipe será integrada à malha viária envolvendo
diretamente a Ponte de Nossa Senhora do Socorro, ampliando de modo substancial o sistema de transporte da Grande Aracaju, trazendo conforto para as comunidades envolvidas; 
3) A escolha do local da Ponte, isto é, o estudo de alternativas locacionais, também levou em consideração o sistema de transporte de Aracaju, além de critérios de geotécnica e engenharia do ponto de vista civil e ambiental. Foi escolhido o local menos impactante;
4) A Ponte durante sua operação, poderá gerar impactos ambientais que serão minimizados e por ser construída sobre pilotis, o Rio Sergipe não será afetado negativamente; Os impactos na fase de construção são localizados, temporários e reversíveis,
portando de pouca significância.
5) Um significativo impacto positivo poderá ser o saneamento ambiental da cidade Barra dos Coqueiros, hoje isenta de saneamento básico, tendo por exemplo, o abastecimento de água ameaçado pela cunha salina e sem possuir
ainda um  sistema de Gestão de Resíduos Sólidos. Como a Ponte é também uma ponte de serviços está previsto uma adutora para transportar água potável do DESO para a cidade;
6) Desenvolvimento turístico da região Norte do Estado de Sergipe de modo sustentável;
7) A Ponte é um elo desenvolvimentista que liga a porção à Oeste do Rio Sergipe à porção Leste, isto é, dá acesso para uma grande parte dos sergipanos de forma rápida e segura ao Litoral Norte, caracterizado por ecossistemas de rara beleza.
8) Uma análise econômica mais rigorosa e com um maior nível de detalhamento demonstra de modo inequívoco que a Ponte sobre o Rio Sergipe, promoverá o desenvolvimento do Litoral Norte que hoje se encontra inexplorado, com o necessário e requerido crescimento econômico da região, com a qualidade de vida que aquela comunidade há muito tempo deseja;
9) Aumento significativo da movimentação de cargas utilizando o Terminal Marítimo Inácio Barbosa, gerando riquezas por intermédio da importação e exportação de insumos e produtos.

E concluíram: “Como dizia um dos maiores pensadores da civilização ocidental, Sir Isaac Newton, as pontes são  elos  entre as comunidades trazendo benefícios para todos. A  humanidade deveria envidar mais esforços na construção de pontes, evitando a construção de muros”. E agora, como o povo está? Houve melhoria da qualidadede vida daquela população? Houve inclusão?  Houve saneamento básico na Barra dos Coqueiros?  E os coqueiros arrebatados serviram para o desenvolvimento turístico da região Norte do Estado de Sergipe de modo sustentável? Como se explica a Barra dos coqueiros despontar no ranque da iolência do Estado?

Bem, “Faz de conta que ainda é cêdo…Tudo vai ficar por conta da emoção!“ 
Sandra de sá

Miraci Correia
Professora Universitária; Mestranda em Sociologia/UFS e Assistente Social.

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