
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB-SE) divulgou uma nota pública manifestando solidariedade à procuradora da República Gisele Bleggi Cunha, integrante do Ministério Público Federal (MPF), que recebeu ataques e comentários ofensivos nas redes sociais. A procuradora apareceu em um vídeo institucional gravado após o Seminário Regional de Licenciamento Ambiental, realizado no município de Propriá, na região do Baixo São Francisco.
O conteúdo repercutiu nas redes sociais e passou a receber diversos comentários direcionados à procuradora. Em nota, a OAB-SE classificou parte das manifestações como misóginas e afirmou que houve mensagens em tom de ameaça.
A procuradora havia palestrado sobre legislação ambiental e responsabilidades administrativas relacionadas ao licenciamento de empreendimentos, tema de interesse público. No entanto, segundo a OAB/SE, o conteúdo acabou sendo distorcido nas redes sociais e passou a ser utilizado como espaço para ataques pessoais. Diante da repercussão, a entidade afirmou que acompanha com preocupação as manifestações, ressaltando que, embora críticas a ideias e posicionamentos façam parte do ambiente democrático, o episódio ultrapassou os limites da liberdade de expressão.
No vídeo que circulou nas redes sociais, o prefeito da cidade aparece ao lado da representante do MPF, agradecendo sua participação e destacando a importância da pauta ambiental para a região, especialmente pela localização ribeirinha do município.
Durante sua fala no evento, Gisele Cunha ressaltou a necessidade de que os municípios cumpram as normas ambientais nos processos de licenciamento, além da importância da preservação da vegetação, da proteção dos recursos hídricos e do combate à poluição.
Após a circulação do vídeo, porém, o conteúdo passou a receber comentários direcionados à aparência da procuradora. Em nota, a OAB-SE destacou que as redes sociais não devem ser tratadas como um espaço sem responsabilidade jurídica e que ataques pessoais direcionados a mulheres em cargos públicos configuram uma forma de violência que não pode ser naturalizada.
Por Aline Souto e Verlane Estácio com informações da OAB/SE
