Operação Valquíria: juíza remarca audiência

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Policiais militares aguardam audiência (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Foi remarcada para o mês de setembro a audiência de instrução e julgamento que ouviria as testemunhas de acusação referente ao processo judicial decorrente da Operação Valquíria, articulada pela Polícia Civil que desmontou uma suposta quadrilha, formada por mais de 40 pessoas, que atuavam no tráfico de drogas, na prática de homicídios, lavagem de dinheiro, agiotagem, estelionato e roubo de cargas e receptação de mercadorias roubadas.

A audiência ficou prejudicada conforme esclarecimentos da juíza Lidiane Andrade, da 4ª Vara Criminal, devido à ausência do réu Adelvan Oliveira Cunha, preso em Feira de Santana, no Estado da Bahia. O advogado insistiu na presença do réu e a audiência acabou sendo remarcada para setembro deste ano. O processo foi desmembrado. No primeiro estão arrolados nove réus e no segundo 37.

A audiência, que ocorreria nesta segunda-feira, 28, no Fórum Gumercindo Bessa, mobilizou um forte esquema policial para a apresentação dos réus, muitos presos nos complexos de São Cristovão, Nossa Senhora da Glória, Aracaju e também no presídio feminino em Nossa Senhora do Socorro. De acordo com informações da equipe da PM, foram mobilizados cerca de 80 homens distribuídos em 12 viaturas para transportar os réus à 4ª Vara Criminal, em Aracaju.

Jairson da Graça: defesa na ausência de advogados privados

A juíza Lidiane Andrade, titular da 4ª Vara Criminal, proibiu a permanência da imprensa no auditório onde a audiência seria realizada. Ao receber reclamações de parentes de réus que estavam do lado de fora do auditório e se revelaram incomodados com a presença da jornalista, um policial militar chegou a exigir que a equipe de reportagem do Portal Infonet se retirasse do fórum, esquecendo que aquele, assim como os demais tribunais, se constituem como local público.

O PM não obteve êxito, a equipe do Portal Infonet permaneceu no fórum e teve acesso à denúncia feita pelo Ministério Público Estadual na qual consta a suposta atuação de cada membro da quadrilha. A grande maioria dos réus constituiu advogado privado e outros estão sendo atendidos pela defensoria pública.

Uma mulher, que se recusou a se identificar, ameaçou processar o Portal Infonet caso alguma fotografia dos acusados fosse publicada e disse que naquele local estavam pais de família e que na parte externa estavam familiares chorando. Mas nenhum deles se prontificou a conceder entrevista sobre as denúncias reveladas pelo Ministério Público Estadual a partir das investigações da polícia.

Policiais conduzindo réus presos

O defensor público Jairson da Graça, que está atuando na defesa de quatro réus, informou que todos os réus negam participação na associação criminosa, que foi descoberta a partir de uma investigação sigilosa iniciada no segundo semestre do ano de 2012 pela polícia civil sergipana, destinada a elucidar dois homicídios, tendo como vítimas dois homens conhecidos como Givaldo e Medrade.

A partir da quebra do sigilo telefônico, a polícia constatou a atuação da associação criminosa em vários estados brasileiros. Um dos réus está foragido. Na audiência, este réu foi representado pelo advogado Evaldo Campos, que se habilitou no processo nesta segunda-feira para defender José Adelmo Barbosa, acusado de ser “o homem de forte poderio financeiro que comandava o roubo de cargas, jogo do bicho, pistolagem e financiava o tráfico de drogas da organização criminosa”, conforme a denúncia do MPE.

Conheça, a seguir, a participação dos principais integrantes da quadrilha, segundo a ótica do Ministério Público Estadual. Todas as informações destacadas estão contidas na denúncia promovida por uma equipe de promotores de justiça com data de 30 de outubro de 2013.

1) Adelvan Oliveira Cunha, conhecido como Pretinha ou Sem Futuro – financiador e investidor do tráfico realizado pela organização, envolvido com homicídios, roubo de carga em rodovias brasileiras e corrupção de menores

2) Ademir Gois Oliveira, conhecido como Galeguinho – chefe da organização criminosa responsável pela remessa de grande quantidade de droga oriunda de São Paulo (cocaína, crack e maconha prensada)

3) Aduilson Gois Oliveira – irmão de Ademir, responsável por adquirir grande quantidade de droga para repassar para outros integrantes da associação criminosa e comercializava droga dentro de presídio

4) Alberto Farias Bispo, conhecido como Cláudio Celular – recebia os produtos roubados pelo bando de Zoião e os comercializava na cidade de Itabaiana

5) Ana Carla Santos Oliveira, conhecida como Cunhada, casada com Aduilson – operava como auxiliar do tráfico, intermediava a comercialização de drogas e fazia cobrança a traficantes devedores

6) Carlos Eduardo da Cunha, conhecido como Galego da Branca – sócio cotista da banca do jogo do bicho e atuava na agiotagem para financiar o tráfico

7) Damião Tavares de Mendonça, o Tchuck – atuava na prática de homicídios e negociava armas, envolvido no assassinato de Ítalo Klisman Tavares Amaral, assassinado a tiros em Itabaiana no dia 15 de março de 2013

8) David Wynne Messia, o Cabal – recebia parte dos carregamentos da droga enviada por Ademir

9) Demilson Ferreira da Cunha, o Lourinho – envolvimento em ações para arrecadar fundos para manter o tráfico, movimentando as contas bancárias da esposa e do irmão relacionadas ao dinheiro ilícito, que serviu para libertar os pistoleiros João Batista, de Siri, de Adelvan e também para financiar o assassinato de Jardel

10) Edivaldo Alves da Cunha, o Vado ou Lodento – atuava na agiotagem, estelionato, receptação, lavagem de dinheiro, associação e financiamento ao tráfico de drogas. Comerciante de produtos de origem duvidosa, Edivaldo tinha prestígio em Itabaiana e aproveitava disto para receber informações privilegiadas de servidores públicos

11) Edmilson Souza Cunha – suposto pistoleiro contratado por Thcurran para assassinar Moisés dos Santos, morto no dia 18 de janeiro de 2013 em Areia Branca

12) Herivelton Silva, conhecido como Siri, Veto ou Canela de
Burro – atuava na prática de homicídios para a organização criminosa

13) Íris Michele da Silva Brito Cunha – esposa de Edivaldo, o Vado ou Lodento, operava auxiliando a gerência da agiotagem e da loja do marido, comercializando produtos importados

14) Jamyson de Andrade Sampaio, o Negão – preso em flagrante em Cristinápolis no dia primeiro de dezembro de 2012 com 54 quilos de crack; atuava como braço direito de Ademir, acusado de falsificar documentos e estava recebendo treinamento para substituir Nailson, um dos líderes do bando já falecido

15) Jemilson Luiz dos Santos, o Cacau – gerente de negócios do traficante identificado como Givanilson

16) João Batista Leite de Andrade – dedicado à prática de homicídios, flagrado em Itabaiana por porte ilegal de arma

17) José Adelmo Barbosa Trindade, conhecido como Seu
Barriga – tinha forte poderio financeiro e comandava o roubo de cargas, jogo do bicho, pistolagem e financiava o tráfico de drogas

18) Eliane Gomes da Silva – agia juntamente com o marido, David Wynne, recebendo os carregamentos de droga enviados por Ademir

19) Evandro Santana Rocha, o Tchurran – traficante que atuava na região de Campo do Brito

20) Gilvan Tavares da Cunha – atuação no roubo de cargas e intermediando receptadores na região Norte do país e tráfico de influência para favorecer integrantes da organização criminosa nos casos de prisão e repassando informações privilegiadas

21) Givaldo Teles da Silva Júnior, o Juninho Funileiro – atuava na pistolagem, tráfico, agiotagem e roubo de cargas em rodovias brasileiras e tinha condutas para tentar lavar o dinheiro oriundo do tráfico e envolvido na morte de Ítalo Klisman Tavares Amaral, assassinado a tiros em Itabaiana no dia 15 de março de 2013

22) Helenilson Ferreira da Cunha, o Xexéu – disponibilizava a conta bancária pessoal para que fosse movimentada pela organização sob o comando de Marquinhos Uréia e do irmão conhecido como Lourinho, além de fazer cobranças, atuava na pistolagem e roubo de carga

23) Hélio Aparecido Delpech Júnior, o Júnior – foi cooptado por Admir para integrar o grupo para atuar como intermediador no tráfico, apresentando novos fornecedores de drogas. Ele conseguiu o endereço de Francisco Jardel de Andrade Silva, assassinado pela quadrilha na cidade de Anápolis, no Estado de Goiás

24) Herílio de Lima Cunha – dedicado à prática de homicídio e comércio de drogas

25) José Aldo Almeida Mota, conhecido como Luiz, Roberto ou
Gago – um dos líderes e mentores da quadrilha, usava documento falso em nome de Luiz Airton Fernandes e atuava para fomentar o tráfico, emprestando dinheiro e realizando negócios com Ademir e morava na Bahia. Genro de Maurício Chapéu de Couro, Aldo repassou os bens para a esposa, Maria Mônica, para os filhos e também para empresas, que funcionavam como laranjas

26) José Augusto Alves de Andrade, o Galego, Mago ou Zé
Augusto de Jacó – recepcionava o carregamento de droga encaminhado por Ademir e acusado de participar do assassinato de Marcelo Moto Taxi

27) José Edmilson de Almeida Mota, o Nem de Tonho de
Glória ou Careca – representava a figura central no ramo da agiotagem, atividade que era o braço financeiro da organização criminosa, tinha influência, relacionava-se bem com várias autoridades públicas, emprestava dinheiro a estas autoridades e recebia favores. Acumula um débito de R$ 1,6 milhão junto à Receita Federal

28) José Graziane Menezes Mecenas, o Naninho – gerente operacional da organização criminosa, conferindo valores e negociando a droga com traficantes clientes

29) José Márcio Nunes Santos, o Binho – preso em flagrante no dia 17 de março de 2013 com dez quilos de crack, acusado de receber a droga enviada por Ademir

30) José Marcos da Silva, o Bizu – cunhado de Edimilson e atuava na prática de homicídios para a organização criminosa

31) Luciano de Souza Santos – preso em flagrante no dia 3 de março de 2013, com 36,95 quilos de maconha

32) Luiz Carlos Oliveria dos Santos, o Buiú, identificado
também como João dos Santos Filho e Carlos dos Santos Gama e Pedro – atuava diretamente no roubo de carga em várias regiões do país

33) Marcos Mota Clemente, o Marquinhos Uréia – sobrinho de Nem de Tonho de Glória, atuante na agiotagem e seria uma espécie de gerente do tio, fazendo cobranças e ameaçando os devedores, atuando também como financiador do tráfico, trocou um imóvel avaliado em R$ 130 mil por 16 quilos de drogas

34) Maria Mônica Barreto Novais – filha de Chapéu de Couro e assumiu os negócios criminosos assim que o marido, José Aldo, foi parar na prisão e usava o nome dos filhos para abrir contas bancárias e movimentar a renda dos negócios ilícitos

35) Maurício Guedes, o Maurício Chapéu de Couro que faleceu
em um hospital privado em Aracaju – atuava na contravenção do jogo do bicho e no esquema de agiotagem desta organização criminosa

36) Maysa Santos Costa – esposa de Adelvan, atuava como suporte do marido no tráfico, prática de homicídios, lavagem de dinheiro e roubo de carga

37) Mônica Oliveira Cunha – também auxiliava o irmão, Adelvan, na prática de homicídios, receptação, fraude em licitações e lavagem de dinheiro e permitia que o filho atuasse na organização criminosa junto com Adelvan

38) Roberta Santos, esposa de José Márcio e o auxiliava no tráfico com participação mais efetiva na organização depois da prisão do marido

39) Wagner Oliveira da Cunha, o Xaropinho ou Waguinho de
Rolopéu – atuava como gerente financeiro de Ademir

Por Cássia Santana

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