Operação Valquíria: juízes ouvem agentes e delegados

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Operação Valquíria: audiência mobiliza policiais (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Teve prosseguimento nesta segunda-feira, 15, a audiência de instrução e julgamento do processo relacionado à Operação Valquíria desencadeada pela Polícia Civil que culminou com a prisão de dezenas de pessoas acusadas de integrar um suposto esquema criminoso, que envolve tráfico de drogas, homicídios, lavagem de dinheiro, agiotagem, estelionato e roubo de cargas e receptação de mercadorias roubadas.

O processo foi desmembrado por determinação do juízo da 4ª Vara Criminal porque nove réus presos ficaram impossibilitados de participar da primeira audiência devido à greve dos agentes penitenciários. Nesta segunda, a audiência foi conduzida por três juízes, que ouviram o depoimento de agentes e delegados de polícia que atuaram naquela operação policial.

Os policiais e os delgados solicitaram o direito de prestar o depoimento na ausência dos réus. O advogado Evaldo Campos, que atua na defesa de dois réus, não concordou com a estratégia, mas respeitou e não pretende questionar judicialmente esta posição dos agentes e delegados. “Se agentes e delegados têm medo de falar na presença dos réus que prenderam, quem tem a confiança nestes agentes”, observa. “Mas para mim tanto faz, não me meto nisso”, observou o advogado, que trabalha com a tese de negativa de autoria.

PMs conduzindo presos, réu em outro processo

Um dos réus, Adelmo Barbosa Trindade, cliente do advogado, teve prisão decretada e é considerado foragido da justiça. “Eles dizem, mas meu cliente está ausente, não é foragido”, justifica Evaldo Campos, para quem a polícia deve efetivamente apresentar todas as provas do envolvimento dos réus na criminalidade.

A transferência dos réus que estão nos presídios para o Fórum Gumersindo Bessa mobilizou forte esquema da Polícia Militar para garantir a segurança, despertando reclamações por parte dos policiais que fazem a rotina, transferindo réus relacionados a outros processos. Os policiais, que preferem o anonimato, denuncia a precariedade nas condições de trabalho e revelam os riscos que correm nesta transferência devido à escassez de equipamentos de proteção individual. "Falta até colete balítico", comentou um PM, que preferiu o anonimato temendo represália. Na ótica destes policiais, o ideal seria disponibilizar as mesmas condições de trabalho dos policiais convocados para transportar os réus da Operação Valquíria para aqueles que desenvolvem a mesma atividade com outros réus, também considerados perigosos.

O Portal Infonet tentou ouvir o comando da Polícia Militar, mas não obteve êxito. O Portal permanece à disposição. Informações devem ser enviadas por e-mail jornalismo@infonet.com.br ou por telefone (79) 2106 – 8000.

A suposta quadrilha foi desarticulada a partir de uma investigação sigilosa iniciada no segundo semestre do ano de 2012 pela polícia civil sergipana, destinada a elucidar dois homicídios, tendo como vítimas dois homens conhecidos como Givaldo e Medrade. Devido à quantidade de réus [nove em um processo e outros 27 em outros – um deles já está morto] e de testemunhas arroladas, não há previsão para concluir as audiências de instrução e julgamento.

Por Cássia Santana

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