Padre explica a importância da Semana Santa para os católicos

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O padre Marcelo Conceição afirma que a ressurreição de Cristo é o motivo maior da fé para os católicos (Foto: Arquivo Infonet)

O domingo de Páscoa encerra uma semana de grande importância para os fiéis católicos que seguiram em oração desde o início do período da Quaresma. “Foram quarenta dias em que a igreja nos convidou a viver intensamente um período de introspecção. Essa introspecção é pautada por três realidades: o jejum, a esmola e a vivência intensa na oração. São três realidades que nos auxiliaram a domar os instintos, as paixões e aquilo que em nós excede”, explica o padre Marcelo Conceição.

Segundo o padre Marcelo, o centro de todas as celebrações é a ressurreição de Cristo. “Passados os quarenta dias, chegamos na Semana Santa e a iniciamos com o Domingo de Ramos, que chamamos de Domingo de Ramos da Paixão, justamente porque rememoramos a entrada de Jesus em Jerusalém. Saímos às ruas meditando a paixão de Cristo com esperança de dias melhores e na ressurreição, conta.

Como símbolo de fé e adoração, alguns católicos adotam o jejum como hábito da Semana Santa. “O jejum é uma forma de remediar a alma, educando a vontade. A igreja convida os fiéis a viverem o jejum e a abstinência, de modo que pessoas acima dos 14 anos são convidados à abstinência e dos 18 aos 60 são chamadas ao jejum. Ficam esquivados as gestantes e aqueles com problema de saúde que não possam fazer o jejum, porém há sempre uma modalidade que nos auxilia a nos moldarmos mais em Deus, nos voltarmos mais para o sentimento sóbrio da vida e darmos sentido a essa dinâmica na nossa vida, sentindo essa realidade em nós”, orienta ele.

O padre Marcelo reforça que, ao contrário do que ouvimos com frequência, uma das orientações feitas pela Igreja Católica não se refere ao jejum de carnes vermelhas, mas sim à proibição de comidas feitas com ‘animais de sangue quente’. “Carne suína, bovina, caprina… essas carnes de sangue quente são uma proibição porque geralmente a carne é um alimento muito prazeroso e estamos tentando mudar os prazeres, que é aquilo que em nós precisamos domar internamente. Se abster de carne é a possibilidade que nós temos de domar os instintos e vivenciar a sobriedade de modo especial dentro dessa dinâmica da expectativa da Páscoa e da vivência do sofrimento de Cristo”, explica.

Tríduo Pascal

Para a igreja católica, o Tríduo Pascal é a junção das três celebrações que antecedem a Páscoa. Revivendo o mistério da Páscoa, o período é iniciado na tarde da Quinta-Feira Santa e encerrado na Vigília Pascal, que ocorre no Sábado Santo. Como uma forte característica do Tríduo, os três dias formam uma única celebração e a benção final, que em outros períodos ocorre no final de cada uma delas, é dada somente no final da Vigília, como explica o padre Marcelo.

“O Tríduo Pascal começa na quinta-feira a tarde, com a missa da instituição da eucaristia, rememorando a última ceia de Jesus Cristo, onde Jesus pediu que celebrássemos aquele momento em memória dele. De modo especial ele institui a eucaristia, no modo pelo qual ele disse que ficaria conosco todos os dias, pois ele é o alimento que sustenta a vida na igreja… ele celebrou a primeira missa e instituiu o sacerdócio, pedindo que aqueles que ali estavam celebrassem em memória dele, pelo mandamento do amor como serviço. A atitude de lavar os pés é adotada por quem se faz servidor e se coloca disponível para amar”.

Cada celebração relembra momentos do sofrimento de Cristo e, de acordo com o padre, um dos principais sentidos da Páscoa é entender que Jesus deu a vida por seus filhos. “Na sexta feira, meditamos a experiência da paixão de Cristo, que foi todo sofrimento que ele enfrentou por nós. Oramos pela igreja, por aqueles que não creem, pelos poderes constituídos. Meditamos a paixão de cristo com a leitura da narrativa da paixão e temos o momento da comunhão e o beijo da cruz, como uma adoração ao mistério que existe nela. Beijamos o crucificado porque o trazemos para aquele momento, para que, de uma forma especial, possamos entender que Jesus entregou sua vida por nós”, esclarece.

No Sábado Santo, última celebração antes da Páscoa, os cristãos refletem a história da salvação. “É o dia em que acolhemos também os catecúmenos, aqueles que foram preparados ao longo do ano para o santo batismo, acolhidos pela igreja”, diz o padre.

Finalmente, num momento de alegria e louvor, o domingo de Páscoa representa a ressurreição de Cristo. “A Páscoa, para nós, faz sentido quando mergulhamos nessa condição de entender um Deus tao próximo e tão inserido na nossa história, que é capaz de enviar seu filho único para nos salvar. Esse é o motivo maior da nossa fé!”, afirma o padre Marcelo.

A programação das celebrações na Catedral Metropolitana de Aracaju está disponível no site da Arquidiocese.

por Juliana Melo e Verlane Estácio

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