Pandemia traz lições e pode mudar panorama da mobilidade urbana

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Com possibilidade de crescimento do home office, trânsito urbano pode ser beneficiado (Foto: Portal Infonet)

O Covid-19, o novo coronavírus, se apresenta como um dos maiores desafios já enfrentados em escala mundial. Autoridades, profissionais da saúde e da ciência, em todos os países, têm se debruçado para cuidar dos infectados e buscar soluções para conter a pandemia. E enquanto a saúde lida com o problema, outros setores vão sofrendo efeitos em cascata: da economia à mobilidade urbana.

Quem ainda precisa se deslocar pelas vias urbanas, tem percebido uma redução significativa no fluxo de veículos. Isso é consequência do isolamento social, que evidenciou o trabalho remoto (home office), medida adotada por muitas empresas e que colocou milhões de brasileiros numa nova rotina de trabalho – agora dentro de casa. Essa mesma medida também possibilitou as reduções de acidentes de trânsito, de infrações, multas e na emissão de poluentes, com menos veículos nas ruas.

Autoridades da saúde afirmam que a pandemia é passageira e, uma hora, a rotina das pessoas vai voltar ao normal. No entanto, a experiência do isolamento social e todas as mudanças que vieram com ela, trazem lições que perpetuarão num futuro próximo. Pelo menos é que já apontam algumas pesquisas. O estudo “Tendência de Marketing e Tecnologia 2020: Humanidade redefinida e os novos negócios”, coordenada por André Miceli, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica que após a pandemia, o modelo de trabalho em home office deve crescer até 30% no País. E o que esperar da mobilidade urbana para um futuro próximo?

Para o engenheiro civil e professor na área de transporte da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Joelson Hora, ainda é um momento muito especulativo, mas ele confirma que há ‘uma luz no fim do túnel’ que indique uma redução no volume de veículos nas ruas e seus consequentes benefícios. “Quando temos um trânsito menos volumoso, as pessoas conduzem com mais tranquilidade, ficam menos estressadas, se envolvem em menos acidentes, o que naturalmente reduz a necessidade de hospitalização, e ainda reduz a poluição”, frisa o professor. Mas, Joelson alerta. “A gente só precisa entender qual o perfil dessas pessoas que vão ficar em home office, se são as que realmente utilizam veículos próprios. A tendência é que sejam pessoas com um poder aquisitivo maior, dessa forma, devemos sim notar uma redução de veículos”, entende.

O professor explica que, em Aracaju, por exemplo, uma redução de 10% no trânsito em horários de pico já tem grande impacto. “Uma redução nesse percentual já dá a impressão que as pessoas estão nas praias, que só poucos estão indo trabalhar. Se chegarmos a 30%, então, teremos um impacto ainda maior”, pontua.

Se por um lado, a redução de veículos pode favorecer a mobilidade urbana, por outro, uma eventual redução dos passageiros do transporte público, como tem ocorrido durante a pandemia, afeta diretamente o setor. Para o especialista, num momento como esse não há muitas alternativas para solucionar essa crise no setor. “O setor do transporte público sofre bastante, mas outros setores também estão sofrendo. Não vejo alternativas senão queimar a ‘gordura’ que dispõe, afinal, é um momento de sacrifício e todos estão arcando com prejuízos. Lá na frente, os setores vão pensar em recuperar essas perdas”, avalia Hora.

Por Ícaro Novaes

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