“Perdi um pai, herói e amigo”

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Filho do sargento quebra o silência e fala sobre a relação com o pai Fotos: Portal Infonet
Após 15 dias do crime que abalou o Estado, o filho do sargento assassinado dentro do Quartel Central da Polícia Militar (QCG), fala pela primeira vez a imprensa. Aos 18 anos, o jovem Joselito Rodrigues Alves Júnior afirma que a morte do pai foi um choque para toda a família que não se recuperou da dor da perda. Com a emoção contida em todos os momentos da entrevista, o jovem não conseguiu esconder o sentimento de desamparo e responsabilidade que sente após a perda do pai.

“A minha maior preocupação agora é com meu irmão, um garoto de 14 anos que sente muito a falta do nosso pai. Fico imaginando que se para mim está sendo muito difícil para ele deve estar sendo muito pior. Nem acreditei quando disseram que meu pai tinha falecido. Perdemos mais que um pai, ele era nosso amigo”, relata.

Apesar da forma trágica da morte, Júnior não carrega o sentimento de ódio. “Quero apenas que a Justiça seja feita porque é muito triste você perder um pai da forma como eu e meu irmão

Júnior lembra que com a perda do pai terá que tomar conta do irmão
perdemos. Toda a nossa família ficou muito revoltada, minha avó não se conforma de ter enterrado o filho. Ela tem problema de pressão alta e com a morte se agravou muito”, conta.

Orgulho

Aos 18 anos e prestes a se formar como soldado do Exército, Júnior diz que já estava com tudo pronto para a comemoração da formatura e que o pai seria seu padrinho. “Tenho certeza que ele estava muito feliz por mim, era um sonho dele e meu. Já tinha convidado ele para ser meu padrinho e agora ele não está aqui”, diz o jovem, salientando que seguir a carreira militar era uma vontade do pai.

“Via ele de farda e sempre tive a vontade de um dia poder trabalhar ao lado dele. Era um sonho dele e estava me empenhando muito para um dia conseguir, agora nem sei se vale a pena. Por outro lado, fico imaginando que se ele estivesse vivo gostaria muito de me ver como militar”, lembra.

Mesmo com a perda precoce, o jovem diz que dará orgulho a seu herói. “No meu futuro quero estudar, cuidar da minha família, principalmente da minha mãe que está muito triste com a morte do meu pai e do meu irmão que ainda é muito novo e está sofrendo muito”, confidencia Júnior que salienta que apesar de estarem separados há 15 anos, o pai era o grande amor da vida da mãe.

Advogado diz que entrará com ação indenizatória
Traição

Questionado sobre a traição da esposa do pai, Júnior diz apenas que alguns colegas chegaram e comentar a possibilidade, mas por falta de provas e para não magoar o pai, preferiu não tocar no assunto. “É muito difícil falar sobre esse assunto, porque por mais que viessem falar a gente via outra coisa dentro de casa. Eles eram um casal normal, se tratavam bem. Era tudo normal, mas ultimamente meu pai estava desconfiado dela, até o dia que pegou e aconteceu o que aconteceu”, desabafa.

Pensão

Os filhos recebiam uma pensão de cerca de R$900 o que ajudava nos estudos e na renda da família. Mas com a morte do sargento, Júnior conta que agora depende apenas do salário de soldado de apenas R$510.  

O advogado da área cível, Igor Fabrício Valença Menezes, explica que na próxima segunda-feira, 24, entrará com uma ação de danos morais e materiais, além de pedir o bloqueio da pensão que a esposa tem direito. “Vamos tentar tomar todas as medidas judiciais cabíveis para tentar minimizar e

O advogado Márlio Damasceno acompanhará o caso na área criminal
reparar um pouco do sofrimento dos filhos do sargento”, afirma o advogado deixando claro que o pedido de não recebimento da pensão por parte da esposa se dá por considerar que ela praticou conduta indigna, traição e desmoralização do sargento.

Crime

O advogado Márlio Damasceno que acompanha o caso na área criminal disse que apesar da liberdade do corretor de imóveis, confia na Justiça e aguardará os encaminhamentos a respeito do fato. “Ele será julgado por homicídio doloso e isso é muito importante para a nossa tese de que o corretor não atirou para se defender, mas para matar”, declara.

Por Kátia Susanna

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