Pescadores enfrentam dificuldade após acidente

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Acidente causou a morte de peixes
O vazamento de amônia que aconteceu no Rio Sergipe em outubro desse ano prejudicou não só os peixes, mas também os pescadores que viviam e dependiam do rio para sobreviver. Só na cidade de Maruim, são 470 famílias que vivem da pesca, muitos passando por dificuldades depois que toneladas de pescados e crustáceos foram mortos acidentalmente.

Embora a justiça já tenha determinado que a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen/Se) deverá pagar aos membros da Associação dos Pescadores de Bairros e Povoados da Cidade de Maruim um salário mínimo durante 12 meses, apenas 57 pessoas receberão o benefício. Uma nova ação será movida na tentativa de que mais famílias possam ter acesso ao dinheiro.

Enquanto isso, o que pode ser visto nas casas que ficam localizadas na área da associação é muita pobreza e falta de perspectiva. Além da falta de trabalho, já que os pescadores voltam com suas redes vazias, muitos ainda estão com as casas condenadas pela Defesa Civil, reflexo da

Gilda Moura e Nayara
enchente que atingiu o rio Gaiamoroba em maio desse ano e invadiu a habitação dessas pessoas.

Esse é o caso do casal Alberto Moura Santos, de 54 anos, e sua esposa Gilda. Com a recomendação de deixar a casa, que está com as paredes totalmente sem estrutura, os dois se negam a sair. Alberto hoje vende milho para sobreviver.

Convivendo com toda a situação está Nayara, neta do casal que nasceu prematuramente há um mês e que divide o mesmo cômodo com a família. “Não vamos sair da nossa casa. Já passaram por aqui e disseram que tínhamos que sair, mas vamos para onde? Não

Sílvia dos Santos com seis filhos. Ela ainda possue outro, que estava na escola
temos dinheiro sequer para consertar as paredes e o telhado. A prefeitura nunca apareceu por aqui para nos ajudar. Sair da única coisa que temos vai adiantar?”, questiona Gilda Moura.

Mesmo com a ausência de peixes e camarões, muitos pescadores insistem em ir para o rio. É o que conta Sílvia dos Santos, mãe de sete filhos ao dizer que seu marido sai de casa às 4h e só volta no final da noite, sempre com as redes vazias. “Ele insiste porque sabe que não temos opção. Estamos passando fome, dependendo dos vizinhos e de Deus”, desabafou.

A presidente da Associação dos Pescadores, Agailda Vieira Gomes, disse que reuniões estão sendo

Agailda Vieira explica aos moradores o que a associação está fazendo
realizadas periodicamente com os moradores da localidade para tentar amenizar a situação e lamenta, afirmando que muitos estão recorrendo à bebida alcoólica.

Ainda existe outra ação na justiça pedindo que a Fafen coloque no rio 60 toneladas de espécies nativas e 30 toneladas de camarão, uma tentativa de recuperar a principal fonte de sobrevivência dos moradores da localidade.

Por Letícia Telles

 

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