Pesquisadores encontram planta carnívora rara em Sergipe

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Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) que realizam expedição científica na Área de Preservação Ambiental Litoral Sul de Sergipe, Unidade de Conservação coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente(UC/Semarh) encontraram durante coleta de espécies vegetais do estrato herbáceo e arbustivo do ecossistema restinga a Utricularia sp. (Letibulariaceae), de rara ocorrência no Estado de Sergipe.

A planta, conhecida popularmente como “Planta Carnívora”,  foi identificada pela equipe de pesquisadores do departamento de Botânica da UFS, coordenada pela professora Ana Paula Prata.

A planta carnívora tem como principal função a habilidade de capturar pequenos animais e, através de enzimas digestivas, extrair compostos nitrogenados para seu próprio aproveitamento. De acordo com informações de Ana Prata, esse tipo de vegetal habita em solos pobres, encharcados e com pouca disponibilidade de nitratos, essenciais para a síntese da molécula de clorofila. “A Utriculária depende, por conseguinte, da molécula de nitrogênio contido nas proteínas dos animais que captura”, explica a doutora.

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De acordo ainda com Ana Prata, as espécies encontradas da planta carnívora são basicamente aquáticas, a maior parte das folhas (senão todas) estão submersas, e extremamente modificada em filamentos muito curtos e ramificada. “Em alguns pontos destes filamentos, encontram-se câmaras vazias, seladas por uma válvula e guarnecidas por pêlos. Larvas ou animais planctônicos, ao encostarem-se a estes pêlos, a referida válvula se abre e uma súbita corrente de água carrega o animal para dentro destas câmaras, onde são digeridos”, completa a bióloga.

Para o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Genival Nunes, a pesquisa desenvolvida na Apa Sul é importante por explorar o tipo de vegetação ali existente, e com isso, elevar o nível quantitativo e qualitativo de espécies de cada região. “A Letibulariaceae, conhecida como vegetação carnívora, é rara no Estado e se não fosse a realização de relevantes pesquisas como essas não saberíamos que a planta estaria aqui”, salienta.

Pesquisadores

Além da participação da doutora Ana Paula Prata nas pesquisas realizadas na Apa do Litoral Sul, participam também a doutoranda Marta Farias, alunos do curso de graduação em biologia e ainda o coordenador da Apa Sul,  o biólogo Paulo César Umbelino.

Apa Sul

A Unidade de Conservação APA Litoral Sul é uma área compreendida entre a foz do Rio Vaza Barris e a desembocadura do Rio Real, com cerca de 55,5 km de costa e largura variável de 10 a 12 km, do litoral para o interior. Abrange os municípios de Itaporanga D”Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba. Inserem-se nesta APA as praias mais habitadas do Estado, destacando-se a Caueira, Saco e Abais. Observam-se também as maiores áreas de restingas arbóreas, manguezais e manchas mais preservadas de Mata Atlântica.

As unidades de conservação são espaços territoriais ricos em recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituídas pelo Poder Público, com objetivos de conservação, com limites definidos, sob regime especial de administração. Instituídas pelo poder público, as UCs podem se localizar em áreas públicas ou privadas. Podem ser federais, estaduais e municipais e, de acordo com a possibilidade de interferência humana no meio, são divididas em dois grandes grupos: unidades proteção integral e unidades de uso sustentável.

Fonte: Semarh

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