PLENÁRIO: “Ferve o caldeirão”

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O Partido Popular Socialista (PPS) está num caldeirão efervescente, que já respingou na direção nacional, em Brasília. Ontem à tarde, no gabinete do presidente Roberto Freire, na Câmara Federal, estavam Leonor Franco, deputado Fabiano Oliveira, o prefeito Renato Brandão (Própria) e os deputados Federais Jackson Barreto (PMN) e Bosco Costa (PSDB). Foram reclamar da instalação de uma Comissão de Ética em Sergipe, que está convocando para depor todos aqueles que não seguiram a orientação do partido, nas eleições estaduais do ano passado, inclusive sem votar no candidato a presidente, Ciro Gomes, no primeiro turno, e nem em candidatos a deputado federal da legenda. O grupo foi pedir interferência do presidente nacional, para que suspendesse a Comissão, porque o objetivo era expulsa-los do partido. Informaram, inclusive, que a suspensão poderia até atrair deputados federais como Jackson Barreto e o próprio Bosco Costa, embora os dois tivessem acompanhado o grupo apenas para prestigia-lo. O deputado federal Roberto Freire, segundo revelou o deputado Fabiano Oliveira, disse ao grupo que não aceitaria a comissão e expulsão do pessoal, porque “o PPS não tem dono”. Freire viria a Sergipe, após o carnaval, para abrir a discussão internamente: “Não estou sabendo de nada e não posso admitir caça às bruxas”, teria se exaltado. Roberto Freire, inclusive, cedeu o número do seu celular ao prefeito Renato Brandão, para que ele passasse a jornalistas de Sergipe, com o objetivo de dar entrevistas desfazendo tudo. Plenário ligou. Ouviu do deputado a confirmação do que o grupo havia informado: “Tomei conhecimento disso agora e, em nome do Direção Nacional, vou solicitar que o Diretório Estadual paralise todo esse processo do Conselho de Ética em Sergipe. Há muito tempo o PPS não usa essa prática de medida administrativa, quando o problema é político. O partido tem que ter tolerância democrática”. O pessoal deixou o gabinete eufórico, mas até às 21 horas de ontem essa ordem de suspensão não havia chegado, tanto que hoje a Comissão de Ética está chamando o mesmo pessoal para depor e tomar as providências cabíveis. O presidente do Diretório Regional de Sergipe, Ivan Paixão, também foi ouvido por Plenário e disse que não houve determinação. Garantiu que o deputado Roberto Freire tem conhecimento do processo em Sergipe e lembrou que no Paraná o partido expulsou quatro prefeitos pelo mesmo motivo. Disse ainda que o próprio Roberto Freire, há cinco anos, destituiu todos os Diretórios Municipais de Pernambuco, para resolver uma questão política. Segundo ainda Paixão, o próprio Freire comunicou que decretou intervenção no diretório do Piauí, por razões idênticas à de Sergipe. Ivan Paixão acrescentou que o Diretório está cumprindo o que fora determinado durante o Congresso do partido, realizado antes das eleições, de que todos os filiados teriam que cumprir as coligações, votar em Ciro para presidente e apoiar os candidatos a deputado federal e ao Senado, para que o partido ficasse forte em Brasília. Por volta das 20 horas, Ivan Paixão voltou a entrar em contato com Plenário. Comunicou que tentou conversar com Roberto Freire. Ele não o atendeu porque estava participando de sessão plenária. Mas, coincidentemente, o secretário geral do PPS, Francisco Almeida, telefonou para o Diretório Regional e conversou com Margarida Azevedo. Contou-lhe que participou de uma reunião no gabinete de Roberto Freire, apenas com o deputado Fabiano Oliveira e o prefeito Renato Brandão, que se queixaram da ação de uma Comissão de Ética que havia sido montada para expulsa-los do partido. Segundo Almeida, o PSB iria mandar uma pessoa a Sergipe, depois do Carnaval, para ver o que estava acontecendo. O secretário geral não viu Leonor, Jackson e Bosco. Ivan Paixão deixou claro que a decisão do Diretório Estadual segue orientação da Direção Nacional, determinada por Roberto Freire, que deseja a reestruturação da legenda, até com mudanças nos Diretórios. Foi baseado nessa determinação, que a direção Regional decidiu convocar os filiados do PPS que não votaram no partido e vai continuar cumprindo com os estatutos. Ivan finalizou: o secretário geral, Francisco Almeida, disse que Roberto Freire não vai desautorizar nada. E depois comentou: “Esse pessoal não votou nos candidatos do PPS e agora está querendo controlar o partido e leva-lo para a oposição, quando temos três deputados estaduais, alguns prefeitos e a vice-governadora”. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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