PMA destroi barracos no Arrozal

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Barracos destruídos e famílias transferidas (Fotos: Cassia Santana / Portal Infonet)

Nesta quinta-feira, 19, a Prefeitura de Aracaju deu prosseguimento à ação de desfavelamento da invasão do Arrozal, no Santa Maria. As máquinas derrubaram os barracos, enquanto a madeira e os papelões utilizados para construção das improvisadas moradias foram queimados. De acordo com informações do secretário Bosco Rollemberg, titular da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), exclusivamente nesta ação, foram transferidas 62 famílias do Arrozal.

O secretário Bosco Rollemberg adverte que a operação terá continuidade até o início do mês de junho na perspectiva de retirar todas as famílias que insistem em permanecer na invasão. Incluindo estas últimas, já foram retiradas 457 famílias daquela área, mas ainda há outras cerca de 200 que permanecem residindo de forma irregular naquela região. A operação está sendo desencadeada conjuntamente pela Semasc, Secretaria Municipal de Saúde, Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e pela Guarda Municipal.

Ação da PMA divide opiniões

Bosco Rollemberg explica que a decisão da Prefeitura de Aracaju é fruto das previsões meteorológicas, que indicam ocorrências pluviométricas acima da média, com chuvas fortes durante todo o inverno. “E esta é uma área de risco”, adverte o secretário. Além do Arrozal, estão sendo transportadas as famílias do Canal Quirinho e da Prainha.
Revolta e elogios
A ação da Prefeitura de Aracaju divide a opinião dos moradores retirados daquela área. Para dona Maria Salete da Conceição, o ideal seria a Prefeitura de Aracaju mantê-la na casa, onde ela reside há vários anos com a filha, um genro e um neto, de apenas um ano de idade. “É verdade que minha casa enche de água quando chove, mas prefiro ficar aqui do que ter que tirar tudo assim nas carreiras”, reclamou.

Seu Dermeval: endereço incerto

Mas outros deixaram a invasão demonstrando satisfação, apesar da incerteza quanto à futura moradia. “Estou sem endereço certo, mas estou confiante”, disse o senhor Dermeval Nascimento, 64. “Moro aqui há dez anos e são dez anos de sofrimento e quando chove a situação piora porque fico com os pés todo ensanguentado de frieira”, comentou.
A Prefeitura de Aracaju informa que a situação na região é bastante precária diante das novas invasões que surgem a cada momento. De acordo com informações do próprio secretário Bosco Rollemberg, em curto espaço de tempo, entre 24h a 48h, surgiram numa região próxima – no Sítio Mangabeira – nada menos que 70 barracos improvisados e todos foram destruídos em operação semelhante nesta semana.

As famílias que residiam na invasão e que foram cadastradas há alguns anos pela Prefeitura de Aracaju, segundo informações da secretária adjunto da Semasc, Edivaneide Souza Paes Lima, serão contempladas com o projeto de habitação popular da PMA e, enquanto os imóveis estão sendo construídos, receberão auxílio moradia para pagamento de aluguel.

Galpão da Jabotiana: incerteza para quem não tem cadastro

A Semasc está fazendo levantamento de todas as famílias retiradas das áreas de risco para identificar aqueles que efetivamente terão direito aos benefícios do auxílio moradia. A secretária adjunto adverte que só serão contemplados com os projetos em andamento as famílias já cadastradas. Aqueles que ainda não possuem cadastro na PMA deverão retornar para suas residências de origem e serão cadastrados regularmente para inclusão em futuros projetos de moradia popular da PMA.

Alojamentos

Muitos foram transferidos para a casa de parentes ou amigos próximos. O senhor Dermeval Nascimento, por exemplo, foi transferido para a residência de uma filha que reside na cidade nova, enquanto dona Salete foi transferida para a casa de uns amigos, que moram no próprio bairro Santa Maria.

Barracos alvo da PMA

Mas um grande número de famílias retiradas das áreas de risco está alojado precariamente em galpões. Um grupo chegou a invadir as instalações do Movimento Trabalhista Pela Juventude, onde permanece amontoado aguardando o prometido auxílio moradia da Prefeitura de Aracaju. “Estamos aqui esperando a vitória”, diz a desempregada Matilde Batista dos Santos, 52, que reclama do seu precário estado de saúde.

Outros optaram por fazer um protesto e, nesta semana, pernoitaram nas instalações do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos e foram transferidas para um galpão na Jobotiana. Eles continuam reclamando da falta de assistência do poder público. “Deixaram a gente aqui e desde ontem não dizem nada pra gente”, comenta Marcela da Conceição Santos, 22, que está no Galpão da Jabotiana.

A secretária adjunta Edivaneide Paes, da Semasc, garante que a Prefeitura de Aracaju fará um levantamento de todas as famílias transferidas nestas últimas operações para comparar ao cadastro. E voltou a alertar: os cadastrados já estão inclusos em projetos de habitação popular da PMA e terão direito a auxílio moradia enquanto as unidades habitacionais estão sendo construídas, e aquelas famílias não cadastradas serão submetidas ao cadastro para serem incluídas em projetos futuros uma vez que estas famílias, segundo opina, não residiam naquela invasão.

Por Cássia Santana

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