PMs organizavam o comércio ilegal de anabolizantes em Sergipe

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Delegados e major da PM: parceria nas investigações (Foto: Portal Infonet)

Dois policiais militares estão no rol das cinco pessoas presas na manhã desta sexta-feira, 25, acusados de integrar uma organização criminosa que seria responsável pela manipulação ilegal para produzir e comercializar ilicitamente anabolizantes em Sergipe. Um dos policiais militares exerce atividade no Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) e o outro lotado no 5o Batalhão da Polícia Militar de Sergipe, em Nossa Senhora do Socorro.

Os dois policiais militares foram alvo de mandados de prisão preventiva e estão custodiados na sede da Polícia Federal, em Aracaju. Familiares dos policiais e advogados interessado em fazer a defesa dos militares movimentaram a sede da PF em Aracaju, mas não quiseram ser identificados nem também prestaram maiores esclarecimentos sobre a suposta atividade ilícita dos acusados. “Eu não sabia de nada dele”, destacou um dos tios do PM que atua no Getam.

O nome dos policiais militares envolvidos está mantido em sigilo para não atrapalhar o andamento da investigação, que tem continuidade na Polícia Federal. De acordo com informações do major Márcio Lima, que representou a instituição militar como oficial designado pela Corregedoria Geral da PM para acompanhar os procedimentos da Polícia Federal relacionados aos militares, a corporação vai instaurar procedimento para apurar a conduta dos policiais militares. Ele não antecipou conceitos a respeito da questão, assegurando apenas que provavelmente a apuração será feita em Inquérito Policial Militar (IPM).

Importação de matéria-prima e manufatura

De acordo com informações dos delegados da Polícia Federal Aldo Amorim e Marcus Vinícius Pioli Luz, as investigações não encontraram indícios de que os policiais militares utilizaram a estrutura ou se ampararam nos cargos que exercem na corporação militar para realizar as atividades ilícitas. Além dos dois policiais militares, outras três pessoas também foram alvo de mandados judiciais de prisão preventiva. Quando cumpriam os mandados de prisão preventiva, os agentes da Polícia Federal também formalizaram auto de prisão em flagrantes de três acusados, que foram localizados nos imóveis onde estavam os produtos procurados, alvo dos mandados de busca e apreensão.

Na operação, foram apreendidos aparelhos de telefone celular, anabolizantes e matéria-prima utilizada para manufaturar os produtos, além de equipamentos utilizados no preparo das substâncias que eram comercializadas, com duas diferentes marcas próprias criadas pelo próprio grupo, e também os equipamentos que estavam em dois imóveis alugados na capital sergipana onde funcionavam uma espécie de laboratório clandestino, onde os anabolizantes eram produzidos de forma ilícita.

A matéria-prima para a produção desses anabolizantes era importada da China e chegava no Brasil através das agências dos Correios. Não se observou, conforme os delgados, qualquer relação de empregados dos Correios, uma empresa de economia mista, nas atividades delituosas. Nessa ação policial, denominada operação “Reação Adversa”, foram cumpridos mandados judiciais em Salvador, capital da Bahia, em Uberlândia, no estado de Minas Gerais, e também em Aracaju.

Os acusados importavam a matéria-prima da China, manipulavam e produziam os anabolizantes em laboratórios clandestinos, sem qualquer habilidade técnica. Conforme os delegados da PF, o grupo recebia orientação através de recitas enviadas por um outro suspeito que reside no Estado de Minas Gerais.

A operação foi encerrada no final da manhã desta sexta-feira, mas as investigações prosseguem. Os delegados da PF envolvidos na investigação pretendem analisar os aparelhos celulares apreendidos e os outros materiais encontrados nos imóveis alvo dos mandados de busca e apreensão para identificar novos envolvidos nessa ação criminosa e definir outras ações que poderão ser executados a partir dos desdobramentos dessa investigação.

por Cassia Santana

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