Presidente do Conselho Federal da OAB diz que há defasagem nos cursos de Direito

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Má preparação e defasagem na formação dos profissionais de Direito do Brasil. Foi assim que o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB -, Roberto Busato, definiu a nova leva de profissionais graduados em bacharel em Direito. O presidente esteve em Aracaju para a abertura da Semana Jurídica do Advogado e concedeu uma coletiva à imprensa sergipana.

Roberto Busato

 

Segundo Busato, a Ordem possui hoje condições de saber quem é quem na advocacia brasileira. “Através de uma pesquisa, detectamos um quadro preocupante. No que se refere ao Nordeste, por exemplo, há uma má distribuição dos profissionais de Direito que se aglomeram nas capitais dos Estados”, explicou ele.

 

Outras preocupações da Ordem dizem respeito ao alto número de bacharéis formados a cada ano. Cerca de 70 mil estudantes da área da advocacia saem das faculdades brasileiras por ano. Em compensação, mais da metade reprova no exame de ordem da OAB. “A partir do governo FHC, houve um ´boom´ dos cursos de Direito. A maioria não possui boa qualidade”, disse Busato.

 

Para o presidente, os concursos públicos realizados na área acabam não suprindo seus quadros justamente devido a esse fato. Faltam profissionais qualificados para assumir cargos de importância e o que se vê são poucos juízes, promotores etc, para uma grande demanda da população.

Henri Clay

 

Mas apesar de tudo, Roberto considera que há motivos para se comemorar. “Num país que não oferece boas condições de dignidade social, os 480 mil advogados que compõem a categoria conseguem ter essa dignidade. Isso já é motivo para comemoração. Devemos celebrar a luta da categoria”, disse o presidente.

 

Roberto Busato falou que esse ano não houve muitos casos de abuso de poder em Sergipe. O único fato grave, que, segundo ele, chocou o país e teve uma grande repercussão em toda a Ordem foi “o caso lamentável daquele concurso público em que houve um alto grau de parcialidade”, lamentou Busato se referindo às denúncias de fraude que acabaram por anular o concurso da OAB realizado no início do ano em Sergipe.

 

O outro ponto tocado pelo presidente foi a questão da criação do Conselho de Jornalismo. Segundo ele, o país vive num clima de “denuncismo”, e que a opinião da OAB é que a Ordem só irá se opor a qualquer tentativa de limite ao direito de expressão.

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