Sacrifício de animais: ONG vê decisão do STF como desrespeito à vida

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O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, registrou que todos os votos foram proferidos no sentido de admitir o sacrifício de animais nos ritos religiosos (Foto: STF)

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em validar o sacrifício de animais em cultos religiosos segue causando repercussão. A ONG Educação e Legislação Animal (Elan), por exemplo, classifica a decisão unânime da Suprema Corte como um “desrespeito à vida”. O julgamento começou no ano passado, mas só foi concluído na tarde desta última quinta-feira, 28.

Os ministros do STF entenderam que não há crueldade no sacrifício de animais em cultos de religiões de matrizes africanas e que sua prática é constitucional. Esse, contudo, foi o ponto mais criticado pela fundadora da Elan, Nazaré Moraes. “Isso é um absurdo. Matar um animal, seja ele qual for, já é uma crueldade”, diz.

Nazaré Moraes, fundadora da ONG Elan (Foto: arquivo/Portal Infonet)

Ainda segundo Moraes, essa parte da decisão do STF foi a mais revoltante. “Eles permitiram livremente a matança de animais. Deram uma licença para se praticar a crueldade”, destaca. A fundadora da ONG reitera que se diz contrária a toda prática de sacrifício de animais para quaisquer formas de rituais ou simbologia. “É bom deixar claro que essa minha opinião se estende também ao peru de Natal e o peixe na semana santa. Eu sou contra a morte. Sempre fui a favor da vida”, salienta.

Durante o seu voto, o ministro Luís Roberto Barroso argumentou que, de acordo com a tradição e as normas das religiões de matriz africana, não se admite nenhum tipo de crueldade com o animal e são empregados procedimentos e técnicas para que sua morte seja rápida e indolor. “Segundo a crença, somente quando a vida animal é extinta sem sofrimento se estabelece a comunicação entre os mundos sagrado e temporal”, assinalou o magistrado.

Ministro Luís Roberto Barroso (segundo à direita) enquanto proferia seu voto (Foto: STF)

Esse ponto da decisão, contudo, estarreceu Nazaré Moraes. “Não existe morte sem dor. Como é que vou matar algo sem causar dor?”, questiona. “Os animais irão sofrer. Foi uma das piores decisões do tribunal nos últimos anos”, avalia.

Por João Paulo Schneider e Karla Pinheiro
Com informações do STF

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