Sem casa invadem PMA para exigir imóveis do 17 de Março

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Sem teto na PMA: denúncia de privilégios (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Um grupo de famílias sem teto ocupou a sede da Prefeitura de Aracaju na manhã desta segunda-feira, 1º, para exigir providências para que os imóveis do bairro 17 de Março sejam distribuídos entre aquelas pessoas que residiam em áreas de risco e que foram contempladas com aquelas residências. Alguns informam que a prefeitura retirou direitos e que estaria beneficiando outras pessoas, em suposto flagrante privilégio político.

A dona de casa Joseane da Silva Santos estava na PMA representando a irmã. “Minha irmã ganhou a casa e quando o pessoal da prefeitura ligou para ela, ela não pode vir porque estava doente e aí deram a casa pra outra pessoa”, conta.  “Colocaram lá foi gente sem filho, que estão vendendo a casa, mas a gente que morava no Arrozal, nada”, lamenta Gineide Lima Barbosa. “Sou cadastrada há muito tempo, mas tiraram o cadastro velho e botaram um novo”, denuncia.

Gineide: inconformada com a falta de atenção

“Todo dia aqui tem uma conversa”, observa Ivani Alves dos Santos. “Não fui sorteada e disseram que fui para novos projetos da prefeitura”, comenta. Já Isabel Patrícia dos Santos diz que foi convocada para comparecer à prefeitura no dia 19 de março para assinar o contrato, mas ao chegar na PMA ficou surpresa. “Não me deram nenhum papel e no dia 21 entregaram minha casa para outra pessoa”, denuncia Isabel Patrícia.

Dona Marília Marcelo do Nascimento diz que foi retirada da Água Fria e que teria sido sorteada com um dos imóveis. Mas acabou perdendo a casa. “Deram minha casa aí por baixo do pano”, denuncia. Há também pessoas que foram sorteadas já estavam morando no imóvel, mas a casa foi invadida recentemente. “Fui visitar minha mãe que estava doente e quando voltei não encontrei nada em casa. Tiraram meus móveis e venderam tudo. Agora tem uma pessoa morando lá dizendo que comprou a casa. Como, se a casa é minha e eu não vendi?”, reage uma mulher que prefere o anonimato porque teme represália.

Mães reclamam dos critéirios

A mulher prestou queixa crime em Boletim de Ocorrência numa Delegacia de Polícia. Ela avisa que, se o invasor não devolver o imóvel, vai procurar apoio da Defensoria Pública para ingressar com ação judicial pela reintegração de posse.

Sem privilégios

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social informou que a PMA não usa de privilégio para distribuir os imóveis. A assessoria informa que a PMA começou a fazer a entrega dos imóveis às famílias contempladas e que há imóveis sobrando porque as famílias foram convocadas e não compareceram à PMA para assinar o contrato e receber as chaves.

Diante disso, a PMA está analisando os beneficiários de uma ação judicial movida pela Defensoria Pública para distribuir auxílio moradia a famílias que residiam em área de risco. Pela ação, a PMA tem prazo de 15 dias para informar quantas famílias são beneficiadas com o auxílio moradia e justificar a falta de pagamento dos benefícios a famílias contempladas e a data que o pagamento deixou de ser efetuado.

A assessoria da secretaria informa também que está fazendo levantamento para identificar as pessoas citadas na ação judicial  e promete destinar a estas famílias os imóveis que não foram entregues devido à ausência dos sorteados. Quanto à invasão dos imóveis já entregues, a assessoria informa que a prefeitura não tem responsabilidade de vigiá-los e orienta aqueles prejudicados a prestar queixa na Polícia e ingressar com ação judicial pela reintegração de posse.

Por Cássia Santana

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