Sergipe é o 4º maior produtor de camarão e impulsiona a aquicultura

Da produção de larvas ao beneficiamento industrial, atividade envolve produtores, assistência técnica do Governo do Estado e fiscalização sanitária, movimentando a economia em diversas regiões

Todo o trabalho é acompanhado pela gestão estadual, por meio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).  (Foto: Thiago Santos)

A criação de camarão tem se consolidado como uma das atividades mais importantes da aquicultura em Sergipe, movimentando a economia local e gerando emprego e renda em diversas regiões. Em viveiros espalhados por áreas próximas a rios e estuários, produtores acompanham diariamente o desenvolvimento dos crustáceos, garantindo alimentação, manejo adequado da água e cuidados sanitários até o momento da colheita. Todo o trabalho é acompanhado pela gestão estadual, por meio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

A atividade, conhecida como carcinicultura, reúne uma cadeia produtiva que vai desde a produção de larvas até o beneficiamento do camarão para consumo, se consolidando como uma atividade estratégica para o desenvolvimento da aquicultura no estado. Resultado disso é que, hoje, Sergipe ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de camarão do Brasil. Estimativas recentes do setor, como as da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE), apontam que a produção anual pode variar entre 10 mil e 12 mil toneladas.

Produção

Em municípios como Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros, a atividade tem ajudado a fortalecer a economia local e a gerar renda para muitas famílias. Antes de chegar aos viveiros de engorda, o camarão passa por um processo inicial de reprodução e criação em laboratório. Esse trabalho é realizado em empresas especializadas, responsáveis pela produção das chamadas pós-larvas, estágio em que os animais são comercializados para os produtores.

O processo começa com a reprodução dos camarões adultos e segue por diferentes fases de desenvolvimento até atingir o tamanho ideal para a venda, como explicou o engenheiro de pesca de uma dessas empresas produtoras de camarão, Victor Jing Dong Moreira Xu. “O processo começa na maturação dos camarões adultos que, depois, geram as ovas e os náuplios, primeiro estágio do animal. A partir daí ele passa pelas fases de larvicultura até chegar à pós-larva, que é o estágio ideal para ser comercializado aos produtores”, pontuou.

Todo esse processo ocorre com acompanhamento técnico e controle sanitário, garantindo que os animais cheguem aos produtores com qualidade e segurança.

Já a etapa de engorda dos camarões ocorre nos viveiros instalados em áreas próximas a rios e estuários. Nessas propriedades, os produtores realizam o manejo da água, a alimentação e o acompanhamento do desenvolvimento dos animais até o momento da colheita.

O carcinicultor José Eduardo de Oliveira Góis, que possui viveiros na região da Taiçoca de Fora, em Nossa Senhora do Socorro, destaca a importância do acompanhamento técnico para garantir a qualidade da produção. “O trabalho de cadastramento é muito importante porque garante o controle da produção e a qualidade do camarão. Caso surja algum problema sanitário, os órgãos já têm onde atuar rapidamente, evitando prejuízos para o produtor e garantindo que o consumidor receba um produto seguro”, afirmou.

Segundo José, a orientação técnica da Emdagro e a atuação integrada dos órgãos públicos contribuem para fortalecer toda a cadeia produtiva. “Quando há acompanhamento técnico e orientação, todos ganham: o produtor, que tem mais rentabilidade, e o consumidor, que recebe um produto de melhor qualidade”, acrescentou.

Controle sanitário da produção

O monitoramento sanitário é realizado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, órgão responsável pela defesa sanitária animal no estado. A médica veterinária da Emdagro Sônia Angélica Souza Silva explica que o objetivo é cadastrar os produtores e monitorar a movimentação dos animais aquáticos no estado. “Nosso trabalho é cadastrar os produtores e controlar o trânsito dos animais aquáticos para evitar que doenças entrem no estado ou se espalhem. Com esse monitoramento, conseguimos rastrear rapidamente qualquer problema sanitário”, frisou.

Segundo Sônia, o cadastro dos produtores também facilita a identificação das propriedades e permite uma atuação mais rápida caso seja necessário conter alguma enfermidade. “Muitos aquicultores não se veem como pecuaristas, mas a legislação considera essa atividade dentro da pecuária e exige o cadastro no órgão de defesa sanitária”, acrescentou.

Beneficiamento e comercialização

Após a colheita, o camarão segue para as unidades de beneficiamento, onde passa por etapas de limpeza, processamento e conservação antes de chegar ao consumidor.

Em outra empresa produtora de camarão localizada na Barra dos Coqueiros, o produto passa por um rigoroso controle de qualidade desde a chegada da matéria-prima até a expedição. A médica veterinária da empresa, Bruna Rayssa Gomes Oliveira, detalha os processos que envolvem a atividade. “A primeira etapa é a recepção da matéria-prima, quando avaliamos a temperatura, a aparência e a qualidade do produto. Depois, o camarão passa por lavagem, processamento e segue para refrigeração, congelamento e expedição. O controle de temperatura é um dos principais fatores para garantir a segurança do alimento. Utilizamos câmaras frigoríficas em todas as etapas e transporte adequado para garantir que o produto chegue ao consumidor dentro dos padrões de qualidade exigidos”, destacou.

O acompanhamento das agroindústrias também faz parte do trabalho realizado pela Emdagro, que realiza inspeções periódicas para garantir que as normas sanitárias sejam cumpridas. Segundo a médica veterinária da empresa pública, Roberta Bruna Fidelis Lins Peixoto, o controle começa ainda antes da construção das unidades de beneficiamento. “A inspeção começa na análise do terreno e das instalações. Em seguida, quando a agroindústria entra em funcionamento, seguimos acompanhando o processo produtivo para garantir que o produto esteja dentro dos padrões sanitários”, explicou.

Durante as inspeções, também são avaliadas as condições de higiene e o fluxo de produção dentro das agroindústrias. “Observamos os hábitos higiênicos dos manipuladores, se estão utilizando touca, máscara e outros equipamentos de proteção, além de verificar se o fluxo de processamento evita riscos de contaminação cruzada”, apontou Roberta.

Além da análise das instalações, a equipe realiza, ainda, coletas de produtos para exames laboratoriais. “Verificamos se o camarão atende aos padrões físico-químicos e microbiológicos definidos pelo regulamento técnico de identidade e qualidade. Um dos pontos avaliados é o nível de metabissulfito de sódio, um conservante utilizado no processamento do camarão. Esse produto precisa estar dentro do limite máximo permitido, que é de 100mg/kg. Caso ultrapasse, o lote é apreendido e descartado”, destacou.

Acesso a políticas públicas

Outro instrumento importante para o fortalecimento da atividade é o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), documento que permite aos produtores acessar políticas públicas voltadas ao setor rural. Conforme o engenheiro agrônomo da Emdagro Adailton dos Santos, o cadastro é essencial para que agricultores e aquicultores possam participar de programas governamentais. “O CAF habilita o produtor a acessar crédito rural, programas de compras institucionais e outras políticas públicas do Governo Federal. Apesar do nome Cadastro da Agricultura Familiar, ele também engloba outras atividades. A aquicultura, como a carcinicultura e a piscicultura, também está amparada pelo CAF, assim como pescadores artesanais, extrativistas e outros trabalhadores que vivem dessas atividades”, reforçou.

Fonte: Governo de Sergipe

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