Sergipe registra queda no número de mortes por arma de fogo

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Hoje foi um dia considerado satisfatório pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ele comemorou os dados obtidos a partir da campanha pelo Desarmamento, realizada em todo o Brasil com o objetivo de diminuir a mortalidade por armas de fogo. Houve uma queda nos índices de homicídio se comparados os números entre 2003 e 2004. Em Sergipe, a média registrada foi de -17,1%.

 

Usada como badulaques por muitas famílias, as armas acabam servindo como apêndice. De acordo com Kércio Pinto, superintendente da Polícia Federal em Sergipe, a maioria das pessoas que possuem uma arma ou nunca souberam atirar ou guardam o objeto em locais de difícil acesso em caso de confronto com bandidos.

 

Apesar disso, muita gente ainda insiste em manter uma arma junto a si. Alguns por mera vaidade. “Está incutido na nossa cultura, principalmente a nordestina, a idéia de que a arma é nosso meio de defesa. Há, também, a presunção de que estaremos sempre protegidos portando uma arma de fogo, mesmo que esteja dentro de um cofre. Cerca de 70% dos crimes são causados por brigas rotineiras, acidentes em casa, fatores minúsculos”, explica o superintendente.

 

Um dado ainda mais absurdo é que apenas 20% dos casos de mortes e ferimentos causados por armamentos desse tipo são em confrontos com bandidos. Ou seja, o restante são pessoas inocentes. “É uma grande ilusão que tem que acabar: 90% das pessoas que possuem armas não sabem usá-la e na maioria das situações de risco nunca saberiam como reagir”, fala Kércio.

 

NÚMEROS – Contrapondo esse quadro funesto, a campanha a favor do desarmamento detectou uma redução de crimes ligados diretamente ao porte de armas ilegal. A redução foi verificada em 18 Estados e mesmo naqueles onde a taxa de mortalidade cresceu, ela foi em menor escala do que nos anos anteriores. As maiores variações percentuais foram registradas no Mato Grosso (-20,6%), São Paulo (-19,4%), Sergipe (-17,1%), Pernambuco (-14,5%) e Paraíba (-14,4%).

 

“Hoje é um momento de grande alegria. Estamos vendo o sucesso de uma política pública bem pensada, bem estruturada, que contou com a mobilização de toda a sociedade brasileira para poupar milhares de vidas”, afirmou o ministro Thomaz Bastos.

 

O CÁLCULO – Para chegar aos números, fez-se uma comparação em relação ao ano de 2003. Em todo o Brasil, estima-se que 3.234 pessoas deixaram de morrer. A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) apurou que no ano passado foram 36.091 mortos por arma de fogo. Em 2003 foram 39.325, uma média de 108 pessoas por dia, nove a cada duas horas.

 

O caso é tão grave que as mortes por arma de fogo atingem, principalmente, a parcela produtiva da população, sendo a maior parte homens jovens (entre 10 e 29 anos). A saraivada de balas consegue arrastar para o túmulo mais gente do que as doenças respiratórias, cardiovasculares, câncer, Aids e acidentes de trânsito.

 

Mas como as pessoas conseguem os artigos de fogo? Segundo o superintendente da PF em Sergipe, 90% das armas foram compradas legalmente, no decorrer dos 50 anos. “Acontece que com o tempo, foram caindo na mão da marginalidade, pela perda, extravio, furto, roubo ou de vigilantes que eram assaltados”, explicou.

 

AS ARMAS EM SERGIPE – Ao todo, Kércio Pinto acredita que cerca de 14,3 mil armas foram arrecadadas através da Campanha de Desarmamento. A performance está sendo considerada excelente pela força policial, mantendo Sergipe em primeiro lugar o ranking dos Estados com maior número de armas arrecadadas proporcionalmente à população.

 

A expectativa inicial era de que 5 mil armas fosse entregues de maneira espontânea, mas o número atingiu quase 200% acima do que era o inicial. “Houve uma maior participação, uma corrente formada pela polícia, imprensa e ONGs, que se uniram e deram maior divulgação ao Estatuto do Desarmamento, havendo uma discussão com a sociedade. Houve também uma partida para o interior do Estado, mostrando o que era o desarmamento”, diz Kércio. Complementando, o superintendente diz que é uma satisfação, para todos os que fazem a Segurança Pública, a notícia de redução de homicídios.

 

DESARMAMENTO – Inicialmente, 80 mil armas foram programadas para serem recolhidas até o final de 2004, em todo o Brasil. Mas com o passar do tempo, o sucesso do programa foi tanto que 200 mil artefatos foram recolhidos. O projeto foi pensado inicialmente para ser executado por seis meses, mas acabou sendo ampliado para mais seis meses.

 

Os números superaram a expectativa da Polícia Federal e o projeto acabou recebendo apoio da Igreja e, em Sergipe, também da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Em maio, Kércio explicou que “a parceria entre a PF e a Igreja em Sergipe foi pioneira no país. Desde o início da campanha a Igreja nos abril as portas. Com isso, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, também resolveu abrir as portas de todas as igrejas do Brasil para contribuir com o desarmamento”.

 

À época, tinham sido entregues 10.756 armas no Estado, sendo que a Polícia Federal pagou pouco mais de R$ 1 milhão em recompensas. O crescimento em três meses foi ainda mais espantoso, com mais 4 mil armas entregues.

 

Por Wilame Amorim Lima

Da Redação do Portal InfoNet

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