SSP questiona dados do Ipea e revela redução da violência no Estado

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Sidney Santos divulga os dados da SSP (Fotos: Portal Infonet)

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) divulgou estatística que apresenta queda de mais de 30% no índice de mortes violentas em Sergipe. A estatística apresentada pela SSP está relacionada a homicídio culposo, latrocínio [roubo que culmina com morte] e lesão corporal seguida de morte. Neste ano, até o mês de maio, a SSP contabilizou 338 casos, enquanto no ano passado foram 493, no mesmo período, representando uma redução de 31,4% no número dessas ocorrências.

Viviane Pessoa diz que SSP trabalha com a mancha criminal

Os dados foram apresentados pelo escrivão Sidney Santos Teles, diretor da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da SSP, e explicados pela delegada Viviane Pessoa, coordenadora das Delegacias de Polícia Civil da Capital. “São mais de 150 vidas salvas com o trabalho integrado da Polícia Civil com a Polícia Militar e o Grupo de Operações”, enalteceu a delegada. Para a cúpula da SSP, são dados que merecem comemoração, mas reconhece que a situação ainda é complexa e que os números divulgados nesta terça-feira, 11, continuam altos. “Não estamos nos índices ideais, mas estamos trabalhando para reduzir”, comenta a delegada.

Atlas da violência

Mesmo em queda, o Atlas da Violência 2019 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado pelo Fórum Brasileira de Segurança Pública (FBSP) destaca Sergipe como um dos Estados brasileiros mais violentos do país. No último dado, divulgado na semana passada, Sergipe apresentou taxa de 57,4 homicídios por grupo de 100 mil habitantes, classificando-se como o quarto com a maior taxa.

Mas a delegada Viviane Pessoa questiona os números expostos pelo Ipea e garante que há distorção por falta de padronização nos procedimentos. “Aqui nós trabalhamos com dados fidedignos. Os dados de Sergipe nunca são questionados”, destaca Viviane Pessoa. “A forma de mensurar em outros Estados é diferente, nem sempre é compatível com nossa forma. Nós contabilizamos cada vida que se perde, desde o início, e nem todo Estado faz isso”, explica.

Segundo Viviane Pessoa, cada Estado possui um procedimento próprio para desenvolver a estatística e há situação, que poderá trazer divergências nos dados. “Às vezes, um evento com três mortes se conta como um evento e em Sergipe contamos pessoa a pessoa, caso a caso, porque isso não é padronizado”, observa. “Não quer dizer que outros Estados estejam fazendo de forma incorreta. Mas como não se padroniza, às vezes esses números são prejudicados lá fora por ser colocado de forma simplista”, explica.

Planejamento

Apesar da queda no índice de homicídios, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Sergipe (Sinpol), Adriano Bandeira, critica a atuação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) no combate à criminalidade. “Concordamos que houve redução nos homicídios, mas a Secretaria da Segurança Pública não explica as ações e o planejamento para reduzir a criminalidade”, diz o sindicalista.

Para Bandeira, a política do Governo, ao deixar a categoria sem revisão salarial por um longo período, está desmotivando o policial e cobra maiores explicações da SSP quanto ao trabalho efetivo para reduzir a criminalidade no Estado. Para o sindicalista, a SSP precisa explicar qual o fenômeno que provocou a ocorrência de 324 homicídios nos últimos cinco meses e que tipo de ações está sendo desencadeado para inibir estas ocorrências.

A delegada Viviane Pessoa contestou o entendimento do Sinpol e garante que a SSP trabalha com planejamento estratégico, tomando por base os dados revelados na estatística. E assegura que o combate à criminalidade tem tido sucesso por articular ações integradas, que envolvem os variados segmentos da segurança pública. Segundo Viviane Pessoa, a SSP trabalha “a mancha criminal”, desencadeando ações articuladas nos locais onde apresentam maiores índices. “Hoje não temos como dizer ‘tal cidade é mais violenta’. Mas temos como dizer que a mancha criminal migra e a polícia fica sempre neste estudo e pesquisa para combater onde a violência está saindo do controle”, considera.

por Cassia Santana

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